Após encontro de ossada, família de Leandro Bossi questiona: “Quem matou?”

Corpo da criança, que estava desaparecida desde 1992, foi identificado pela polícia do Paraná esta semana

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Caso ocorreu em fevereiro de 1992 (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

A falta de detalhes a respeito da identificação da ossada de Leandro Bossi intrigou familiares do menino. Desparecido desde 1992 em Guaratuba, no Litoral do Paraná, a Secretaria de Segurança Pública informou nesta sexta-feira (10) que identificou o material genético da criança em uma ossada. As informações são do g1.

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Segundo Lucas Bossi, irmão da vítima, a família não sabe onde a ossada analisada foi encontrada. Conforme o governo estadual, ela teve resultado positivo após ser comparada com o material genético da mãe de Leandro. 

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O irmão dele disse, ainda, que a informação na qual teve acesso é de que o exame de DNA foi feito em uma ossada em 1993, um ano depois do desaparecimento. Na época, a resposta foi de que ela era do corpo de uma menina. 

Porém, nesta sexta-feira (10), o secretário de Segurança Pública, Wagner Mesquita, afirmou que a confirmação da identidade ocorreu a partir do envio de oito amostras da ossada. Porém, ele não detalhou a origem e a data da análise. 

Ainda de acordo com o governo, as amostras estavam armazenadas na sede da Polícia Científica e foram enviadas para um laboratório de genética da Polícia Federal, em Brasília. 

Lucas, porém, alega que a explicação do governo é confusa e indaga se a ossada analisada é a mesma encontrada pouco tempo depois do desaparecimento do irmão. 

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— Fiquei muito confuso por eles não saberem apontar se a ossada que bateu com o DNA era aquela ossada encontrada lá [1993]. E eu acho que eles nos deviam essa comprovação […] Foi feito o exame de DNA na época, na ossada, e foi dado uma certa certeza de que era menina. Existem essas questões de certeza no exame de DNA. A minha pergunta é o que me impediria agora de desacreditar este exame de DNA? — disse em entrevista ao g1. 

Ele diz, ainda, que o anúncio trouxe mais dúvidas que respostas à família: 

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— Na coletiva foi dito que o caso está arquivado na Promotoria de Guaratuba. Nem isso eu sabia […] Não sei até que ponto vai a investigação do que então a gente pode dizer ‘assassinato do meu irmão’ […] Ele saiu do cartaz de crianças desaparecidas, mas agora ele é atualizado como uma criança assassinada. 

Por fim, o irmão de Leandro alega que não teve informações sobre as circunstâncias da morte como, por exemplo, quem foi o autor do assassinato. 

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— O sentimento é de privação da verdade. E parece que agora é pior ainda, porque agora vamos ser condicionados a acreditar que ele está morto. Mas agora alguém vai nos auxiliar pra tentar descobrir o que aconteceu? […] Agora se eles afirmam que Leandro Bossi está morto, a minha pergunta vai perdurar, custe o que custar, é quem matou — complementa. 

Governo alega 99,9% de compatibilidade 

Durante a coletiva de imprensa a respeito da identificação, nesta sexta-feira, o coordenador do Laboratório de Genética Molecular Forense da Polícia Científica, Marcelo Malaghini, alegou que o material compatível com o DNA da mãe de Leandro passou por uma análise inicial, mas por não obter um resultado positivo, foi enviado para uma nova metodologia de pesquisa. 

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No entanto, ele não explicou quando aconteceu as duas análises. 

— A metodologia que submetemos não obteve DNA viável, perfil genético viável, das amostras que foram pesquisadas. A seguir elas foram encaminhadas para a análise de DNA mitocondrial, uma técnica muito mais sensível, que permite a detecção mesmo em amostras muito limitantes e degradadas, como se trata do caso em questão — explica. 

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Já o secretário de Segurança Pública alegou que as ossadas foram comparadas com o material genético de três mães e, em relação a de Leandro, ela obteve 99,9% de compatibilidade. 

Segundo Lucas, o material genético da família foi coletado no ano passado. Ele também lamentou o fato do pai, João Bossi, não estar vivo para acompanhar a situação. 

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— Então há 30 anos meu pai poderia ter enterrado o Leandro? Ter tido outra vida, quem sabe… Todos nós poderíamos ter tido outras vidas. Tudo se dá a partir de alguma outra coisa. Eu acho que foi uma grande privação da verdade […] É bem complicado. Quando meu pai faleceu ano passado, inclusive, no atestado de óbito dele, consta que ele deixou o filho Leandro vivo. Isso já é uma burocracia para a gente agora começar a lidar com isso — desabafa. 

Investigação foi arquivada 

O desaparecimento de Leandro ocorreu em 15 de fevereiro de 1992, quando ele tinha 7 anos, durante um show que acontecia em Guaratuba. No dia, a mãe trabalhava em um hotel da cidade e o pai era pescador. 

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Ao perceber o sumiço, a família informou à polícia, mas não foram achados vestígios e, por conta disso, o inquérito nunca foi concluído. O g1 chegou a questionar a Secretaria de Segurança Pública se ele seria reaberto, mas não teve retorno. 

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) afirmou, en 2022, que o processo sobre o caso foi arquivado “devido à prescrição, pois o fato ocorreu em 1992 – há mais de 20 anos, portanto, prazo máximo prescricional previsto pela lei. Ou seja, mesmo que surgissem novas provas incriminadoras, o caso não pode ser mais reaberto”.

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Leandro desaparecu dois meses antes de Evandro Ramos Caetano. O caso ficou conhecido nos últimos anos após a publicação do podcast “Projeto Humanos: Caso Evandro”, que conta detalhes da investigação. 

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