A expectativa do governo brasileiro é que os Estados Unidos confirmem nesta quarta-feira (15) o novo tarifaço sobre produtos brasileiros. Nos bastidores, o governo Lula (PT) já trabalha com o cenário de que o segundo tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump será confirmado, embora mantenha as negociações com Washington.

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Na tarde de terça-feira (14), representantes do Brasil se reuniram novamente com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e voltaram a defender que as sobretaxas são injustificadas. O prazo para o governo americano divulgar o resultado da investigação comercial e a lista definitiva de produtos atingidos termina nesta quarta-feira.

Impactos no Brasil e em SC

Projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil serão afetados, o equivalente a quase US$ 15 bilhões em exportações. De acordo com a entidade, 62% dos itens potencialmente afetados são bens intermediários, usados como insumos pela indústria norte-americana. 

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Em Santa Catarina, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) avalia que a nova rodada de tarifas deve manter impactos semelhantes aos observados no primeiro tarifaço, que vigorou até fevereiro de 2026.

Segundo o economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt, mais de 80% dos produtos catarinenses exportados aos Estados Unidos serão atingidos pelo novo tarifaço.

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— Isso significa em valores cerca de 56% do valor total das exportações para os Estados Unidos e isso gera um grande impacto em diversas regiões do Estado — diz Pablo Bittencourt.

Dos mais de 1,3 mil produtos exportados por Santa Catarina aos Estados Unidos, 518 terão perda adicional de competitividade em relação ao primeiro tarifaço, conforme a Fiesc. Entre os produtos com perda de competitividade estão portas, caixilhos e soleiras de madeira, obras de marcenaria para construção, sacos de papel ou cartão, obras em madeira e sacos e bolsas de polietileno.

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Novo tarifaço reduz alíquota, mas mantém desvantagem para SC

Em relação aos dois tarifaços, apesar da nova taxação (37,5%) ser menor do que à primeira (50%), segundo o estudo da Fiesc, a tarifa efetiva — que considera o impacto competitivo que a indústria de fato suporta no mercado de destino e também a pauta de exportações de SC — passará de 47,8% no estado no primeiro tarifaço, para 35,9%.

A avaliação da entidade é de que a diferença em relação aos concorrentes internacionais será elevada em setores importantes da economia estadual.

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— Esta aparente redução de alíquotas nominais esconde um cenário adverso: os principais concorrentes internacionais do Brasil passarão a ser beneficiados com tarifas mais baixas. Com isso, a vantagem competitiva dos produtos de SC no mercado americano segue prejudicada — afirma o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt.

O caso das portas de madeira, principal produto de exportação de Santa Catarina para os Estados Unidos, é um dos exemplos citados. No primeiro tarifaço, a desvantagem competitiva do produto catarinense era de 24,7 pontos percentuais em relação aos concorrentes. Com a nova estrutura tarifária, essa diferença deve aumentar para 26,8 pontos percentuais.

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Nas obras de marcenaria para construção, a desvantagem passa de 23,2 para 26,6 pontos percentuais. Já em produtos como madeira compensada e carne suína congelada, há uma redução da diferença em relação ao primeiro ciclo, mas ainda com prejuízo competitivo. A madeira compensada passa de uma desvantagem de 30,3 para 25,9 pontos percentuais, enquanto a carne suína congelada cai de 28,9 para 27,3 pontos percentuais.

Exportações catarinenses recuaram durante primeiro ciclo

Os efeitos das restrições tarifárias já haviam sido sentidos durante o primeiro tarifaço, segundo a Federação. Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, as exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos recuaram 38,29%.

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A média mensal de vendas ao mercado americano caiu de US$ 141 milhões para US$ 87 milhões no período.

Após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou as tarifas em fevereiro, houve recuperação gradual das exportações, impulsionada pela aplicação temporária de uma tarifa global menor, de 10%. A nova rodada de sobretaxas, no entanto, ameaça interromper essa retomada.

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Impacto sobre empregos em SC

A Fiesc estima que o primeiro ciclo de tarifas já reduziu a geração de cerca de 7,6 mil empregos formais em Santa Catarina. O cálculo considera a queda da demanda por produtos catarinenses no mercado americano durante o período de vigência das sobretaxas.

Para a segunda rodada, a entidade projeta um impacto potencial ainda maior. Segundo Pablo Bittencourt, caso o novo tarifaço permaneça pelo período estimado de um ano e meio, a perda pode ficar entre 20 mil e 25 mil empregos no Estado.

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— O que a gente verificou foi uma perda de 38,5% nas exportações para os Estados Unidos. Muito próximo daquilo que esperávamos. A nossa expectativa ajustada, a partir dessas estimativas, gira numa perda em torno de 20 até 25 mil empregos no espaço de um ano e meio — afirma o economista-chefe da Fiesc.

Os produtos de SC mais exportados aos EUA

Governo brasileiro prepara reação

O prazo para a decisão da Casa Branca termina nesta quarta-feira (15). O governo brasileiro trabalha com o cenário de confirmação das tarifas e pretende avaliar a abrangência da medida antes de definir os próximos passos.

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Entre as possibilidades estão a continuidade das negociações diplomáticas e a eventual utilização da Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a adotar medidas contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustificadas.

Veja a análise completa do economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt