O que está em jogo no julgamento do pedido de cassação do senador Jorge Seif no TRE

Senador bolsonarista é alvo de pedido de cassação por abuso de poder econômico em caso que será julgado nesta quinta-feira (26)

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Jorge Seif, senador de SC, é alvo de ação que será julgada nesta quinta-feira

Jorge Seif, senador de SC, é alvo de ação que será julgada nesta quinta-feira (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

O processo que pede a cassação do senador catarinense Jorge Seif (PL) será levado à votação nesta quinta-feira (26), em sessão com início às 17h, no Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), em Florianópolis.

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O processo foi movido pela coligação Bora Trabalhar, adversária de Jorge Seif na corrida pelo Senado nas eleições de 2022, que unia os partidos PSD, União Brasil e Patriota. As siglas denunciam a chapa liderada pelo senador eleito por suposta prática de abuso de poder econômico na disputa eleitoral do ano passado.

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Além de Seif, também respondem ao processo os suplentes de Seif na chapa, Hermes Artur Klann e Adrian Rogers Censi, um empresário calçadista, Almir Manoel Atanazio dos Santos, e o bilionário Luciano Hang, das Lojas Havan. Hang já foi considerado inelegível ao ser condenado em caso parecido, em maio, na mesma ação em que o então prefeito e o vice de Brusque perderam seus mandatos.

Em resumo, a denúncia alega que o então candidato Jorge Seif teria sido beneficiado por três situações: a cessão de um helicóptero por parte de um empresário da construção civil, o suposto uso da estrutura da Havan na campanha do concorrente, com interferência direta de Luciano Hang, e um suposto financiamento de propaganda eleitoral por parte de um sindicato patronal do setor calçadista, durante participação de um evento, a 21ª Semana de Indústria Calçadista Catarinense, em São João Batista, na Grande Florianópolis.

A declaração do helicóptero de um empresário à Justiça Eleitoral, segundo a coligação que moveu a ação, teria ocorrido para dar “ares de legalidade” a deslocamentos feitos com um helicóptero não declarado de Hang durante a campanha.

No mês passado, a Procuradoria Regional Eleitoral de Santa Catarina considerou improcedente a denúncia da coligação derrotada, defendendo a manutenção de Seif no cargo. A defesa do atual senador chegou a pedir a condenação dos autores da ação por litigância de má-fé, mas a tese não foi defendida na manifestação da Procuradoria.

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Agora, o processo segue para julgamento no TRE-SC, agendado para esta quinta-feira. Sete integrantes terão direito a voto, incluindo o presidente do tribunal, Alexandre d’Ivanenko, e a relatora do caso, Maria do Rocio Luz Santa Ritta. O processo é o primeiro da pauta.

Após a leitura do relatório, a reunião terá espaço para a manifestação dos advogados dos réus. Em seguida, começam a leitura dos votos dos desembargadores, a começar pela relatora da ação. Caso haja um pedido de vista durante a sessão, o julgamento será adiado.

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O que está em jogo no julgamento de Jorge Seif

A decisão do TRE-SC no julgamento desta quinta pode manter a vaga de Seif como senador, em mandato que vai até 2030, ou modificar o tabuleiro catarinense em Brasília. Caso o pedido seja arquivado, o senador eleito permanece no cargo, embora ainda possa responder a eventual recurso da coligação derrotada a instâncias superiores, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em caso de condenação, o futuro do caso deve depender da decisão aprovada pelos desembargadores. Segundo a assessoria do TRE-SC, o julgamento pode definir pela cassação e saída imediata de Seif do cargo. Nesse cenário, o senador precisaria deixar a função e seriam convocadas novas eleições.

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No entanto, mesmo que perca a ação nesta quinta-feira, Seif ainda pode apresentar recurso ao TSE para tentar reverter a decisão e, com isso, permanecer no cargo enquanto não ocorre o julgamento do caso em Brasília.

O advogado Pierre Vanderlinde, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB de Santa Catarina, explica que como ainda serão possíveis recursos a instâncias superiores como o TSE, é provável que em caso de condenação a defesa de Jorge Seif apresente recurso com pedido de efeito suspensivo da decisão. Se ele for concedido pelo TRE-SC na análise do recurso, a perda do cargo ficaria sem eficácia imediata até o julgamento definitivo do caso em Brasília. Caso o TRE-SC negue o efeito suspensivo, a defesa ainda pode pedir essa suspensão diretamente ao TSE.

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— Essa medida suspende a eficácia da decisão até que a corte superior analise o caso. Então, provavelmente, de início o julgamento teria esse desfecho, em caso de condenação — explica.

O advogado explica que a realização de novas eleições é a medida prevista pela legislação eleitoral em caso de cassação de chapa para o Senado. Como se trata de um cargo majoritário, a regra é a mesma de cargos do Executivo, como o de governador.

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Segundo o colunista da NSC, Ânderson Silva, no entanto, os advogados do PSD pretendem defender a tese de anulação dos votos de Seif para que o segundo colocado na disputa de 2018, Raimundo Colombo, do PSD, assumisse a vaga.

— Particularmente, entendo que com base na legislação não há chance para o segundo colocado assumir o cargo, tem que fazer uma nova eleição para essa vaga — avalia o advogado Pierre Vanderlinde.

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Em 2019, quando a senadora Selma Arruda (MT) foi cassada, o cargo ficou vago e foram convocadas novas eleições, realizadas em novembro de 2020. Entre a cassação e a nova eleição, no entanto, o terceiro colocado na eleição de 2018, Carlos Fávero (atual ministro da Agricultura do governo Lula), ocupou o cargo de senador interinamente por oito meses por determinação do STF, até a nova disputa nas urnas. A eleição suplementar, que ocorreu apenas em novembro, por conta da pandemia de Covid, foi vencida justamente por Fávero,  que com isso pôde permanecer no cargo.

O que dizem as defesas de Seif e dos outros acusados

A defesa do senador Jorge Seif Junior e dos dois suplentes afirmou à Justiça Eleitoral que não há prova que possa configurar abuso de poder econômico na campanha. Os três também solicitaram que a coligação que moveu o processo seja condenada por litigância de má-fé — a Procuradoria não defendeu esse pedido. Em contato com o NSC Total, a assessoria de Seif informou que o senador não vai se manifestar sobre o caso.

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O empresário Almir Manoel Atanázio dos Santos também alegou à Justiça Eleitoral não haver provas ou indícios que tornariam necessário ele responder ao processo. No mês passado, à reportagem, a defesa dele reiterou, em posicionamento por escrito, não ter ocorrido financiamento eleitoral ilegal por meio da feira promovida pelo sindicato patronal chefiado pelo empresário, e que o encontro também costuma receber outros políticos. A defesa não retornou aos contatos feitos nesta quarta-feira.

Luciano Hang também solicitou à Justiça Eleitoral o indeferimento sumário da ação, alegando que não houve abuso de poder econômico nem doação irregular de recursos à campanha de Seif. O NSC Total fez contato com a assessoria de imprensa dele, mas não obteve retorno do empresário até a publicação.

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