Sala-cofre escondida atrás de parede falsa é descoberta pela PF em hangar ligado a Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro

Espaço tinha máquina de contar dinheiro, estantes e malas; defesa de Willer Tomaz afirma que estrutura atende empresas de transporte de valores

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Polícia Federal (PF) encontrou uma sala secreta em um hangar no Aeroporto de Brasília usado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (Foto: Globoplay, Reprodução e Redes sociais, Reprodução)

A Polícia Federal (PF) encontrou uma sala secreta em um hangar no Aeroporto de Brasília usado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No espaço, os agentes localizaram uma máquina de contar dinheiro, prateleiras e malas. Nenhuma quantia em dinheiro vivo foi encontrada.

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A informação foi confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela TV Globo. Segundo a emissora, a polícia suspeita que o local era usado para guardar e organizar dinheiro vivo e que os recursos eram transportados em aviões particulares.

Os policiais chegaram à sala em agosto deste ano, após uma denúncia anônima sobre a existência de um espaço escondido no hangar. O local havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão da própria PF pouco antes. Imagens do local mostram que a entrada da sala, aparentemente blindada, ficava atrás de um painel de madeira que imitava uma parede.

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Em nota, a defesa de Willer Tomaz confirmou a existência da estrutura, chamada de “sala-cofre”, e afirmou que o espaço é destinado ao atendimento de empresas de transporte de valores que são clientes das companhias de aviação do advogado. Segundo os advogados, é “fantasiosa” a suspeita de que o local seria usado para armazenar ou contar dinheiro de origem ilícita (veja a nota completa abaixo).

Operação investiga suspeita de lavagem de dinheiro

A busca no hangar ocorreu no âmbito de uma das fases da operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT). A suspeita é de que os recursos tenham origem em fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Willer Tomaz foi um dos alvos da operação. Na casa dele, os policiais também encontraram uma máquina de contar dinheiro. Além disso, quatro aviões de empresas ligadas ao advogado foram apreendidos. Na ocasião, Tomaz afirmou que nunca teve envolvimento com os fatos investigados.

PF investiga relação entre Flávio Bolsonaro e advogado

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz também são investigados em outro inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com possível utilização de casas de apostas. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

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A investigação começou na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul. Durante a apuração, a Polícia Federal analisou dados do celular do advogado e encontrou e-mails que indicariam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa ligada a Tomaz.

Segundo informações divulgadas pelo Jornal Nacional, a PF também encontrou mensagens e uma planilha que indicariam que o advogado pagou R$ 12 mil a uma empresa especializada em retirar da internet links de reportagens que o relacionavam ao senador.

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A investigação também apura a movimentação financeira do advogado por meio de plataformas de apostas. De acordo com informações atribuídas à PF e divulgadas pela emissora, os investigadores consideram que as movimentações identificadas são incompatíveis com as atividades econômicas declaradas por Tomaz.

Em 8 de outubro, o caso foi encaminhado ao STF em razão do foro especial do senador. Após analisar os indícios, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à abertura do inquérito.

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A assessoria de Flávio Bolsonaro já declarou que o senador nunca manteve conta tendo como usuário master Willer Tomaz e nenhuma de suas empresas.

Este é o segundo inquérito no STF em que Flávio Bolsonaro figura como investigado. O primeiro foi aberto em julho, sob relatoria do ministro André Mendonça, para apurar o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz são amigos e afirmam não ter negócios em conjunto.

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Veja fotos de Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro

Veja a nota completa de Willer Tomaz

“A sala-cofre e os equipamentos instalados no hangar integram a estrutura operacional destinada ao atendimento de empresas de transporte de valores, clientes das empresas de aviação. O transporte aéreo de numerário está sujeito a rigorosos protocolos de segurança, controle e custódia, conforme a regulamentação aplicável. A existência de ambientes protegidos, malotes e máquinas contadoras de cédulas é compatível com essa atividade e não constitui indício de irregularidade.

É fantasiosa e beira o ridículo a insinuação de que essas instalações seriam utilizadas para armazenar ou contar dinheiro de origem ilícita. Nenhuma quantia foi encontrada no local. Causa perplexidade que a própria Polícia Federal, responsável pela fiscalização do setor de segurança privada, pretenda transformar equipamentos associados a uma atividade lícita em suspeita criminal. Atribuir conotação criminosa a essas instalações, sem qualquer prova, é uma tentativa irresponsável de fabricar suspeitas onde não existem fatos.”