O menino de três anos morto no dia 8 de julho após ser espancado pelo pai, o missionário norte-americano D’Andre Jermaine Grayson, por não dar “bom dia” a ele, será velado nesta quarta-feira (22), às 14h. A cerimônia de despedida acontece duas semanas após a morte da criança, no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
A defesa do pai chegou a pedir para que ele participasse do velório, já que ele está preso, mas D’Andre foi proibido pela Justiça de participar da cerimônia por “riscos de segurança”, conforme informações do g1.
“No caso, o indeferimento não decorre de um juízo definitivo de culpabilidade, mas das circunstâncias objetivamente verificadas, dentre elas a admissão da prática dos fatos pelo investigado perante a autoridade policial e os riscos concretos que sua condução ao sepultamento representa à sua própria integridade física, à segurança dos agentes encarregados da escolta e dos demais participantes da cerimônia fúnebre”, disse o juiz.
Os advogados afirmaram que “respeitam e compreendem os fundamentos utilizados pelo Magistrado”. A mãe da criança, Mayanna Rodgers, que também foi presa por suspeita de omissão e de possível participação nas agressões, recebeu autorização para sair da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba e participar da cerimônia.
O corpo da criança foi reconhecido pelo Departamento Médico Legal (DML), que afirmou que realizou identificação por meio da papiloscopia, método que identifica indivíduos através das impressões digitais, palmares ou plantares.
Veja fotos da família
Velório social
A cerimônia foi organizada pela prefeitura de Viamão, já que a família se enquadra em critérios de vulnerabilidade para o chamado “velório social”.
A família veio dos Estados Unidos há cerca de nove anos. Em Viamão, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirmou que o casal e os filhos passavam por uma situação de vulnerabilidade e contavam com doações e ajuda de pessoas da comunidade religiosa.
Irmãos do menino estão em acolhimento institucional
Os filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar. O homem confessou que deu socos no tórax e no abdômen do filho de 3 anos porque o menino não lhe deu “bom dia”.
Segundo informações do g1, ele também bateu a cabeça do menino contra o chão na casa onde a família morava, em Viamão. Em janeiro deste ano, o menino também teria quebrado o braço, com a justificativa de que a criança teria se machucado no sofá da casa.
Além disso, o filho mais velho do casal, de 9 anos, também foi levado a um centro de saúde com um ferimento no rosto, segundo o prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB).
Ao todo, 11 pessoas já foram ouvidas durante a investigação, que deve ser concluída em agosto.



