Números desmentem tese de que o coronavírus oculta mortes por outras doenças em SC

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Dados do Conass incluem mortes ocorridas até 15 de agosto (Foto: Patrick Rodrigues)

“Ninguém mais morre de infarto, de pneumonia ou de câncer. Agora é tudo Covid-19”.

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Você já deve ter ouvido ou lido isso durante a pandemia de coronavírus. É como um mantra para quem duvida da gravidade do problema.

Circulam mentiras sobre prefeituras que receberiam R$ 18 mil por morte e gráficos com dados de cartórios do registro civil “provando” que menos pessoas morreram em 2020 na comparação com anos anteriores. Pois bem. 

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Dados reunidos pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) põem abaixo versões negacionistas sobre o tamanho da pandemia no Brasil e no Estado. Entre janeiro e 15 de agosto morreram 1.121 pessoas a mais em Santa Catarina do que seria normal para o período. Equivale a um excesso de 7% nos óbitos.

As informações do painel, que podem ser acessadas aqui, têm como base os dados do registro civil, mas levam em conta o tempo entre a ocorrência do óbito e a formalização no sistema.

Conforme o painel do coronavírus mantido pelo governo catarinense, até 15 de agosto eram 1.849 mortes relacionadas à Covid-19 em Santa Catarina. A diferença de 728 vidas pode ser explicada pela diminuição de outros tipos de fatalidades, como as mortes violentas.

Pelo gráfico, fica evidente a coincidência entre as mortes em excesso e o pico da pandemia no Estado, entre julho e agosto. Como o coronavírus continuou interrompendo vidas até setembro, em algumas semanas o dado atualizado deve mostrar um cenário mais grave.

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Covid-19 no Brasil

Na comparação com outros estados, porém, a situação de Santa Catarina ainda é muito melhor — apenas o Rio Grande do Sul tem um percentual inferior de mortes em excesso (2%). Estados que demoraram para implementar medidas de isolamento social, como Amazonas (74%), Maranhão (58%) e Ceará (53%) tiveram “excesso de mortalidade” muito superior.

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Santa Catarina também está bem atrás de unidades da federação populosas, como São Paulo (15%), Rio de Janeiro (28%) e Bahia (32%). No total do país, foram 118,4 mil mortes acima do esperado até 15 de agosto (22%).