O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu declarações nesta quinta-feira (11) sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), definida por maioria da Primeira Turma do Supremio Tribunal Federal (STF). Ele disse estar surpreso com a decisão e afirmou que Bolsonaro foi “um bom presidente”. As informações são do g1.
— Eu achei que ele foi um bom presidente do Brasil. E é muito surpreendente que isso possa acontecer. Isso é muito parecido com o que tentaram fazer comigo, mas não conseguiram de jeito nenhum. Mas só posso dizer o seguinte: eu o conheci como presidente do Brasil e ele é um bom homem — disse.
O comentário foi feito pelo republicado à imprensa enquanto ele deixava a Casa Branca para embarcar para Nova York, onde irá assistir a um jogo de beisebol. Na fala, Trump ainda comparou o julgamento de Bolsonaro com os processos que ele mesmo enfrentou.
O presidente não deu detalhes se ele tem intenção de aplicar novas sanções ao Brasil devido a condenação. As tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros importados pelo país, anunciadas em julho, foram justificadas pelo que chamou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro.
A justificativa constou em uma carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vitava também questões comerciais e relacionadas às big techs. A abertura de uma investigação comercial também foi determinada pelo presidente na época, com a acusação de que o Brasil de adotava práticas desleais de comércio.
Veja fotos do julgamento de Bolsonaro
Meios militares
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi questionada na terça-feira (9) sobre se o governo dos EUA tomará mais medidas retaliatórias ao governo brasileiro caso o julgamento de Bolsonaro termine com a condenação do ex-presidente.
— O presidente [dos EUA, Donald Trump] não tem medo de usar meios econômicos nem militares para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”, disse Leavitt. “A liberdade de expressão é a questão mais importante dos nossos tempos. Presidente Trump leva isso muito a sério, e por isso tomamos ações contra o Brasil — declarou.
Leavitt afirmou que a liberdade de expressão é “uma prioridade para a Administração” e justificou outras sanções já impostas ao Brasil, como as taxas de 50% aos produtos brasileiros, e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, como forma de “garantir que países ao redor do mundo não estejam punindo seus cidadãos dessa forma”.
Entretanto, Leavitt disse que ainda não há previsão para que sejam impostas novas medidas contra o Brasil.
— Eu não tenho nenhuma ação adicional para antecipar para vocês hoje, mas posso dizer que isso é uma prioridade para a administração — disse.
Em uma nota publicada no mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que condena “o uso de sanções econômicas ou ameaças de uso da força contra a nossa democracia.”
“O governo brasileiro repudia a tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais”, continua o ministério.
A ministra-chefe das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que a fala de Leavitt é “inadmissível.”
“A conspiração da família Bolsonaro contra o Brasil chegou ao cúmulo hoje, com a declaração da porta-voz de Donald Trump de que os EUA podem usar até força militar contra o nosso país. Não bastam as tarifas contra nossas exportações, as sanções ilegais contra ministros do governo, do STF e suas famílias, agora ameaçam invadir o Brasil para livrar Jair Bolsonaro da cadeia. Isso é totalmente inadmissível”, disse a ministra em uma postagem publicada em redes sociais.
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