Seis perguntas sobre as eleições 2022 a serem respondidas no próximo mês em SC

Renúncias de prefeitos, filiações e trocas de partido para quem deseja concorrer precisam ser definidas até 2 de abril

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Projetos políticos de lideranças como Moisés, Antídio, Gean, Dário, Merisio e Hang podem ter definições no próximo mês (Foto: Arquivo NSC)

Embora ainda faltem pouco mais de sete meses para as eleições de 2022, algumas definições da disputa em SC precisam ocorrer já nos próximos 40 dias. Segundo a legislação eleitoral, quem deseja se candidatar deve cumprir alguns prazos em até seis meses antes da votação. É o caso da filiação ao partido político pelo qual deseja concorrer e da renúncia aos cargos do Executivo, como prefeito, para quem pretende concorrer a outra função pública neste ano.

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Em função disso, apesar de as definições oficiais das candidaturas ocorrerem apenas de 20 de julho a 5 de agosto, nas convenções partidárias, há uma série de perguntas que devem ser respondidas já nas próximas semanas sobre as eleições de Santa Catarina. Confira algumas das definições:

Quais prefeitos vão renunciar para disputar as eleições?

Um dos prazos do calendário eleitoral prevê que prefeitos, governadores e presidente que desejem concorrer a outros cargos nas eleições de outubro renunciem ao mandato até seis meses antes do primeiro turno – ou seja, no caso deste ano, até 2 de abril.

Em SC, ao menos quatro prefeitos podem renunciar para concorrer ao governo de SC. É o caso do prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (União Brasil), de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli (MDB), de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira (Podemos) e de Chapecó, João Rodrigues (PSD). Candidaturas desses nomes a vice ou até mesmo ao Senado também não são descartadas, em caso de coligações.

No caso de Gean, ele já até anunciou a data para deixar a prefeitura da Capital: 30 de março. O prefeito de Jaraguá do Sul também já confirmou à NSC que renunciaria no final de março caso vencesse a disputa interna do MDB pela indicação para concorrer ao governo – o que ocorreu no último dia 16 de fevereiro. Fabrício Oliveira mantém o caminho aberto para uma possível saída para concorrer. Já a renúncia de João Rodrigues é menos provável porque o PSD tem no ex-governador Raimundo Colombo o provável candidato em outubro. Ainda assim, Rodrigues não descarta a possibilidade.

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Para qual partido irá o governador Moisés?

Outra novela que tem se arrastado nos últimos meses e deve ter papel fundamental nas eleições para o governo de SC é qual será o novo partido do governador Carlos Moisés. Eleito em 2018 pelo PSL, à época o mesmo partido de Jair Bolsonaro, Moisés marcou algumas diferenças no discurso em relação ao presidente e deixou o PSL em 2021. O governador já conversou com diversas legendas: MDB, Progressistas, PSDB, Avante.

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Nas últimas semanas, as possibilidades mais fortes que vêm sendo apontadas seriam uma filiação de Moisés ao Podemos ou ao Republicanos. O presidente do Republicanos em SC, deputado Sérgio Motta, diz que o governador gosta do plano ideológico do partido, mas ainda não deu resposta. O dirigente espera definir essa situação já no começo de março.

O presidente do Podemos em SC, Camilo Martins, não retornou aos contatos da reportagem. Internamente, porém, aponta-se que a possibilidade tem agradado o partido, que teria o primeiro governador e com chance de reelegê-lo, e a Moisés. A escolha também colocaria o ex-juiz Sergio Moro no palanque de Moisés este ano. A colunista da NSC, Dagmara Spautz, já revelou que o flerte de Moisés com o podemos poderia até mesmo causar uma divisão interna no partido, com saída do grupo ligado ao ex-deputado Paulinho Bornhausen.

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Dário Berger irá para o PSB?

Além do novo partido do governador Moisés, a escolha do pré-candidato do MDB ao governo de SC foi a outra grande indefinição que se arrastou nos últimos meses na política do Estado. A decisão que parecia que só sairia nas prévias ocorreu dias antes do previsto. Dois dos três nomes que disputavam a indicação do partido, Dário Berger e Valdir Cobalchini, renunciaram à disputa e, com isso, abriram caminho para que o prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli, fosse anunciado como o pré-candidato emedebista em outubro. A situação ainda precisa ser confirmada pela diretoria estadual nas convenções, entre julho e agosto.

Oficialmente fora da disputa no MDB, Dário Berger enfim deve dar sequência à mudança de partido que vinha ensaiando desde o final do ano passado. O caminho quase certo é o PSB. Ele já vinha conversando com lideranças do partido como o ex-governador de SP, Márcio França e o presidente nacional, Carlos Siqueira. O nome de Dário é apontado até mesmo para liderar uma possível aliança de centro-esquerda, já que no plano nacional o PSB e o PT devem estar juntos, em uma possível chapa com Lula e Alckmin. Para alguns dirigentes, isso poderia levar a aliança dos partidos de esquerda mais ao centro e a torna-la mais viável eleitoralmente.

