Diante dos possíveis efeitos do El Niño neste semestre, o governo federal mobilizou reuniões com todos os Estados do Brasil, incluindo Santa Catarina, para planejar ações conjuntas de resposta aos eventos extremos. Na coletiva de imprensa sobre o assunto nesta quarta-feira (2), a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, detalhou que a União já garantiu a ampliação do estoque de milho e arroz e fez investimentos pelo Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Entre o montante de R$ 8,8 bilhões destinado ao Sul, R$ 522 milhões foram para obras de prevenção a desastres em Santa Catarina.
“A orientação do presidente Lula é ouvir a ciência para antecipar riscos e preparar as ações do governo federal para agirmos antes dos impactos”, comentou Miriam.
O planejamento
As reuniões regionais “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027” foram finalizadas nesta semana. Na parceria com os estados e municípios, o governo federal diz ter chegado a diferentes ações, como compra de 350 mil cestas básicas, a criação do Centro de Informação em Saúde e Clima, compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz por conta do risco da quebra de safra no Sul, entre outras.
Dinheiro enviado a Santa Catarina
Sem detalhar as obras, a ministra também afirmou que, quase metade da verba de R$ 20 bilhões para combate a enchentes e contenção de encostas foi destinada ao Sul. Dos R$ 8,8 bilhões, R$ 522,6 milhões foram enviados a Santa Catarina.
“Os recursos foram repassados para os municípios e essas obras já estão concluídas, em andamento ou para começar”, comentou Miriam.
Além disso, R$ 4,5 milhões teriam possibilitado obras para abastecimento de água a aldeias indígenas.
Pacote de investimentos
A compra das cestas básicas e do milho e arroz faz parte do pacote de R$ 1,3 bilhão anunciado em julho pelo governo Lula para enfrentar possíveis efeitos do El Niño. A maior parte dos recursos, R$ 998 milhões, foi usada para a compra dos grãos que vão compor um estoque público.
Já as 350 mil cestas serão distribuídas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
O que é o El Niño
O El Niño nada mais é do que o nome dado ao aquecimento das águas superficiais de um trecho do Oceano Pacífico, perto do Peru.
Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média, patamar considerado elevado e pouco comum, explica o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra.
Para se ter uma ideia, desde 1950, dos 25 episódios de El Niño, cinco tiveram registros acima dos 2ºC, mostram dados da Noaa. O que o levantamento também indica é uma diminuição no intervalo de El Niños de forte intensidade.









