A primavera começa oficialmente na noite desta terça-feira (22) e, junto com a nova estação, vem também o período mais crítico para Santa Catarina em 2026 em relação à atuação do El Niño — especialmente outubro e novembro. Isso porque, esta época do ano já é comumente mais chuvosa e, com o fenômeno formado e em fortalecimento, a tendência é de ainda mais precipitação. Em Blumenau e região, por exemplo, os modelos climáticos apontam entre 200 e 300 milímetros a mais de chuva até novembro.
Na prática, é como se fosse chover no bimestre o esperado para três meses. O impacto do volume “extra”, porém, é uma incógnita. Por prevenção, diante da previsão de mais chuva que o normal, a equipe de meteorologia da Defesa Civil de Blumenau, o AlertaBlu, tem acompanhado constantemente as movimentações na atmosfera, comenta a meteorologista Tatiane Martins.
“Estar em um El Niño muito forte não é sinônimo de desastre ou evento extremo. É preciso ficar atento às previsões de fontes oficiais”, reforça.
Tatiane diz isso pois apesar do El Niño favorecer a formação de chuva no Sul do Brasil, é preciso um “combo” de outros fatores para que haja intensidade tão significativa a ponto de resultar em ocorrências. E, com tantas incertezas sobre o tempo por conta da transição do inverno para a primavera e do super El Niño, é preciso monitorar. Os modelos meteorológicos são mais confiáveis em prazos menores, entre quatro e 10 dias antes de uma chuva extrema.
El Niño e Blumenau
Na última atuação do El Niño, em 2023, Blumenau teve o outubro mais chuvoso da história. Foram 453,1 milímetros ao longo dos 31 dias. Até então, o outubro com mais chuva tinha sido em 2008, quando os acumulados ficaram em 359,8 milímetros.
O fenômeno historicamente intensifica as chuvas na primavera em Santa Catarina, especialmente durante outubro e novembro.
El Niño mais quente da história
Todos os fatores convergem para um fortalecimento do El Niño até o fim do ano. Para além dos mais de 2ºC, os cientistas acreditam que o aquecimento deve ser histórico, ultrapassando qualquer outro vivenciado desde 1950, com patamares iguais ou superiores a 2,5ºC.
Isso não significa, como mencionado por Tatiane e outros meteorologistas, os maiores estragos de todos os tempos para Santa Catarina. Um El Niño forte apenas torna os impactos mais prováveis. Ou seja, no caso das cidades catarinenses, onde as chuvas são frequentes na primavera e verão, as precipitações tendem a ficar mais intensas.
As “categorias”
- Fraco: 0,5°C a 1,0°C acima da média
- Moderado: 1,0°C a 1,5°C acima da média
- Forte: 1,5°C a 2,0°C acima da média
- Muito forte: acima de 2,0°C acima da média
La Niña e El Niño
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.
Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul e essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.
O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.
