Novas restrições de atividades em Blumenau reacendem debate sobre saúde e economia

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Comércio de rua precisou suspender as atividades por uma semana (Foto: Patrick Rodrigues)

As novas restrições ao funcionamento do comércio, shoppings, bares, restaurantes e academias em Blumenau, que entraram em vigor na terça-feira (21), resgataram um debate que foi muito intenso nos primeiros dias de quarentena em Santa Catarina, ainda em março, mas que acabou esfriando à medida em que o distanciamento social foi sendo flexibilizado: como garantir segurança às pessoas e impedir o colapso na rede de atendimento à saúde sem sacrificar a economia?

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Não se discute que o novo coronavírus encontra terreno fértil para se proliferar em ambientes que possam proporcionar aglomerações. As divergências começam a aparecer nas estratégias adotadas para reduzir a circulação de pessoas. Isolamento horizontal, para todos, ou vertical, apenas para os grupos de risco? Por que algumas atividades são liberadas e outras não? O que define um segmento como potencial facilitador de transmissão do vírus?

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Como era de se esperar, setores de Blumenau atingidos pela determinação reagiram por entenderem que estavam fazendo sua parte. Em nota, Sindilojas e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que representam o varejo, avaliaram que o comércio foi penalizado e não é responsável pelas aglomerações. A Associação Blumenau Gastronômico se manifestou dizendo que recebeu a informação de fechamento de bares e restaurantes “com certa estranheza”, já que os estabelecimentos estavam seguindo as normas de segurança.

Cabe ressaltar que essas entidades e a maioria das empresas não ignora a gravidade da pandemia. Reconhecem que saúde está em primeiro lugar, mas têm a legítima preocupação de manter a economia girando. É uma equação difícil de ser resolvida, que se torna ainda mais complexa quando parte da população confunde flexibilização com rotina normalizada.

O prefeito Mario Hildebrandt passou boa parte do dia de ontem dando explicações sobre as medidas. Pela manhã, em evento online do Blusoft, disse, enquanto apresentava dados da situação da Covid-19 em Blumenau, que as restrições eram necessárias. À tarde, em postagem nas redes sociais, escreveu que a decisão de fechar alguns segmentos “foi, sem dúvidas, a mais difícil que já tive que tomar em minha vida pública”. Na live noturna, voltou a tocar no assunto e recorreu a um vídeo onde o médico Marcos Nemetz, do Hospital Santa Isabel, diz nunca ter visto situação tão grave em 42 anos de carreira.

É no respaldo técnico que Hildebrandt se escora para justificar o aperto de cinto. No domingo (19), ofício assinado por diretores dos hospitais Santa Isabel, Santo Antônio e Santa Catarina e pelo coordenador da Rede dos Hospitais do Vale do Itajaí pediu que medidas mais restritivas fossem adotadas imediatamente para reduzir e conter a disseminação da Covid-19, diante do estrangulamento da rede de saúde.

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Em outro documento, de sábado (18), a Comissão Intergestores Regional do Médio Vale do Itajaí, em conjunto com a Comissão de Governança Regional para Combate e Enfrentamento à Pandemia do Novo Coronavírus no Médio Vale do Itajaí e a Furb, também fez apelo semelhante.

O prefeito diz entender a frustração dos comerciantes. Mas se defendeu das críticas dos que alegaram terem sido pegos de surpresa argumentando que o fechamento sempre foi uma possibilidade cogitada em reuniões com empresários, caso a situação fugisse do controle – embora muitos deles não trabalhassem com essa hipótese. No falso dilema entre preservar a saúde ou a economia, que ignora que as duas coisas caminham juntas, uma frase de Hildebrandt durante a live resume a visão da prefeitura sobre o cenário:

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— Não adianta a gente ter atividade comercial se o funcionário vai adoecer, se o familiar do funcionário vai adoecer e não tiver hospital para atendê-lo.

A maior parte da população terá contato com o novo coronavírus e, sem vacina disponível, mais mortes infelizmente serão inevitáveis. O sucesso na gestão da pandemia será medido pela oportunidade dada aos doentes mais graves de lutarem pela vida em UTIs, algo que muitos brasileiros não tiveram em estados como o Amazonas, por exemplo. Tudo isso reduzindo ao máximo os impactos na economia. Fácil? Quem tinha respostas prontas está quebrando a cara.

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