Lula liga para Trump, critica tarifas ao Brasil e reforça cooperação contra crime organizado entre países

Ligação durou 1h20min e tratou de assuntos em comum entre Brasil e Estados Unidos, conforme a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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Lula e Trump se encontraram em 7 de maio de 2026 (Foto: Wallison Breno, PR; Reprodução)

Lula e Trump se encontraram em 7 de maio de 2026 (Foto: Wallison Breno, PR; Reprodução)

O presidente Lula ligou, na manhã desta sexta-feira (21), para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma conversa que durou mais de 1h sobre temas de relacionamento entre os dois países e assuntos globais. O brasileiro criticou as tarifas impostas pelo país americano ao Brasil e chamou as alegações que basearam a medida de infundadas.

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A informação sobre a ligação foi repassada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, que afirmou que a ligação ocorreu em “tom amistoso e cordial”. No dia 22 de julho, há quase um mês, entrou em vigor a tarifa adicional de 25% sobre produtos do Brasil, após uma investigação dos EUA contra práticas do comércio brasileiro que, segundo os EUA, prejudicam a economia norte-americana

Em nota, a pasta afirmou que Lula disse na ligação que as tarifas afetam de forma negativa tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, e que “seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países”. O presidente do Brasil também disse que quer que os dois países continuem trabalhando juntos.

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A nota afirma que Trump concordou com a preservação dos vínculos comerciais fortes entre as duas nações e que propôs que equipes do Brasil e dos EUA voltassem a se reunir em breve.

Combate ao crime organizado

Outro assunto foi o combate ao crime organizado. No dia 5 de junho de 2026, os Estados Unidos oficializou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs). A medida tem como objetivo a imposição de sanções financeiras e restrições legais contra os grupos.

Na conversa desta sexta-feira, Lula disse que o Brasil tem interesse em cooperar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, mas afirmou que os grupos criminosos “não se confundem com organizações terroristas”, apesar de exercerem “terror cotidiano sobre as populações mais carentes”.

Segundo Lula, o Brasil consegue enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las. Argumentou com Trump que o país tem planos para isso, como a Lei Antifacção. O presidente americano afirmou que quer reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área, segundo a pasta brasileira.

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Conflitos globais

Também foi assunto no telefonema os conflitos globais, principalmente as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. De acordo com a nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social, os dois presidentes concordaram “sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia“.

Lula teria lamentado a “inoperância do Conselho de Segurança da ONU” e sugeriu, assim como fez aos presidente da China e da Rússia, Xi Jinping e Vladimir Putin, respectivamente, uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para tentar conter as crises atuais.