Em 1983, durante um dos períodos de El Ninõ mais fortes, grande parte da população brasileira desconhecia o que era o fenômeno. Foi durante uma transmissão do Jornal Nacional, em 2 de junho do mesmo ano, que cientistas americanos concluíram que o, até então, “mau tempo” na América do Norte e na América do Sul poderia ter a mesma causa: “Uma contracorrente marítima no Oceano Pacífico chamada El Niño”.
O El Niño registrado entre 1982 e 1983 foi um dos mais intensos até então. Segundo o Jornal Nacional, o fenômeno provocou grandes enchentes no Peru e no Equador e secas severas na Austrália e na Indonésia. Os prejuízos globais foram estimados em mais de US$ 8 bilhões na época.
Na época, pesquisadores explicaram que a onda de “mau tempo” registrada na América do Norte e na América do Sul fazia parte de um mesmo fenômeno, o El Ninõ.
“Essa pequena contracorrente marítima no Oceano Pacífico, chamada El Niño, se move do Oeste para o Leste na altura da Costa Peruana e normalmente não tem grande influência sobre o clima. Mas este ano (1983), os ventos na região foram muito fracos e não afastaram da Costa as águas quentes da corrente El Ninõ, provocando muito evaporação. Hoje as estatísticas já mostram que os Americanos estão vivendo uma primavera em que está chovendo 150% mais que o normal” disse a reportagem na época.
O fenômeno de 1983 colocou o El Niño no radar da mídia. Em Santa Catarina, os cinco dias de temporais em 1983 deixaram um prejuízo de R$ 1 bilhão, 49 mortos e quase 200 mil desabrigados, segundo o GLOBO. No Paraná e no Rio Grande do Sul, as enchentes também causaram estragos, destruindo casas e estradas e obrigando mais de cem mil pessoas a saírem de suas casas.
O fenômeno se repetiu em 1997, com efeito ainda mais forte, e o termo ficou ainda mais popular. Desde 1950, os cinco episódios de El Niños fortes foram em 1972/1973, 1982/1983, 1997/1998, 2015/2016 e em 2023/2024, conforme a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Esses extremos já estão mais frequentes por conta do aquecimento global e, com a temperatura do Oceano Pacífico mais elevada. Entre a metade do século passado e meados do atual, foram mais de 10 anos entre um “super El Niño” e outro. Na história recente, esse tempo caiu para oito anos. E agora, se de fato o próximo aquecimento ficar acima dos 2ºC, a “pausa” será de menos de cinco anos.
Super El Niño de 2026 pode ser o mais intenso
Pesquisadores acompanham agora a formação de um possível “Super El Niño” em 2036, fenômeno que pode superar os estragos causados pelo que até então era o maior El Niño já registrado, que ocorreu em 1982 e 1983.
Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média. Em 1982 e 1983, o mundo foi surpreendido pelo que até então era o maior El Niño já registrado, segundo informações do Fantástico. Na região Nordeste do Brasil, a seca destruiu lavouras.
Em Santa Catarina, centenas de municípios ficaram debaixo d’água, houve dezenas de mortes e grandes prejuízos à infraestrutura.
Agora, o último relatório do Centro de Previsões Climáticas (CPC), um organismo da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), indicou que “há 81% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, durante o período de outubro a dezembro” deste ano.
O evento de 2026 pode estar “entre os eventos El Niño mais importantes do registro histórico” mantido pelos cientistas desde a década de 1950, segundo o g1.
“Os impactos continuarão sendo sentidos em 2027. Aliás, os piores impactos irão ocorrer no próximo ano”, explicou o professor Ángel Adames,do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC).
Super El Niño pode ocorrer no fim do ano em SC
Em 2026, o auge do El Ninõ está previsto para os meses de novembro, dezembro e janeiro, segundo a Defesa Civil. É nesse período que pode ocorrer a formação de um “super El Niño”, ou de um evento classificado como “forte” ou “muito forte”.
As projeções apresentadas pela Defesa Civil em maio deste ano apontavam mais de 30% de chance desse cenário se concretizar em Santa Catarina.