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Até o momento, Dário e PSB ainda desconversam. Embora o senador já tenha tirado fotos em eventos com dirigentes do partido, a assessoria dele informa que Dário está no MDB e ainda articula para viabilizar uma candidatura pelo partido a governador. “No momento, não há decisão sobre mudança de sigla partidária, apesar dos convites que tem recebido”, informou a assessoria.

O presidente do PSB em SC, o ex-deputado federal Cláudio Vignatti, afirma no entanto que a ida de Dário “está mais próxima do que já estava”, mas que o martelo ainda não está batido. O partido pretende usar todo o prazo legal, que vai até 2 de abril, para definir este caso.

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Pré-candidatos ao governo de SC

Para onde vão Gelson Merisio e o PSDB?

O ex-deputado estadual Gelson Merisio vinha sendo dado como nome certo para concorrer ao governo de SC pelo PSDB. Mas após a derrota do governador gaúcho Eduardo Leite, apoiado por Merisio em SC, nas prévias nacionais do partido para João Doria, o nome do ex-presidente da Alesc passou a perder força no partido. Um grupo de trabalho foi montado pelos tucanos para discutir as candidaturas em outubro, sem Merisio na composição.

À reportagem, o novo presidente do PSDB, Rogério Pacheco, que também é prefeito de Concórdia, reafirmou que o partido tem em Gelson Merisio um forte nome para 2022 e que ele não deixará o partido. Também citou outros quadros como Leonel Pavan e Marcos Vieira, que também ofereceram o nome à disputa, mas disse que o partido também conversa com outras legendas para possibilidade de coligações. Nas últimas semanas, o PSDB participou de conversas com União Brasil de Gean Loureiro, ao lado de PSD e Podemos.

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Merisio não respondeu ao contato da reportagem. Caso o ex-deputado queira mudar de partido para encabeçar outro projeto ao governo de SC, ele também precisaria se desfiliar do PSDB e ingressar na nova legenda nos próximos 40 dias, até 2 de abril.

Luciano Hang se filiará a algum partido para concorrer?

Outro suspense da eleição de SC é a possível candidatura ao Senado do empresário Luciano Hang, das lojas Havan. A previsão mais recente é de que ele anunciará o destino do projeto político após o Carnaval. Para concorrer a algum cargo em outubro, ele precisará estar vinculado a alguma legenda até 2 de abril. Ele já foi filiado ao MDB, mas atualmente não tem vinculo partidário.

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Uma possível filiação de Hang ao PL passou a ser especulada após Bolsonaro escolher a legenda para concorrer à presidência. O comando do partido afirma que existe uma possibilidade, mas que nada foi acertado. A colunista da NSC, Dagmara Spautz, no entanto, já publicou que o empresário da Havan preferiria disputar o Senado por um partido sem vínculos com candidatos a governador, o que poderia ocorrer por legendas menores.

O presidente estadual do Republicanos, o deputado estadual Sérgio Motta, informou que a legenda conversa com o empresário, mas que aguarda uma definição por parte dele. Hang teria reunião esta semana com o presidente Jair Bolsonaro antes de tomar a decisão sobre filiação. Além de PL e Republicanos, o Patriota também já foi outro partido especulado como possível casa para Hang disputar o Senado.

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Como ficarão as federações partidárias?

Novidade da legislação eleitoral em 2022, as federações partidárias permitem uma união entre os partidos que deve permanecer por um período de quatro anos. É uma forma de contornar a proibição das coligações nos cargos proporcionais (deputados) e também de “testar” uma possível fusão entre partidos que venha a ser decidida futuramente.

O prazo previsto originalmente pela reforma política era 5 de agosto, o mesmo das candidaturas, mas uma decisão do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), antecipou para 2 de abril, a seis meses da eleição. Em votação no início de fevereiro, o STF atendeu a pedido dos partidos e adiou por dois meses o prazo apenas na eleição deste ano. Com isso, as legendas terão agora até 31 de maio para oficializar as federações.

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Por conta do adiamento do prazo, os partidos podem demorar mais para definirem a situação. Com isso, os reflexos no Estado também devem demorar mais para serem observados.

PT, PSB, PCdoB e PV, por exemplo, são partidos que conversam para formar uma federação. A união que teria na chapa Lula-Alckmin o grande destaque poderia refletir em SC com uma candidatura que unisse o PSB, prestes a filiar Dário Berger, e PT, que defende Décio Lima como candidato a governador. O PSDB e o Cidadania são outros dois partidos que também acertam detalhes no plano nacional para anunciar uma federação.

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Vices, candidatos ao Senado e outros

Muitas das definições, no entanto, devem permanecer após o prazo de abril do calendário eleitoral. É o caso da definição dos candidatos a vice e também dos nomes que vão concorrer ao Senado. Esse arranjo pode até mesmo modificar o quadro da disputa pelo governo de SC, com nomes hoje apontados como pré-candidatos ao governo pleiteando uma vaga de senador ou até mesmo a deputado. Para isso, será fundamental a definição das coligações, que permanecem permitidas na eleição majoritária – para governador e Senado. O prazo para essas definições, de coligações e candidaturas oficiais, é 5 de agosto.

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