Dois médicos devem responder pela morte de mãe e bebê após 4 idas a hospital em SC, diz polícia

Polícia Civil de Indaial indiciou dois médicos que prestaram atendimento a Maria Luiza Bogo Lopes; ela e a filha morreram

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Atendimentos ocorreram no Hospital Beatriz Ramos (Fotos: Reprodução)

Dois médicos foram indiciados pela Polícia Civil no caso da mãe e da bebê que morreram após quatro idas ao Hospital Beatriz Ramos, em Indaial. A decisão do delegado Aderlan Camargo, divulgada nesta quarta-feira (17), tem por base a análise de prontuários, perícias e os relatos de 20 pessoas entre familiares e profissionais de saúde, inclusive os próprios investigados.

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Os médicos indiciados por homicídio culposo, aquele quando não há intenção de matar, foram os responsáveis pelo segundo e o terceiro atendimento da jovem Maria Luiza Bogo Lopes. O médico chegou a ser afastado e depois demitido do Hospital Beatriz Ramos, onde a gestante buscou ajuda. Não há informações, até o momento, sobre a situação da médica junto à unidade de saúde.

O processo será enviado ao Ministério Público, que decide se apresenta denúncia ao Judiciário.

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O inquérito, aberto logo após as mortes, no início de abril. A investigação apontou que houve negligência durante os atendimentos à gestante. Moradora de Indaial, ela foi ao hospital por três dias seguidos. Recebeu medicação e foi liberada, apesar do diagnóstico recente de diabetes. Até que Maria decidiu ir ao posto de saúde. Ao chegar lá, a equipe a colocou em um carro e levou novamente para o Beatriz Ramos.

Assim que deu entrada na unidade, pela quarta vez, decidiu-se pela transferência da gestante ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau. Ela passou por uma cirurgia de cesariana de emergência, porém nem mãe nem bebê sobreviveram. A mãe de Maria procurou a delegacia e registrou um boletim de ocorrência, que levou, agora, ao indiciamento de dois médicos.

A polícia pediu os prontuários de todos os atendimentos e solicitou uma perícia técnica. Essa análise apontou uma série de falhas nos procedimentos adotados em relação à gestante. O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina também abriu apuração do caso, mas ainda não houve conclusão.

O que diz o hospital?

Em nota, o Hospital Beatriz Ramos informou que sempre colaborou com as autoridades responsáveis pela investigação, “disponibilizando prontuários, documentos, informações e todos os demais elementos solicitados ao longo da apuração”.

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— A instituição registra que a nota divulgada pela Polícia Civil não identifica nominalmente os profissionais mencionados no procedimento e que, até o presente momento, não teve acesso ao inteiro teor do inquérito policial e dos laudos periciais que fundamentaram as conclusões apresentadas — destacou a instituição.

O hospital afirma que solicitará uma cópia dos autos para análise técnica e jurídica detalhada. O objetivo, segundo a instituição, é “avaliar a adoção de eventuais medidas complementares que se mostrarem necessárias, sem prejuízo das providências administrativas já adotadas internamente”.

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— O Hospital Beatriz Ramos reafirma seu compromisso com a qualidade da assistência prestada à população, com a segurança dos pacientes, com a transparência institucional e com o pleno esclarecimento dos fatos, permanecendo à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos adicionais que venham a ser necessários — concluiu.