A reta final do 2º turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) mobilizou a divulgação de novas propostas e ideias dos candidatos em caso de vitória no domingo, no resultado as Eleições 2026.
No primeiro debate entre ambos e nas entrevistas da reta final, o candidato do PL vem apostando em promessas como a criação de um programa de monitoramento inspirado em um modelo paulista, batizado pela campanha de Smart Brasil, e também na adoção de um “padrão Einstein” para os atendimentos no SUS.
Do lado petista, o presidente e candidato à reeleição Lula vem reforçando o discurso em favor do fim da escala 6×1, aprovado no Congresso. Ele também promete a criação do Ministério da Segurança Pública e desafia o adversário Flávio Bolsonaro a ambos abrirem o sigilo bancário para rebaterem acusações sobre corrupção.
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Confira abaixo algumas das propostas dos candidatos na reta final do 2º turno.
Flávio Bolsonaro e o Smart Brasil
Uma das propostas do candidato Flávio Bolsonaro (PL) é criar o Smart Brasil, um sistema nacional de monitoramento inspirado no Smart Sampa, implantado pela prefeitura de São Paulo. A intenção é integrar câmeras públicas e privadas, com uso de reconhecimento facial e leitura de placas de veículos para auxiliar na identificação de suspeitos e na localização de pessoas procuradas.
O plano de governo prevê 1 milhão de novas câmeras em portos, aeroportos e áreas públicas. A infraestrutura reúne também câmeras e equipamentos privados, como de condomínios e estabelecimentos comerciais parceiros.
A proposta é apontada como possível avanço no monitoramento e prevenção de crimes, mas também levanta discussões sobre proteção de dados, segurança das informações e possíveis erros de identificação.
Nesta semana, o Smart Sampa virou notícia por um vazamento de dados que eteria permitido acesso a 58 mil câmeras instaladas em ruas, durante 11 meses, segundo informações da gestão de Ricardo Nunes (MDB). A prefeitura atribuiu o problema à ação de um agente de segurança que já teria sido afastado do cargo.
Flávio Bolsonaro e o SUS “padrão Einstein”
O candidato do PL afirmou em debates em entrevistas que pretende levar ao SUS um padrão de atendimento inspirado no Hospital Israelita Albert Einstein, instituição particular de São Paulo (SP), com consultas agendadas, exames mais ágeis e uso de tecnologia.
Para viabilizar este modelo, Flávio afirma que convidou o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Conselho do Hospital Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde. O candidato do PL também propôs um prontuário eletrônico único vinculado ao CPF, que integraria informações de atendimentos e exames. Ainda não há detalhes sobre como o plano seria financiado e implementado na rede pública.
Flávio Bolsonaro e o Ministério da Prosperidade
Flávio Bolsonaro também vem prometendo a criação de um Ministério da Prosperidade. A intenção é de que a nova pasta coordene ações voltadas à população, incluindo a manutenção de programas sociais, como o Bolsa Família, e medidas de apoio financeiro.
A intenção inicial seria de que o Ministério da Prosperidade centralize oportunidades de ensino, capacitação profissional, acesso a crédito e apoio ao empreendedorismo e à inovação. A pasta deveria assumir algumas atividades hoje exercidas em áreas como o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e o Ministério do Empreendedorismo, da Micro e Pequena Empresa.
O nome do coach Pablo Marçal, terceiro colocado na corrida pela prefeitura de São Paulo em 2024 e que tem atuado como consultor informal de comunicaçãode Flávio no 2º turno, é um dos que é apontado como possível indicado para assumir o futuro Ministério da Prosperidade.
Flávio Bolsonaro e o perdão de dívidas
Flávio Bolsonaro prometeu no primeiro debate do 2º turno com Lula criar um espaço de mais de R$ 200 bilhões no orçamento federal para ajudar brasileiros a pagar dívidas. Entre as medidas anunciadas estão o congelamento de débitos de pessoas físicas por seis meses e de empresas por um ano, além da compra de dívidas bancárias pelo governo.
A proposta busca aliviar o orçamento de famílias e negócios endividados. Apesar disso, o candidato ainda não deu detalhes de como a =operação funcionaria, quem teria direito ao benefício e qual seria o custo efetivo e a origem dos recursos.
O anúncio ocorreu semanas após o presidente Lula anunciar uma terceira edição do programa Desenrola e também de anunciar o perdão de dívidas de Microempreendedores Individuais, os chamados MEIs.
Flávio Bolsonaro e a retirada de numeração de balas e munições
Um tema que provocou embate entre Flávio Bolsonaro e Lula (PT) no primeiro debate entre os dois no 2º turno foi uma polêmica ligada a armamentos. Lula questionou Flávio sobre sua suposta posição favorável à retirada da identificação numérica das munições utilizadas pelas forças de segurança. A marcação permite rastrear cartuchos e pode ajudar investigações a identificar a origem de munições encontradas em cenas de crimes.
