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Mistérios

Caso Evandro: relembre o crime assustador que virou série do Globoplay

Primeira série brasileira adaptada de um podcast é baseada na temporada de maior sucesso do Projeto Humanos, de Ivan Mizanzuk

13/05/2021 - 15h01 - Atualizada em: 27/05/2021 - 08h27

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Metrópoles
Por Metrópoles
O desaparecimento de um menino em 1992 em uma pequena cidade do Paraná é tema da nova série da Globoplay
O desaparecimento de um menino em 1992 em uma pequena cidade do Paraná é tema da nova série da Globoplay
(Foto: )

Em 1992, o desaparecimento e a morte de um menino de seis anos, Evandro Ramos Caetano, em uma pequena cidade do litoral do Paraná, Guaratuba, chocaram o país. Não só pela brutalidade com que foi assassinado, mas pelos desdobramentos políticos e judiciários do caso, cheio de reviravoltas, algumas delas, inclusive, bem recentes. 

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Apesar de ser um episódio conhecido do grande público, o Caso Evandro, como ficou conhecido, agora estreia como uma série documental no Globoplay. A produção, que vai ao ar nesta quinta (13/5), já está nos Trend Topics do Twitter.

Como nos grandes títulos de true crime, a série traz depoimentos de personagens-chave da história, imagens de arquivo da época e ambientação de cenas emblemáticas do caso, que ficou informalmente conhecido como As bruxas de Guaratuba – por ter sido por muito tempo atribuído a rituais de magia. As gravações, que foram realizadas em Guaratuba, local onde o crime ocorreu, resultaram nos sete episódios que o público vai acompanhar de forma faseada no Globoplay.

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Mergulho nas versões de uma tragédias

Evandro Ramos Caetano desapareceu e foi encontrado morto de forma brutal em abril de 1992. Em julho daquele ano, sete pessoas foram presas e confessaram que usaram o menino em um ritual macabro. Mas o caso estava longe de ser encerrado – assim como a culpa daquelas pessoas estava longe de ser devidamente esclarecida.

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Nascido nos anos 1980, época em que o desaparecimento de crianças assombrava as famílias – muitas vezes, no imaginário popular, ligado a prática de rituais de magia, ao tráfico ou ao roubo de órgãos –, Ivan Mizanzuk conta que a memória do medo que sentia na infância foi um dos fatores que o instigaram a se debruçar sobre essa história. Isso se somou ao interesse pelo formato narrativo de storytelling que queria explorar no Projeto Humanos e a busca por uma história forte fora do eixo Rio-São Paulo, mais próximo de sua realidade, já que é natural de Curitiba.

“Casos criminais têm um mecanismo de tentar descobrir o que aconteceu exatamente (quem matou, o que aconteceu, onde foi, como foi a investigação, quais as provas, como se analisam as provas etc.), e esse mistério me parecia um bom combustível narrativo. Sempre ouvi falar sobre o assombroso caso das “Bruxas de Guaratuba”. Eu vivi parte do pânico que ele causou – tinha oito anos na época e cresci com o medo de ser sequestrado. Tudo o que eu pesquisava sobre a história na internet me deixava confuso: havia pedaços aqui e ali, mas não havia um lugar em que tudo era explicado de maneira coesa, apresentando em profundidade todos os lados e fazendo uma profunda investigação de forma imparcial. A escolha desse caso me pareceu natural, e de certa forma serviu para exorcizar alguns demônios pessoais da minha infância”, relata Ivan.

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Ivan começou a investigar o caso em 2015, mas o material coletado e apurado só foi transformado no podcast em 2018, mesma época em que o projeto da série começou a tomar forma, a partir de uma iniciativa da produtora Mayra Lucas, da Glaz, que conhecia o trabalho. “Eu sou muito fã de podcast e minha sócia, Luiza, também. Ela acompanhava o ‘Projeto Humanos’, e, na época, me mostrou um teaser de dois minutos, anunciando que a próxima temporada seria ‘O Caso Evandro’. Fiquei pensando que aquilo daria um ótimo documentário. Entrei em contato com o Ivan, que me contou muita coisa sobre o caso, e eu tive a certeza de que realmente aquela história tinha conteúdo para um ótimo projeto audiovisual”, conta Mayra.

O podcast seguiu até 2020, com descobertas da existência de fitas, que chegaram até Ivan, e mudaram o desfecho do caso, que ficou conhecido por ter sido o julgamento mais longo da história do país. “Tentei ser o mais respeitoso possível. Infelizmente, quando um crime acontece, ele se torna uma história da sociedade. Falar de crime é lidar com a dor dos outros e abrir feridas. Tudo que produzi até hoje serve para entender local, contexto e sistema. O Caso Evandro é um grande ensinamento sobre como é o nosso sistema criminal”, define Ivan.

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