Prefeito de Criciúma dá ultimato a abrigados em casa de apoio: “quem não quiser trabalhar vai embora”

Compartilhe:

Clésio Salvaro na Casa de Passagem em Criciúma (Foto: Reprodução)

Nas proximidades da prefeitura, em Criciúma, funciona a Casa de Passagem. A estrutura, mantida pela área social do município, serve para alojar, temporariamente, pessoas em dificuldades, que encontram no espaço um abrigo para repouso e alimentação.

Continua após a publicidade

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo Whatsapp

O prefeito Clésio Salvaro, em uma visita ao local na manhã desta segunda-feira (10), levantou um alerta. Para ele, há cada vez mais casos de internos que estão ficando mais tempo do que deviam tirando proveito das instalações mantidas com dinheiro público.

Continua após a publicidade

> Jovem de 15 anos morre vítima de Covid em Criciúma

— Agora tem mais ou menos uns 20 ali, tomando cafezinho da manhã, depois tem o almoço, o café da tarde, a janta. Aqui tem nutricionista, assistente social, psicólogo, tradutor. Aqui tem tudo — afirmou. — Dentro de uma hora, o pessoal da prefeitura vai vir aqui aqui pegar esse pessoal pra trabalhar. Nós vamos encaminhar eles para o trabalho — destacou.

> Prédio histórico é destruído por incêndio em Mafra; veja vídeo

“Eles vão trabalhar sim”

E Salvaro foi além. — Que não venha aqui o pessoal dos direitos humanos reclamando que o prefeito faz o pessoal trabalhar, eles vão trabalhar sim, e quem não quiser trabalhar vai embora da Casa de Passagem — anunciou. — Não é trabalho escravo, tem bastante gente trabalhando, levantando cedo para sustentar suas famílias, não para sustentar malandros que estão aqui dentro — emendou o prefeito. — O Salvaro está errado? Aqui eles não ficam, se quiser, leva pra tua casa. Aqui é Casa de Passagem, é pra encaminhar, não é pra ficar hospedando seis meses, um ano, como estão ficando — finalizou. Assista a fala de Clésio Salvaro no vídeo:

Continua após a publicidade
https://www.facebook.com/100003268415618/videos/3878045755647667/

Município é condenado pela Justiça Federal

O município de Criciúma é réu e foi condenado em uma Ação Civil Pública movida em 2017 pela Justiça Federal, por conta da gestão da Casa de Passagem. Na ocasião, foi reclamado que a prefeitura não matinha serviços mínimos, como abrigamento diurno, almoço e serviços de assistente social e psicólogo. Foi denunciado, também, que a casa abria somente das 19h às 7h, permanecendo fechada o resto do dia, e que os servidores que cuidavam da rotina, como cozinheiros e faxineiros, haviam sido removidos para outras atividades pelo município.

> Missa de sétimo dia de Paulo Gustavo será transmitida pela TV

Continua após a publicidade

As denúncias partiram de internos que teriam, na época, recebido a informação de que a oferta das atividades da Casa de Passagem estaria condicionada à prestação de serviços para a prefeitura, seja com a manutenção da própria casa, seja com atividades de limpeza de ruas da cidade. 

A sentença, emitida pela Vara Federal de Criciúma em março e publicada em 12 de abril, aponta que a prefeitura foi condenada a adequar a prestação de serviços, com oferta de atividade integral, nas 24 horas do dia, e presença constante de equipe técnica e de manutenção. Na condenação, consta ainda o pagamento de multa, a título de danos morais, de R$ 200 mil, cuja destinação será posteriormente definida pela Justiça.

Continua após a publicidade

> Vaca transportada no porta-malas de carro surpreende motoristas na BR-101 em SC; veja vídeo

A Procuradoria do Município ainda está analisando o caso em fase de recurso. O prazo para a prefeitura recorrer da decisão se estende até o próximo dia 25.

Continua após a publicidade

Na Casa, dia é de cadastro

Logo após a manifestação do prefeito Clésio Salvaro, a Secretaria de Assistência Social reforçou o trabalho de cadastro dos internos da Casa de Passagem. — Esse trabalho, que já existe, foi ampliado. Temos duas assistentes sociais no local para cadastrar os desempregados e buscamos inserir eles no mercado de trabalho — informou a coordenadora de Proteção Social do município, Carolina Sônego.

> Até dezembro, um renovado acesso sul a Criciúma

Continua após a publicidade

Ela reconhece que a demanda à Casa de Passagem vem aumentando, algo típico do período em que o frio se aproxima. — De uns tempos para cá, a demanda chega para encaminhar à Casa de Passagem, e no que a gente liga, está cheia para dormir, à noite. Durante o dia eles ficam pelas ruas — relatou. 

> Quadrilha levou R$ 125 milhões em assalto a banco em Criciúma, confirma polícia

Continua após a publicidade

A capacidade atual da Casa de Passagem de Criciúma é de 30 pessoas, sendo 21 vagas para homens e nove para mulheres. — Temos um quarto familiar também, às vezes acontece de chegar uma família na Rodoviária e não ter onde se abrigar. Para todos que chegam, recomendamos que fiquem na casa no máximo três meses — concluiu Carolina.