Alckmin defende reforma tributária e reindustrialização ao assumir ministério

Vice-presidente vai acumular função com chefia do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio

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Lula acompanhou Alckmin em posse do novo ministro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse, nesta quarta-feira (4), que a reforma tributária e a reindustrialização são fundamentais para a retomada do desenvolvimento do país. A fala aconteceu durante a cerimônia em que tomou posse como ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto e contou com a presença do presidente Lula (PT).

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Embora Lula tenha declarado, em novembro, que o ex-governador de São Paulo não disputaria vaga de ministro por ser vice-presidente, Alckmin acumulará as duas funções.

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— A reindustrialização é essencial para que possamos retomar o desenvolvimento sustentável e que essa retomada ocorra sobre o prisma da justiça social — disse o vice-presidente e ministro durante a cerimônia.

Assim como outros ministros, Alckmin usou diversas vezes a palavra “reconstrução” e teceu críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em outro momento, o vice-presidente também defendeu a realização da reforma tributária, que classificou como fundamental, para atingir o desenvolvimento e alcançar uma política industrial contemporânea. Após o evento, Alckmin afirmou que a discussão sobre ela está “bastante madura”.

— Quem estabelece a data é o parlamento, por ser uma PEC [proposta de emenda à Constituição]. Mas eu diria que ela está bastante madura — afirmou o novo ministro. Em seguida, ele foi questionado se a proposta estaria madura para 2023, e novamente respondeu afirmativamente.

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Alckmin citou ainda as duas propostas de reforma tributária em tramitação no Congresso Nacional, argumentando que elas já foram bastante discutidas, não apenas no Legislativo, mas também com a sociedade civil. Disse que o debate “já andou bastante”.

— Agora vamos discutir internamente qual o melhor caminho para poder complementá-lo. O ministro Fernando Haddad já destacou que é prioridade da área econômica. A reforma tributária pode fazer o PIB crescer, dar mais eficiência econômica, ajuda a reduzir o custo Brasil, porque simplifica os impostos. O mundo inteiro tem imposto agregado, mas nós temos uma infinidade de impostos — completou.

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O vice-presidente também afirmou que ainda não discutiu em detalhes uma possível reforma da TJLP, a taxa de financiamento de longo prazo do BNDES. Acrescentou que a agenda de competitividade não é composta por um único item, mas que é importante criar condições para reduzir a taxa de juros.

Depois, em conversa com jornalistas, Alckmin disse que haverá um esforço para reduzir o prazo de patentes e marcas, sem entrar em detalhes.

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— Um prazo menor, isso vai atrair muito investimento na área de pesquisa e desenvolvimento — disse.

Alckmin também prometeu que sua pasta vai dar importância para questões relacionadas a desenvolvimento sustentável. Afirmou que o MDIC vai contar com uma Secretaria de Economia Verde, argumentando, entre outros pontos, que o Brasil precisa “estar em sintonia com as necessidades da comunidade internacional”.

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O ministro afirmou que o cuidado com o ambiente será importante internamente, para abrir oportunidades, mas também citou que pode assim evitar resistências na Europa à entrada dos produtos brasileiros, citando que muitas vezes a questão do desmatamento é usada para mascarar o protecionismo, em particular de países europeus.

Com Alckmin na pasta, o PSB acumula três ministérios: Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Justiça e Segurança Pública; e Portos e Aeroportos.

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O nome do ex-governador paulista ganhou força para a pasta diante da dificuldade de Lula em encontrar um titular, ao ouvir a recusa de empresários para o posto. O presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, da Coteminas, e Pedro Wongtschowski, do grupo Ultra, declinaram do convite.

Para aliados de Alckmin e Lula, o poder delegado ao ex-tucano neste momento indicou que ele poderá ter papel-chave e virar um braço direito do presidente, dividindo funções de coordenação e negociação no governo.

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Como integrante da equipe econômica de Lula, Alckmin terá que equilibrar-se entre fazer a articulação com o setor produtivo e substituir o mandatário -o que deve ocorrer com frequência dada a expectativa de que o petista se dedique a estreitar relações com governos estrangeiros em viagens internacionais.

Alckmin também é um dos cotados para a disputa presidencial de 2026, já que Lula declara não pretender concorrer à reeleição.

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É justamente na equipe econômica que também atuarão seus adversários nessa seara: Fernando Haddad (PT), ministro da Fazenda, e Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento.

Propostas de reforma tributária mais avançadas no Congresso:

1) PEC 45 – relatório deputado Aguinaldo Ribeiro

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  • Substitui cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por um Imposto sobre Bens e Serviços e um – Imposto Seletivo sobre cigarros e bebidas alcoólicas
  • Transição de seis anos em duas fases, uma federal e outra com ICMS e ISS
  • Substitui a desoneração da cesta básica pela devolução de imposto para famílias de menor renda

2) PEC 110 – relatório senador Roberto Rocha

  • Criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) com fusão do PIS e Cofins
  • Criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), com fusão do ICMS e ISS
  • Substitui IPI por um imposto seletivo sobre itens prejudiciais à saúde e meio ambiente
  • Criação do Fundo de Desenvolvimento Regional, abastecido com recursos do IBS
  • Restituição de tributos a famílias de baixa renda

3) PL 3887/2020 – proposta do Ministério da Economia de Paulo Guedes

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  • Criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) com fusão do PIS e Cofins
  • Mantida regra atual de desoneração da cesta básica

4) PL 2337/2021 – texto aprovado na Câmara

  • Isenção do IRPF na faixa até R$ 2.500 e Correção de média de 13% nas demais faixas
  • Desconto simplificado máximo de R$ 10.563,60 (hoje, limite é de R$ 16.754,34)
  • Tributação de dividendos, com isenção para o Simples e lucro presumido
  • Corte da alíquota-base do IRPJ de 15% para 8%
  • Corte da CSLL em até 1 ponto percentual
  • Fim dos JCP (Juros sobre Capital Próprio)

Fontes: Câmara dos Deputados e Senado Federal

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*Por Marianna Holanda e Renato Machado

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