“A força dele nos contagia sempre”, diz mãe do menino Gui, ativista com epidermólise bolhosa

Nutricionista e influencer, Tayane Gandra Orrico, conta que só soube sobre a existência da Epidermólise Bolhosa quando Guilherme nasceu

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Epidermólise Bolhosa: desafios e superação dos pacientes de doença rara com 70 casos em SC

Menino Gui é uma espécie de símbolo dos pacientes com Epidermólise Bolhosa (Foto: Arquivo pessoal)

Em junho de 2023, um vídeo de Guilherme Gandra Moura viralizou nas redes sociais. Feito pelo pai, Estevão Moura, o vídeo mostra o reencontro de Gui com a mãe, depois de acordar de um coma num hospital do Rio de Janeiro devido a uma pneumonia. “Foram 16 dias sem sair de perto de você, e no dia que mamãe vai dormir em casa você resolve acordar do seu soninho reparador”, escreveu na legenda Tayane Gandra Orrico. O vídeo registra 138 milhões de visualizações no TikTok e mais de 20 milhões no Instagram.

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A reportagem conversou com Tayane sobre o cotidiano da família. A nutricionista e influencer conta que só soube sobre a existência da Epidermólise Bolhosa quando Guilherme nasceu. Até então, como a grande maioria das pessoas, desconhecia a existência da doença. Pelo atrito no útero, o bebê chegou com lesões em muitas partes do corpo. Um machucado na canela era tão profundo que, recorda, permitia que se enxergasse as veias da perninha.

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“Acredito no propósito que vá além da nossa razão. Digo que o Gui nasceu para melhorar a vida de todo mundo” – Tayane Gandra Orrico, mãe do menino Gui, uma espécie de símbolo dos pacientes com Epidermólise Bolhosa.

A partir de então, a família percebeu que era preciso trabalhar para o bem-estar físico e psicológico de Gui:

— É uma realidade muito difícil, pois é uma doença totalmente aparente e lidamos com isso o tempo inteiro. Mas creio ser muito importante fazer com que a criança se sinta o mais normal possível — sugere ela.

Para Tayane, o caminho foi fundamental para que desde os primeiros anos de vida Gui tivesse discernimento do que enfrentaria. Ela considera que o fato de nunca o ter “escondido” ajudou bastante.

— Acho que por isso ele é essa fortaleza. Gui sabe da doença e não tem vergonha. Eu diria que ele é bem resolvido, um menino que sempre foi resiliente, mesmo com as dores consequentes das feridas que surgem no corpo.

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Para quem pensa que é só a família que ajuda Gui, Tayane avisa:

— Gui sempre nos deu muita força. Por mais que chorasse na hora de trocar os curativos, voltava a sorrir em seguida, fazendo graça, e usando o bom-humor. Isso nos contagia sempre.

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Propósito que vai além da razão

Tayane reconhece que se Gui tivesse um comportamento melancólico, com certeza seria mais difícil para o psicológico da família. Ela também é mãe de Anthony, 14 anos, que aos dois anos recebeu diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

— Anthony sempre ajudou muito a cuidar do irmão. Acredito num propósito maior e considero uma honra imensurável ser mãe dessas duas preciosidades — diz a mãe de Anthony e Gui.

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Sobre a visibilidade que Gui e a família estão dando para pacientes e familiares de Epidermólise Bolhosa, Tayane lembra da aprovação na Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro de uma lei que garante pensão especial (no valor de um salário-mínimo) aos responsáveis legais dos pacientes com a enfermidade.

— Estivemos em Brasília, junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e já foi marcada uma audiência pública para que no futuro se possa ter uma legislação que permita garantir o benefício a pacientes de todo o país — diz ela.

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Para Tayane, que lembra do alto custo do tratamento, é importante que as famílias sejam amparadas. Ela recorda que recentemente teve contato com uma paciente de 47 anos, que seria a brasileira mais velha com a doença.

— Acredito no propósito que vá além da nossa razão. Digo que o Gui nasceu para melhorar a vida de todo mundo.

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