O que são candidaturas coletivas e como funcionam

Acordos que preveem mandatos compartilhados vêm se tornando mais comum nas últimas eleições, embora não sejam previstos na lei eleitoral

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Candidaturas coletivas reúnem grupos que se comprometem a compartilhar decisões de mandato (Foto: TSE, divulgação)

O modelo de candidaturas coletivas vem se tornando mais comum nos últimos anos no Brasil. Nesse formato, em vez de apenas um deputado, o eleitor pode eleger um grupo que se compromete a atuar de forma conjunta durante todo o mandato. Embora a lei eleitoral não preveja esse tipo de atuação, os integrantes fazem acordos para participarem coletivamente das decisões.

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Como funcionam as candidaturas coletivas?

Nas candidaturas coletivas, um grupo de pessoas se une para concorrer a um cargo público, como deputado federal, estadual, distrital ou vereador, se comprometendo a dividir as decisões caso vençam a eleição. É o chamado mandato coletivo. Em geral, essas candidaturas conjuntas vêm ocorrendo entre pessoas do mesmo grupo partidário ou com ideias semelhantes sobre a sociedade. Também pode ocorrer em favor de uma bandeira eleitoral, como meio ambiente, participação feminina, direito dos animais e outros.

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A candidatura coletiva aparece na urna?

Oficialmente, a lei eleitoral não prevê a possibilidade de candidaturas coletivas. Por isso, apenas o nome e a foto de um integrante do grupo aparece na urna. É também só desse candidato que são verificados os critérios de elegibilidade, como filiação partidária, dados pessoais e prestação de contas. Em caso de vitória, também só esse representante poderá votar e participar das sessões no plenário, por exemplo. É o chamado candidato porta-voz.

No entanto, neste modelo os candidatos fazem um acordo informal de que as discussões e decisões do mandato vão ocorrer em conjunto. Nas campanhas eleitorais, também é comum que a propaganda eleitoral seja feita pelos candidatos juntos, com denominação de coletivos.

Para as eleições de 2022, o TSE aprovou uma resolução que permite aos candidatos incluir na urna eletrônica o nome do coletivo ao qual o político pertence, em caso de candidaturas compartilhadas. O termo, no entanto, deve ficar junto do nome de urna do candidato, que não pode ultrapassar 30 caracteres.

Quem fica com o salário?

Como legalmente apenas um nome assina as decisões de parlamentar, o salário é pago para a casa legislativa para este integrante. No entanto, em casos de grupos que já se elegeram e exercem mandatos coletivos no Brasil, o salário costuma ser dividido posteriormente entre os integrantes. É comum também que os coparlamentares atuem no gabinete, auxiliando os trabalhos e decisões do mandato.

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A lei permite candidaturas coletivas?

Oficialmente, a lei eleitoral não prevê a possibilidade de candidaturas ou mandatos coletivos, por isso os acordos feitos entre os coparlamentares são informais. No entanto, a Justiça Eleitoral não proíbe que os candidatos divulguem a candidatura desta forma, com a participação de mais pessoas que pretendem auxiliar durante o mandato.

Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) tramita no Congresso para regulamentar as candidaturas coletivas. No entanto, o projeto está parado desde 2019.

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Um coparlamentar pode assumir o mandato?

Um ponto importante é que um integrante do coletivo que não seja o porta-voz que teve o nome inscrito no registro da candidatura não pode exercer legalmente o mandato, em caso de renúncia ou vacância do cargo, por exemplo. Nesse caso, valem as regras tradicionais e quem é convocado é o suplente imediato do partido, e não outro integrante do coletivo.

Abrangência de atuação

O advogado Paulo Fretta Moreira, ex-presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SC, diz que os mandatos coletivos podem ser vistos como uma forma mais abrangente de atuação parlamentar, mas lembra que o formato hoje não possui nenhuma regulamentação.

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— O que se fala é que as candidaturas coletivas dão uma oxigenada nas casas legislativas, como o Congresso, as Câmaras e a Alesc, porque levam ideias de números maiores de pessoas, que são colocadas por esse porta-voz — pontua.

Quem já exerce mandatos coletivos no Brasil?

O Brasil já tem casos de candidaturas coletivas que venceram as eleições e exercem o mandato de forma compartilhada. O modelo teve um salto nas últimas eleições para vereador, e passou de 19 candidaturas conjuntas em 2016 para 257 em 2020, segundo levantamento da FGV.

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Em 2020, ao menos 22 candidaturas coletivas foram eleitas para mandatos vereador de vereador no Brasil.

Santa Catarina tem dois casos de mandato compartilhado, ambos eleitos para o cargo de vereador nas eleições de 2020. Um dos casos é em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí. O vereador Moacir Vieira (MDB) se elegeu com 806 votos e assumiu o mandato afirmando que iria dividir as decisões com um grupo de mais de 100 pessoas.

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Em Florianópolis, o grupo denominado de Coletiva Bem Viver se elegeu com 1.660 votos. Nesse caso, uma equipe formada por cinco mulheres compartilha praticamente todas as ações do mandato.

A porta-voz do grupo é a vereadora Cíntia Moura (PSOL). Ela admite que o mandato coletivo traz desafios como encontrar metodologias para alinhar o posicionamento em pautas em que possa haver divergência. No caso do coletivo da Capital, um conselho político e até mesmo a votação entre as cinco representantes são formas usadas para definir o entendimento em situações de visões diferentes. No entanto, ela afirma que a candidatura coletiva permitiu dar lugar a pessoas que não sairiam candidatas e não teriam esse nível de engajamento no curso natural do sistema político.

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A ideia foi inspirada em uma candidatura coletiva do Distrito Federal e reuniu representantes de causas como a defesa da população indígena, negra, LGBT e ações na área de assistência social.

– Para mim, o grande saldo nisso é conseguir colocar pessoas diversas, plurais, em lugar que elas jamais se colocariam a partir da construção de território. E também da possibilidade de ampliar atuação de mandato, que ele não seja só meramente institucional, mas que sirva de pontes, através de assembleias territoriais, para unir a população – afirma Cíntia.

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