O ex-candidato a presidente do Paraguai, “Payo” Cubas, conhecido como “Milei paraguaio”, foi expulso de um protesto na capital Assunção, na noite desta quinta-feira (5). O ato ocorreu após o Congresso do país abrir um processo de impeachment contra o atual presidente Santiago Peña e ele apresentar uma carta de renúncia, até agora não reconhecida pelo parlamento.
A crise no país foi desencadeada pela intervenção do Banco Central sobre o banco digital Ueno Bank, que teve
O candidato que se autodenominava o “Milei paraguaio” foi arrastado para fora da manifestação em meio a empurrões e chutes. Alguns manifestantes tentaram conter as hostilidades enquanto retiravam o político do protesto. Imagens do político sendo retirado da manifestação viralizaram em redes sociais como o X (confira abaixo).
Payo Cubas é advogado e foi candidato a presidente do Paraguai nas eleições de 2023, mas terminou em terceiro lugar, com 23% dos votos. Ele foi deputado entre 1993 e 1998 e foi eleito senador em 2018, mas teve o mandato cassado no ano seguinte após acusações sobre suposto uso indevido da influência do cargo.
Nascido nos Estados Unidos, ele também chegou a ser comparado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ficou conhecido pelo discurso antissistema e por críticas a partidos tradicionais do Paraguai. O uso das redes sociais para explorar a insatisfação dos eleitores paraguaios também é outra marca do político.
A crise no Paraguai
O Congresso do Paraguai retoma nesta sexta-feira (6) a análise sobre o processo de impeachment contra o presidente paraguaio Santiago Peña, em razão da crise do Ueno Bank. Peña chegou a ser acionista de uma empresa ligada ao banco digital que foi liquidado esta semana pelo Banco Central por incapacidade financeira de honrar os compromissos. O presidente do Paraguai apresentou carta de renúncia, mas o pedido não foi apreciado até o momento pelo parlamento do país.
Veja vídeo do “Milei paraguaio” sendo expulso de protesto
🇵🇾 Os paraguaios arrastaram para fora do Congresso um político libertário que se autodenominava de “Milei paraguaio.” https://t.co/JF31r6Ziam
— geopol•pt (@GeopolPt) November 6, 2026
Entenda o caso Ueno Bank
O Ueno Bank, maior banco digital do Paraguai, sofreu intervenção do Banco Central do país em 4 de novembro de 2026, após a identificação de dificuldades financeiras para honrar compromissos. A instituição tinha cerca de 3 milhões de clientes e patrimônio líquido de US$ 401 milhões em junho. Com o fechamento das portas, o Fundo Garantidor de Depósitos foi acionado para ressarcir os correntistas em até 75 salários mínimos mensais por depositante, aproximadamente R$ 210 mil. Entre os clientes afetados estão brasileiros que utilizavam o aplicativo para movimentar recursos.
A intervenção também desencadeou uma crise política. O presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, que havia comandado o Ueno antes de assumir o órgão, renunciou ao cargo. Oito executivos ligados à instituição foram presos, enquanto manifestantes cobraram a devolução integral dos valores. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também entrou no centro da controvérsia por ter sido acionista da holding controladora do banco até março de 2025, já durante seu mandato. Parlamentares da oposição chegaram a pedir seu impeachment.
As investigações do Ministério Público apontam possíveis irregularidades na gestão do banco, incluindo o recebimento de recursos públicos e de fundos de pensão do governo. Uma das suspeitas é que a instituição tenha concedido empréstimos a empresas ligadas aos próprios acionistas e ao Grupo Vásquez, controlador do Ueno. O episódio passou a ser comparado ao caso do Banco Master, no Brasil, pela combinação de recursos públicos, suspeitas sobre operações financeiras e relações entre dirigentes de instituições privadas e autoridades governamentais.







