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Chapa com Lula e Alckmin em 2022 pode afetar corrida pelo governo de SC; entenda

PT e PSB discutem frente de esquerda, mas prometem candidaturas próprias e podem aumentar disputa dos partidos nos estados

08/12/2021 - 17h43 - Atualizada em: 08/12/2021 - 18h15

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Por Jean Laurindo
Chapa com Lula e Alckmin vem sendo especulada entre lideranças do PT e PSB
Chapa com Lula e Alckmin vem sendo especulada entre lideranças do PT e PSB
(Foto: )

A possível aliança entre o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) para as eleições de 2022 pode interferir diretamente na definição nos estados. Uma dessas influências pode ocorrer em Santa Catarina, onde a filiação do senador Dario Berger ao PSB aparece como um fato novo que pode movimentar a relação entre os partidos.

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Nas últimas semanas, o PSB, partido ao qual Alckmin estuda se filiar para ser vice na chapa de Lula, sinalizou que deseja ter o apoio do PT em pelo menos quatro estados. O mais disputado seria São Paulo, onde tanto o PSB, com o ex-governador Márcio França, quanto o PT, com o ex-prefeito e ministro Fernando Haddad, avaliam ter candidatos viáveis para a disputa.

Mas um possível acordo pode ter reflexo também em outros estados, como Santa Catarina. Por aqui, PT e PSB estiveram distantes nos últimos anos. Isso porque o partido era comandado desde 2013 pelo ex-deputado Paulinho Bornhausen, identificado com o liberalismo e de família com rivalidade histórica com os petistas.

Em 2020, no entanto, o PSB de Santa Catarina “voltou às origens”. Assistiu à saída do grupo de Paulinho Bornhausen, que rumou para o Podemos, e filiou o ex-deputado federal Cláudio Vignatti, petista que chegou a presidir a antiga legenda em SC. Desde então, PT e PSB passaram a repetir em SC uma proximidade que já era conhecida no cenário nacional. Os partidos estudam até mesmo uma federação – aliança de 4 anos criada este ano pela legislação eleitoral.

O PSB participa das reuniões feitas nos últimos meses com o PT e outros partidos de esquerda que miram uma frente ampla para concorrer ao governo de SC em 2022. O grupo tem também legendas como PDT, PSOL e PCdoB.

Uma chapa com Lula e Alckmin poderia aumentar a disputa entre esse grupo. O presidente do PT em SC, o ex-deputado Décio Lima, desconversa e diz que a possível união de PT e PSB não traria objetivamente nada de concreto para o cenário em Santa Catarina. Ele defende que as candidaturas de Lula e de Ciro Gomes (PDT) podem colocar esse grupo no segundo turno. E, embora outros nomes sejam apontados, como Fernando Coruja (PDT) e Jorge Boeira, que poderia se filiar ao PSB, Décio defende que o nome dele seria a escolha natural desse bloco para 2022.

– É impossível de reverter essa situação. Só se reverte se o coletivo achar que tem um nome melhor que possa disputar. Tem que ser um nome muito bem posicionado, e o resultado de 2018 me coloca nessa posição – defende.

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PSB apoia aliança, mas quer ter candidato em SC

O presidente do PSB em SC diz “enxergar com bons olhos” uma frente democrática que possa “garantir uma vitória em primeiro turno”, em referência à candidatura de Lula. No entanto, sobre o possível impacto de uma aliança com Lula e Alckmin em SC, Vignatti dá como certo que o PSB terá candidato a governador.

– Tem conversa com o senador Dario (Berger), tem conversa com o (Jorge) Boeira, que é uma figura extraordinária. Estamos abrindo a porta para todo mundo que queira somar no processo político e no engrandecimento da sigla – afirma.

Questionado sobre quem abriria mão de uma candidatura para apoiar o outro na disputa pelo governo de SC numa aliança de PT e PSB, Vignatti disse considerar cedo para a definição.

– É um amadurecimento, quem tem mais força, quem pode aglutinar mais, qual é a possibilidade. E também tem a tratativa nacional. Se a gente apoiar um candidato como o Lula, por exemplo, vamos discutir os estados. As lideranças que estão vindo para o PSB são lideranças fortes – afirma, em referência a nomes como Flávio Dino, Marcelo Freixo e Tábata Amaral, recém-filiados ao PSB.

O fator Dário Berger: senador deve ir para o PSB

Um novo componente nessa relação entre PT e PSB em Santa Catarina pode ser a filiação do senador Dário Berger. A chegada do ex-prefeito da Capital aos socialistas já com o desejo claro de concorrer ao governo de SC poderia esquentar uma disputa pela vaga entre PT e PSB.

Hoje no MDB, Dário tenta a indicação do partido para concorrer a governador em 2022, mas encontra uma forte divisão, em especial com o prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli, que também almeja a vaga.

Com o espaço reduzido, Dário Berger se aproxima do PSB. Ele já havia recebido convite público do presidente do partido em São Paulo, Márcio França. Nesta quarta-feira (8), o vice-presidente do PSB em SC, Juliano Campos, publicou no Instagram uma foto ao lado de Dário Berger, que segurava um bolo com seu nome e os dizeres “seja bem-vindo”.

A foto foi tirada durante um jantar com o senador, que estava de aniversário nesta terça. A legenda da foto não fazia muito mistério: “Uma foto vale mais que mil palavras”.

O vice-presidente do PSB em SC e um dos articuladores da possível filiação de Dário Berger, Juliano Campos, disse que o senador deu o prazo de até 20 de dezembro para que o MDB defina a situação dele no partido. Depois disso, ele é esperado entre os socialistas.

Campos mostra entusiasmo com a chegada de Dário e diz que ele poderia até mesmo ser candidato a vice-presidente na chapa com Lula, em vez de Geraldo Alckmin. A possibilidade de o senador catarinense ser vice de Lula já havia sido mencionada por Márcio França, em um aceno a Berger no primeiro convite à filiação. Na ocasião, França destacou o histórico dele como prefeito de Capital e senador por oito anos. 

— Se for o Geraldo o candidato a vice, ele com certeza será nosso candidato a governador — garantiu.

A cúpula do PT de SC, no entanto, ainda se mostra cética com a possibilidade de Dário ocupar o lugar de vice na chapa presidencial.

Questionado se o PT cederia o lugar de candidato em uma aliança estadual com o PSB, Campos disse que os partidos devem priorizar "quem tiver melhor condição de viabilidade".

— Acho que primeiro o PT tem que compor com vários outros partidos, inclusive em São Paulo, com Márcio França, para que viabilize a possibilidade do ex-presidente Lula ganhar a eleição. Se um puxar para um lado e outro para outro, pode ganhar até a quarta via — opinou.

A reportagem tentou contato com o senador para questionar sobre o seu futuro político, mas não obteve retorno até a publicação.

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