Flávio negou que quisesse retirar essa identificação. O tema faz referência a uma proposta discutida no Senado que buscava eliminar a marcação de munições adquiridas por forças de segurança, A medida era vista como possível risco no combate à criminalidade porque poderia dificultar a rastreabilidade e o combate ao desvio de armas e munições.
A revogação desta identificação teria sido proposta na avaliação de um projeto de lei na Câmara dos Deputados, que propôs flexibilizar regras do Estatuto do Desarmamento, ampliando as possibilidades de posse e porte de armas. A proposta foi apresentada ainda no governo de Jair Bolsonaro, em 2019, mas segue tramitando na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ da Câmara.
Lula e a criação do Ministério da Segurança Pública
Lula vem reafirmando na campanha a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública. A intenção seria ampliar a participação do governo federal no enfrentamento à criminalidade e coordenar ações com estados e municípios.
Nos últimos debates e entrevistas, Lula vem condicionando a criação do ministério à aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, que nesta semana teve a tramitação adiada para depois das eleições no Senado.
A discussão ainda envolve detalhes como a nova pasta dividiria responsabilidades com o Ministério da Justiça e com as forças estaduais, além de quais recursos e instrumentos seriam destinados à atuação federal. Atualmente, a Segurança Pública faz parte do Ministério da Justiça.
Lula e o fim da escala 6×1
Lula defendeu ao longo dos últimos meses o fim da chamada escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso semanal, com a adoção da escala 5×2, com duas folgas semanais e sem redução salarial.
A proposta ganhou espaço na campanha e avançou no Congresso durante o período eleitoral. O fim da 6×1 foi aprovado por ampla maioria na penúltima semana antes do 2º turno e promulgada no último dia 16 pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em cerimônia com a participação de Lula.
No debate da Band, Flávio afirmou ter votado a favor da medida após ouvir trabalhadores, embora anteriormente tivesse se posicionado contra ela. Entre os pontos que estão em discussão após a aprovação da proposta estão a forma de implementação da mudança, os impactos sobre empresas e trabalhadores e as condições para garantir a redução da jornada sem diminuir os salários. Lula também questionou se Flávio Bolsonaro iria querer revogar o fim da 6×1 caso fosse eleito, mas o candidato do PL afirmou que não pretende propor mudanças na lei que aprovou o fim da escala 6×1.
Lula e a abertura do sigilo bancário
Uma das estratégias adotadas por Lula na reta final do 2º turno foi desafiar o adversário Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares, com entrega das informações às autoridades competentes antes da eleição. O desafio foi feito no primeiro debate entre os candidatos do PT e do PL.
Lula apresentou a proposta como forma de permitir que eventuais irregularidades fossem investigadas. O assunto veio à tona após ambos trocarem acusações. O candidato do PL acusa Lula e seu filho, o empresário Lulinha, de terem ligação com fraudes ao INSS, enquanto o petista questiona o destino dos R$ 134 milhões pedidos por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
No debate, Flávio afirmou não ter nada a esconder, mas não aceitou nem recusou expressamente o desafio nos termos propostos. Nesta semana, Lula protocolou um documento à Justiça Eleitoral que permite a quebra de seu sigilo bancário e telefônico caso o adversário faça o mesmo.
Lula e a tarifa zero aos fins de semana
Lula defendeu a adoção de tarifa zero no transporte público aos fins de semana nas cidades brasileiras que contem com serviço de transporte coletivo. A proposta busca permitir deslocamento gratuito para a população no sábado e no domingo e surge na esteira do fim da escala 6×1, que deve permitir mais um dia de folga para 14 milhões de trabalhadores com registro a partir de dezembro deste ano.
A medida exigiria discutir como financiar a gratuidade, já que os sistemas de transporte têm custos operacionais e dependem de fontes de receita para manter a oferta de ônibus e outros modais. Em sabatina nesta semana, Lula afirmou que os recursos viriam das emendas parlamentares, e que o tema exigiria um enfrentamento com os parlamentares.
Entre os pontos que podem voltar ao debate estão a participação do governo federal no custeio, a adesão de estados e municípios e a viabilidade de implementar a medida em cidades com diferentes estruturas de transporte.
Uma PEC tem previsão de ser enviada pelo governo ao Congresso nesta semana para propor a mudança. A proposta ainda depende de aprovação e de definição das regras de implementação. O custo é outro ponto em aberto. Entidades do setor chegaram a estimar em cerca de R$ 20 bilhões ao ano.












