Ângela Maria Moro, indiciada pela coautoria no homicídio de Alberto Pereira de Araújo, jovem de 29 anos que teve o corpo encontrado em uma mala na Praia do Santinho, em Florianópolis, fez buscas na internet por “mala” dias após o crime. O corpo foi localizado em 28 de dezembro de 2025 e a investigação concluída na última semana.
A Polícia Civil apontou Matheus Vinicius Silveira Leite, amigo de infância de Alberto, como autor do homicídio. Ângela, por sua vez, foi “peça fundamental” no caso, segundo a investigação. Ela prestou suporte material e financeiro, com a disponibilização de imóveis e custeio de despesas.
Como é a praia onde corpo foi encontrado em mala
A análise do celular dela apontou que, no dia 22 de dezembro, Ângela enviou uma mensagem a Mathias de Souza Mosca determinando que permanecesse na “contenção de All”, como era chamado Alberto. Segundo a investigação, o jovem morreu nesse dia. Mathias era amigo de Alberto e Matheus.
No histórico de navegação do aparelho de Ângela, dentre 18.336 registros, as pesquisas pelo termo “mala” se concentram entre 23 e 30 de dezembro, sem consultas semelhantes antes desse período. As primeiras buscas incluíram páginas de malas de viagem de grandes dimensões.
Nos dias 29 e 30 de dezembro, após a localização dos restos mortais de Alberto e divulgação do caso, Ângela voltou a pesquisar o mesmo termo.
Mulher tirou foto de mala idêntica à encontrada na Praia do Santinho
Na linha do tempo do aparelho foi localizada uma fotografia de uma mala de viagem, feita no dia 24 de dezembro, segundo os metadados. O registro ocorreu no dia seguinte às primeiras pesquisas e quatro dias antes da localização do cadáver. O relatório da Polícia Civil apontou correspondência visual entre a mala fotografada pelo celular de Ângela e a mala encontrada no costão da Praia do Santinho, com o corpo de Alberto.
Ângela foi indiciada pela coautoria no homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima, destruição, subtração ou ocultação de cadáver, além de rufianismo. A polícia também solicitou sua prisão preventiva.
Ao NSC Total, a defesa de Ângela, representada pelos advogados Matheus Menna e Osvaldo Duncke, afirmou que irá se manifestar apenas nos autos do processo.
Grupo usava imóvel nos Ingleses para esquema de prostituição
Matheus, Ângela e Alberto estavam envolvidos em um esquema de rufianismo, crime que consiste em tirar proveito financeiro da prostituição de outra pessoa. Segundo a Polícia Civil, um imóvel nos Ingleses era utilizado para a prática criminosa.
O local era chamado “Império do Prazer”. Para vizinhos e conhecidos, os jovens alegavam trabalhar com vendas na internet, tráfego pago e marketing digital. Mathias de Souza Mosca, que também integrava o esquema, se mudou para Florianópolis com a ideia de trabalhar nas vendas online e só descobriu posteriormente as ações criminosas do grupo.
Veja como funcionava o esquema de rufianismo:
- Matheus Vinícius: exercia o comando e a liderança da organização, gerenciando anúncios, clientes e a divisão do dinheiro.
- Alberto Pereira: atuava como “faz tudo” sob as ordens de Matheus, auxiliando na logística da casa, tarefas cotidianas e acompanhando garotas em “escoltas”.
- Ângela Maria Moro: gerente do residencial, prestava suporte financeiro e operacional ao grupo, disponibilizando imóveis para os encontros sexuais e cedendo contas bancárias para a movimentação dos valores;
- Mathias de Souza: atendimento de clientes e agendamentos, recepção e logística, filtro de propostas dos clientes e operacionalização financeira.
Segundo depoimento de uma mulher que trabalhava no negócio, havia uma repartição financeira pré-definida, com 50% do valor dos programas para a garota, 30% para os gestores e 20% para despesas e manutenção da casa.
Matheus foi indiciado como autor do homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou defesa da vítima, além de rufianismo e destruição, subtração ou ocultação de cadáver. Mathias foi indiciado exclusivamente por rufianismo, visto que não foram encontrados elementos que apontassem sua participação no homicídio e esquartejamento de Alberto.
As defesas de Matheus Vinicius Silveira Leite e Mathias de Souza Mosca não foram localizadas. O espaço segue aberto.
Relação com morte de corretora gaúcha
O mistério sobre o paradeiro de Alberto só começou a ser solucionado a partir de um segundo homicídio com características parecidas. Em março de 2026, a investigação sobre a morte de Luciani Aparecida Estivalet Freitas, corretora gaúcha, mostrou grande semelhança com o modus operandi da morte do jovem paulista.
Quem era Luciani?
A análise pericial e o laudo antropológico comparativo entre os dois casos apontaram uma série de coincidências materiais, logísticas e comportamentais. Ambos foram esquartejados e tiveram a ponta dos dedos removidos, para dificultar a identificação.
Quando Alberto foi encontrado, ele estava envolto em um lençol de marca destinada ao setor hoteleiro, idêntico aos enxovais apreendidos onde Luciani morava. A corretora vivia em uma pousada no Norte da Ilha, que era administrada por Ângela Moro. Matheus, Mathias e Alberto também moravam ali.
Luciani morava a apenas 800 metros em linha reta do ponto rochoso e de difícil acesso no costão da Praia do Santinho onde Alberto foi abandonado.
No caso da morte de Luciani, Ângela Maria Moro, Matheus Vinicius Silveira Leite e Letícia Jardim são réus, acusados pelos crimes de roubo qualificado pelo resultado morte, ocultação de cadáver e corrupção de menor. O trio está preso.











