Processo contra vereador que beijou colega à força pode ser arquivado na Câmara de Florianópolis

Continuidade da denúncia feita por Carla Ayres (PT) contra Marcos Leandro da Silva (PSC) será avaliada na próxima semana pelo Conselho de Ética

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Carla Ayres assédio

Momento de assédio foi registrado pelas câmeras do plenário da Câmara Municipal de Florianópolis (Foto: Reprodução/rede sociais)

O processo contra o vereador que abraçou e beijou uma colega à força pode ser arquivado na Câmara Municipal de Florianópolis na próxima segunda-feira (3). O Conselho de Ética dos parlamentares se reunirá para analisar a continuidade da denúncia feita por Carla Ayres (PT) contra Marcos Leandro da Silva (PSC), junto com a leitura do parecer da relatora do caso.

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O desfecho da situação que ocorreu dentro da Casa e repercutiu no país poderá isentar as ações de Marquinhos, visto que a Procuradoria da Câmara se manifestou pelo arquivamento do processo. Em posicionamento publicado em fevereiro, o procurador relator Antônio Charaim argumenta que o acusado não está mais no exercício da função de vereador e que chegou ao cargo na posição de suplente, a qual voltou a ocupar. Por isso, não haveria mais objeto de denúncia.

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A relatora do processo, vereadora Maryanne Mattos (PL), informou à reportagem do Hora de SC que irá apresentar a sua posição durante a reunião na segunda-feira (3) e não irá antecipar o teor do parecer. Na sequência da leitura do relatório, os demais membros da Comissão votarão se concordam ou não com o prosseguimento da denúncia.

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O processo disciplinar acusa Marquinho de quebra de decoro parlamentar e foi aberto por Carla Ayres depois que o vereador, durante uma discussão de projeto em plenário, agarrou a colega por trás para abraçá-la e beijá-la à força. A cena foi gravada pelas câmeras que transmitem as sessões ao vivo.

O caso ganhou projeção nacional com a publicação do vídeo nas redes sociais. Milhares de pessoas se manifestaram em defesa da vereadora, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ministras do atual governo, políticos de Santa Catarina e de outros estados. Instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SC), o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados repudiaram a situação e se manifestaram em apoio à Carla Ayres.

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Além da denúncia no Conselho de Ética, Marquinhos também responde a um inquérito na Polícia Civil pelos crimes de importunação sexual e violência política de gênero. Ainda possui uma representação na Procuradoria Regional Eleitoral em Santa Catarina, pelo crime de violência política de gênero.

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O que diz Carla Ayres

Em nota, Carla Ayres afirmou que “mesmo não exercendo o mandato, Marquinhos é um sujeito político vivo, participando, inclusive, de atividades oficiais da Câmara Municipal de Florianópolis, a exemplo da sessão solene realizada no dia 23 de março, em que ele entregou uma das honrarias do Legislativo municipal”. Ainda reforçou que o atual suplente pode retornar ao mandato a qualquer momento, e opinou que “o arquivamento do processo abriria um precedente muito ruim na Câmara Municipal”.

“Se o entendimento da Procuradoria prevalecer, qualquer parlamentar que no futuro seja denunciado na Câmara Municipal de Florianópolis, pode simplesmente se afastar do cargo, obrigando o arquivamento do processo, e retornar tempos depois como se nada tivesse acontecido”, disse no posicionamento.

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“Além disso, o arquivamento de um processo que envolve uma situação tão contundente de violência política de gênero pode representar uma sinalização terrível para a sociedade e para as mulheres. Não podemos mais tolerar este tipo de comportamento e a Câmara Municipal de Florianópolis tem o dever de ser um exemplo no combate a todas as formas de violência, sobretudo a violência política de gênero, que é mais um dos fatores que contribuem para inibir a participação das mulheres nesses espaços”.

O que diz Marcos Leandro da Silva

O advogado Alessandro Abreu, representante de Marcos Leandro da Silva, informou por nota que “a intenção do Marquinhos sempre foi deixar toda a situação esclarecida”. Ainda afirmou que “em momento algum teve a intenção de agarrar e beijar a vereadora Carla à força. Ao praticar o gesto, esperava a reciprocidade ocorrida em outras ocasiões, conforme demonstram as imagens e gravações anexadas com a defesa”.

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“O então vereador reconheceu seu erro publicamente. Só não admite ser acusado de praticar o ato com propósito de tirar proveito sexual. Para quem o conhece, sabe que isto é um verdadeiro absurdo! Se o processo vai ser arquivado, não foi por solicitação da defesa. Trata-se de matéria processual trazida pela Procuradoria da Casa Legislativa. Da nossa parte, queremos que o mérito seja julgado e a verdade restabelecida.”

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