Voto distrital misto: proposta na Câmara pode mudar eleição de deputados e frear puxadores de votos como Nikolas Ferreira

Votação sobre a proposta de voto distrital misto nas futuras eleições segue em negociação entre partidos de esquerda, direita e centro

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Hugo Motta falou sobre a proposta logo depois do primeiro turno das eleições e da vitória histórica do PL, partido de Nikolas Ferreira (Foto: Kayo Magalhães, Câmara dos Deputados; Marina Ramos, Câmara dos Deputados)

Hugo Motta falou sobre a proposta logo depois do primeiro turno das eleições e da vitória histórica do PL, partido de Nikolas Ferreira (Foto: Kayo Magalhães, Câmara dos Deputados; Marina Ramos, Câmara dos Deputados)

Uma proposta que altera a forma que os deputados são escolhidos nas eleições está causando polêmica entre os partidos políticos. O projeto quer instituir o chamado voto distrital misto, que colocaria um freio nos “puxadores de votos”, como Nikolas Ferreira (PL) e Erika Hilton (Psol), que receberam muitos votos e, de forma indireta, ajudaram a eleger candidatos que não tiveram o número suficiente de votos.

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Esses votos “puxados” acabaram contribuindo para o crescimento do PL nas eleições de 2026, o que fez com que partidos do Centrão perdessem espaço na Câmara. Por isso, depois do primeiro turno, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou que iria iniciar o debate sobre a mudança para o sistema distrital misto.

A votação ainda não foi feita e segue em negociação. No entanto, a ideia é que o sistema comece a valer a partir das próximas eleições gerais, com um transição para a integração completa nas eleições de 2034.

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Como funciona o sistema distrital misto e o que mudaria para o eleitor

No sistema distrital de voto, os estados brasileiros são divididos em distritos, onde cada um elege um número específico de deputados. Quem morar nesse distrito poderá votar apenas nos candidatos do distrito em que vivem. Dessa forma, são eleitos os candidatos mais votados no distrito.

Com o sistema misto, metade das vagas do distrito ficaria com os mais votados, enquanto a outra metade iria para uma lista de candidatos definida anteriormente pelos partidos. Dessa forma, se um partido obtém votos para eleger quatro deputados, são eleitos os quatro primeiros nomes da lista, por exemplo.

Atualmente, o Brasil adota o sistema proporcional, onde os deputados são escolhidos a partir do número de votos que eles e os seus partidos recebem. Dessa forma, é feito o chamado quociente eleitoral, onde é definido quantos votos cada partido precisa para ter uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Deputados estaduais mais votados em SC

Como os distritos seriam definidos

O Projeto de Emenda a Constituição (PEC) ainda será apresentado com o relator Domingos Neto (PSD-CE). O deputado afirmou que a definição dos distritos seria feita a partir de critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de uma comissão mista do Congresso que acompanharia a implementação.

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Defensores afirmam que o processo eleitoral se tornaria mais barato, com a campanha do candidato sendo realizada apenas no seu distrito, e não mais em todo o estado. Além disso, quem apoia a proposta afirma que o candidato ficaria mais próximo dos eleitores e dos problemas que os cercam.

Entre os defensores, estão presidentes de partidos como Gilberto Kassab, do PSD, e Ciro Nogueira, do Progressistas. Já parlamentares do Psol, por exemplo, não concordam com a proposta por entenderam que isso prejudicaria o partido, reduzindo a participação de grupos que já são minoria no Congresso, como mulheres e negros.

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Vale lembrar que o sistema só valeria para deputados, sem contar outras categorias como vereadores, senadores, prefeitos e presidente.

PL elegeu 121 deputados, enquanto Centrão perdeu 22 cadeiras

A proposta foi impulsionada pela eleição de 121 deputados do PL nestas eleições, a maior bancada desde a Constituinte, caracterizando 513 cadeiras da Câmara. Por outro lado, o Centrão perdeu 22 cadeiras em comparação com as eleições passadas, o que fez os partidos se movimentarem.

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De acordo com Hugo Motta, a ideia é aprovar as mudanças ainda em 2026, com conversas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) para que a votação seja agilizada.