Furto à casa de tio de Suzane em meio a briga por herança pode levá-la de volta à prisão

Miguel Abdalla Neto foi encontrado morto em casa em janeiro; Polícia Civil de São Paulo abriu inquérito para apurar um suposto furto ocorrido na casa do médico

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Suzane von Richthofen disputa na Justiça herança de R$ 5 milhões deixada por tio

Polícia pretende convocar Suzane para ser interrogada (Foto: Reprodução)

A disputa pela herança deixada por Miguel Abdalla Neto, tio de Suzane von Richthofen encontrado morto em casa em janeiro deste ano, ganhou um novo desdobramento. A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para apurar um suposto furto ocorrido na casa do médico logo após sua morte. No centro das suspeitas está a sobrinha, Suzane. As informações são do O Globo.

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Nesta terça-feira (10), às 10h30min, a prima Silvia Magnani deve prestar depoimento na 27ª Delegacia de Polícia do Campo Belo. Segundo informou, ela apresentará aos investigadores uma lista detalhada dos bens que afirma terem sido retirados do imóvel sem autorização. (veja abaixo)

Com base nesse depoimento, a polícia pretende convocar Suzane para ser interrogada. Os investigadores querem que ela explique por que entrou na residência do tio, retirou objetos do local e chegou a chumbar o portão, sem autorização judicial. Caso seja indiciada por furto, Suzane poderá perder o benefício do regime aberto e voltar à prisão. Ela cumpre pena de 39 anos pela morte dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, crime ocorrido em 2002, e um dos requisitos para permanecer no regime é não cometer novos delitos.

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Carro de R$ 200 mil e coleção de bonecas raras estão entre os bens levados

Miguel Abdalla Neto foi encontrado morto dentro da casa onde vivia, na capital paulista, em 9 de janeiro. Após a morte, tanto Silvia quanto Suzane procuraram um vizinho que estava de posse da chave do imóvel, mas ele se recusou a entregá-la a qualquer uma delas. De acordo com relatos registrados na investigação, no dia seguinte, um homem encapuzado pulou o muro da residência e retirou documentos do interior da casa.

Silvia afirma que irá entregar à polícia uma relação minuciosa dos objetos que teriam sido furtados. A lista inclui um conjunto de mesa e buffet em cerejeira com tampo de vidro e cadeiras, máquina de lavar, máquina de secar roupas e máquina de fazer macarrão. Consta ainda um quadro de bicicletas em óleo sobre tela, um quadro réplica de Mirò com fundo verde-água, conjunto de pratos de cerâmica sextavados, dois castiçais em estanho, uma caneca em estanho, um vaso solitário em estanho, roupas adultas e infantis, coleção de barbies com bonecas raras, coleção de bonecas americanas, mais de cinquenta brinquedos, raquete de tênis, dois capacetes de equitação, coleção de brinquedos importados, além de coleções de CDs e discos de vinil.

Também foi retirado da residência, sem autorização judicial, um veículo Subaru que estava na garagem, avaliado em cerca de R$ 200 mil. Posteriormente, Suzane declarou em depoimento que foi ela quem levou o carro, afirmando que teria agido para proteger bens que, segundo sustenta, lhe pertencerão no futuro.

A reportagem tenta contato com a defesa de Suzane sobre o caso, mas até a publicação da reportagem não obteve retorno. O espaço segue aberto.

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Disputa sucessória avança após nomeação de Suzane como inventariante

Apesar das suspeitas, Suzane obteve uma vitória recente na esfera cível. Ela foi nomeada inventariante do espólio e passou a disputar formalmente a herança do tio, estimada em aproximadamente R$ 5 milhões. A partilha envolve Suzane e Silvia, consideradas as parentes mais próximas de Miguel. O irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, também teria direito aos bens, mas até o momento não manifestou interesse em participar do inventário. O conflito sucessório se instaurou porque Miguel não deixou testamento registrado em cartório.

Além da relação de objetos supostamente furtados, Silvia pretende apresentar à polícia uma reconstrução cronológica dos fatos desde a morte do primo. Segundo seu relato, ela recebeu a notícia do falecimento por uma prima, dirigiu-se ao Instituto Médico-Legal para reconhecer o corpo e providenciou a contratação da funerária, bem como a liberação para o sepultamento em Pirassununga.

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Nos dias seguintes, buscou auxílio policial após o vizinho se recusar a entregar a chave da casa e voltou diversas vezes à delegacia ao perceber sinais de invasões e do esvaziamento do imóvel. De acordo com essa versão, enquanto tentava obter autorização formal para acessar a residência e preservar o patrimônio, novos episódios de retirada de bens teriam ocorrido, até que Suzane informou nos autos que havia entrado no imóvel e levado o carro.

A sequência de acontecimentos resultou no registro de um novo boletim de ocorrência sobre os furtos e, posteriormente, na nomeação judicial de Suzane como inventariante.

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No processo de partilha, Silvia pretende sustentar que Suzane não teria demonstrado capacidade de preservar o patrimônio familiar. Entre os argumentos que planeja apresentar, afirma que, em diferentes momentos, a sepultura de Manfred e Marísia von Richthofen teria ficado com taxas em atraso, chegando a haver publicação de edital para possível leilão. Ela também alega que Suzane nunca visitou o túmulo dos pais nem compareceu ao enterro de Miguel, parente cuja herança agora disputa.