Gabriel Sara, de Joinville, o jogador que está crescendo no São Paulo

Natural de Joinville, ele foi selecionado pelo Tricolor Paulista no início da adolescência

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Gabriel Sara se destacou nas partidas contra o Atlético Goianiense e contra o Santos (Foto: Diogo Felipe, Folhapress)

Gabriel Sara saiu de Joinville com apenas 13 anos mas, até 2012, quem passava pelo campo do Fluminense do Itaum ou pelo gramado do Condomínio Guanabara podia vê-lo batendo bola, às vezes com outros guris; às vezes com o pai, e se destacando pelo estilo, pela destreza e pela vontade de continuar jogando mesmo depois de horas de treino. 

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Agora, ele é um dos titulares do São Paulo, e vive os desafios de ser um jogador jovem em um time como o Tricolor Paulista. Nos últimos meses, foi alvo de críticas e até de torcida para que não fosse mais escalado, mas lavou a alma em partidas como da última quarta-feira, contra o Atlético Goianiense, no Morumbi.

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— Quando as críticas aconteceram, há alguns meses, eu sofri junto. Mas falei para ele lembrar o porquê ele jogava quando era criança, e resgatar aquele futebol – explica a mãe, Viviane Sara, que ainda vive em Joinville com os outros três filhos e o marido, o ex-jogador do JEC Jorge Luís.

Gabriel Sara ainda não tinha completado dez anos quando começou a chamar a atenção para o que fazia quando estava em campo. O pai, no entanto, já sabia antes mesmo de ele nascer que este seria o seu caminho e, por isso, não foi uma surpresa quando professores de escolas de futebol da região começaram a procurá-lo para oferecer vaga para o garoto. Mas Jorge foi o primeiro professor. 

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— Eu dizia que ia ter filhos, e eles seriam jogadores de futebol. Era meu sonho — conta Jorge Luiz, ex-jogador profissional que chegou a Joinville em 1995 para assumir a ponta-direita do Joinville Esporte Clube.

Gabriel não tem memórias de uma vida sem futebol. O esporte estava presente nas partidas dos times que o pai ainda defendia no início dos anos 2000 e nas brincadeiras “de treinar” que Jorge tinha com os filhos, já em uma preparação para futuro. 

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— Trabalhava eles desde pequenininhos, mas o Gabriel era o que mais gostava. Mesmo depois de horas de treino, quando eu falava: “tá cansado, filho? Vamos parar?”, ele sempre pedia para treinar mais — recorda o pai. 

Aos 11 anos, já estava fazendo testes para os grandes clubes, mas o coração da mãe, Viviane, não permitiu que ele partisse antes que ela tivesse certeza de que era a hora certa. Em 2012, depois de passar por cinco etapas de avaliação para a base do São Paulo, chegou a hora de dizer aceitar o destino do filho. 

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— Pra mim, quando ele passou, veio um aperto no coração. O primeiro ano dele lá foi muito difícil, porque a gente não podia ficar indo sempre pra visitar nem ele tinha folga pra voltar pra casa — conta Viviane.

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Passos largos

Gabriel também não esconde: quando a segunda semana longe de casa chegou ao fim, bateu a saudade e a vontade de chorar. O sonho de jogar futebol, no entanto, falou mais alto. Depois que começaram as vitórias pela base e ele passou a ser apontado como uma das promessas de Cotia, onde está instalado o Centro de Formação de Atletas do São Paulo, mais forte do que a nostalgia estava a expectativa do que ainda estava por vir. 

Conquistou o Campeonato Paulista Sub-15 e o Sub-17, a Supercopa do Brasil Sub-20 e a Taça Belo Horizonte de 2016. No ano passado, a Copa São Paulo de Juniores foi a última antes de subir para o profissional. Em 2020, foi um dos escolhidos pelo técnico Fernando Diniz para subir ao time profissional, como titular no Campeonato Brasileiro, decisão que não agradou a torcida. Nas redes sociais, esse descontentamento foi mostrado sem perdoar nenhuma falha do jovem jogador. 

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— A gente costuma achar que toda crítica é ruim. Mas pelo que eu estava apresentando em campo, as críticas não eram injustas. É claro, tem algumas coisas que as pessoas falam que são irrelevantes. Outras nos ajudam a crescer. E o professor (Diniz), o grupo, todo mundo me apoiou bastante — conta Gabriel. 

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A hora de lavar a alma veio na 10ª rodada do Brasileiro, no início de setembro. Em meio a uma fase ruim do São Paulo, Gabriel foi o destaque da partida ao salvar o time da derrota contra o Santos: ele fez dois gols e garantiu o empate. Dessa vez, seu nome subiu nas redes sociais para a ovação, e ele ganhou um apelido, “Mohamed Sara”, em referência ao atacante do Liverpool. 

Na partida desta semana, veio novamente a chance de mostrar o talento que já chamava a atenção nos campinhos da zona Sul de Joinville: cruzou para Brenner marcar o primeiro gol, fez o segundo de fora da área e deu assistência para o terceiro gol.

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Neste sábado, na partida contra o Palmeiras, ele não estará em campo: cumpre suspensão após o terceiro cartão amarelo, recebido no jogo contra o Atlético Goianiense.