MP pede corte de salário de R$ 41 mil de Marco Buzzi após afastamento e investigação

Representação, assinada pelo subprocurador-geral do MP-TCU, diz que os relatos são de "extrema gravidade"; ministro catarinense é acusado de supostos crimes sexuais por duas mulheres, mas se diz inocente.

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Ministro Marco Buzzi

Marco Buzzi, atualmente, é o único ministro catarinense no STJ (Foto: Emerson Leal, STJ)

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) protocolou uma representação pedindo que o TCU determine ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a suspensão do pagamento de remuneração ao ministro Marco Buzzi enquanto durar seu afastamento cautelar. Ele é acusado de supostos crimes sexuais por duas mulheres e se diz inocente.

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A representação, assinada pelo subprocurador-geral do MP-TCU, Lucas Rocha Furtado, também pede que o tribunal apure os valores já pagos desde o início da medida cautelar, com possibilidade de eventual restituição aos cofres públicos, caso seja identificada irregularidade.

Segundo o texto, o objetivo é resguardar princípios constitucionais da administração pública, como moralidade, eficiência e economicidade.

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“Os relatos apresentados pelas vítimas, que incluem acusações de apalpamento e constrangimento físico, são de extrema gravidade e incompatíveis com a conduta esperada de um magistrado, especialmente de um Ministro de uma das mais altas Cortes do país”, diz a representação.

O documento foi assinado em 12 de fevereiro de 2026 e encaminhado à presidência do TCU. Segundo o tribunal, o processo ainda não foi aberto.

Salário de R$ 41 mil

Enquanto estiver afastado, Buzzi fica impedido de usar o local de trabalho, veículo oficial e demais prerrogativas inerentes ao exercício da função, segundo a decisão do STJ. No entanto, a remuneração é mantida.

De acordo com a folha de pagamento do ministro, disponível no Portal da Transparência do STJ, o salário de Buzzi é de R$ 41.808,09, além de indenizações e vantagens pessoais. Em janeiro, por exemplo, aponta o ministro teve um recebimento líquido de R$ 50.955,86.

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O afastamento de Buzzi

O afastamento de Buzzi do STJ foi aprovado por unanimidade entre os demais ministros, em sessão na última terça-feira (10), um dia após o depoimento de uma segunda mulher a denunciá-lo. Em nota, o STJ informou que o afastamento é cautelar, temporário e excepcional.

“Neste período, o ministro ficará impedido de utilizar seu local de trabalho, veículo oficial e demais prerrogativas inerentes ao exercício da função”, diz trecho da nota.

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Uma nova sessão foi marcada para 10 de março para decidir sobre as conclusões da Comissão de Sindicância aberta pelo órgão para apurar o caso. Ainda nesta terça-feira, o já ministro havia apresentado um atestado psiquiátrico solicitando licença médica por 90 dias.

Em nota, a defesa do ministro manifestou “respeitosa irresignação” pela suspensão do STJ. “Sustenta-se a desnecessidade da medida, sobretudo diante da inexistência de risco concreto à higidez procedimental da investigação e também porque o ministro já se encontra afastado para tratamento médico”, diz a defesa.

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Primeira denúncia foi de jovem de 18 anos

Marco Buzzi é denunciado por duas mulheres por supostos crimes sexuais. A primeira denúncia veio à tona no dia 4 de fevereiro. Buzzi é acusado de ter supostamente agarrado jovem de 18 anos no mar da praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú.

Os fatos teriam ocorrido no dia 9 de janeiro, na praia em que o magistrado tem residência. Segundo um boletim de ocorrência registrado pela vítima em uma delegacia de São Paulo, onde a jovem reside, ela e a família estariam visitando o ministro a convite dele em SC.

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A família da jovem deixou a casa de praia de Marco Buzzi no mesmo dia. Poucos dias depois, em 14 de janeiro, foi à Polícia Civil de São Paulo acompanhada de familiares e advogados para registrar a ocorrência. O caso foi notificado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e os autos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que Buzzi tem direito a foro privilegiado.

Segunda denúncia foi de ex-secretária

Nesta semana, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu a segunda denúncia, de uma ex-secretária que relata ter sofrido assédio sexual no gabinete do ministro. Ela prestou depoimento na segunda-feira (9) e afirmou que as investidas ocorriam de forma periódica enquanto ela trabalhava em seu gabinete, em 2023, de acordo com informações do jornal O Globo.

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A ex-secretária relatou episódios de choro após os supostos assédio. Ela disse que testemunhas teriam visto quando ela deixava o gabinete chorando ou pedindo ajuda. Funcionária terceirizada à época, ela disse que chegou a cogitar pedir demissão diversas vezes, mas dependia do salário.

No mesmo dia do depoimento, Buzzi enviou uma carta aos ministros do STJ afirmando ser inocente (veja a carta completa abaixo).

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O que diz a defesa do ministro

“A defesa do ministro Marco Buzzi manifesta respeitosa irresignação com o afastamento cautelar determinado em sede de sindicância administrativa.

Sustenta-se a desnecessidade da medida, sobretudo diante da inexistência de risco concreto à higidez procedimental da investigação e também porque o ministro já se encontra afastado para tratamento médico.

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Forma-se um arriscado precedente de afastamento de magistrado antes do crivo do pleno contraditório.

Aponta, por fim, que já estão sendo colhidas as contraprovas que permitirão, ao fim, a análise serena e racional dos fatos.”

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O que diz Marco Buzzi

“Caros colegas,

Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado. De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.

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Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.

Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.

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Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura. Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.

Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.

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De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.”