“Estar presente” ainda é o melhor presente para o Dia da Mulher

Professora e psicóloga da UFSC aborda a importância do tempo como presente na data

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Mulheres abraçadas em um momento de celebração

(Foto: Unsplash)

Sabemos que o respeito é aquilo que as mulheres desejam receber no Dia da Mulher, somado à liberdade e à concessão de serviços de públicos. Mas, ainda como filhas, como mulheres, como filhos, amigos, enfim, ainda por vezes somos tomados pelo desejo – quase instintivo – de presentear uma mulher. Então, o que fazer?

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A psicóloga e professora do Departamento de Psicologia da UFSC, Magda do Canto Zurba, faz um apontamento que para muitas pessoas pode até parecer clichê, mas que na verdade é revolucionário: “estar presente é ainda o melhor presente”:

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— Perceba as necessidades da mulher que você convive e saia um pouco da estereotipia. Muita coisa que se dizia que era do masculino não é mais do mundo masculino. Então, a mulher, ela tem outros interesses. Ela é uma pessoa, não é só “uma mulher”. O mais presente que nós temos é o contato, a relação verdadeira. Se você pode oferecer isso de verdade, o foco é estar junto.

O mesmo pensamento vale para conseguir aplicar na rotina a igualdade entre os gêneros. Por serem mães, trabalhadoras, namoradas, esposas, amigas, ou seja, por executarem qual for o papel que decidirem na sociedade, as mulheres acabam por acumular funções, negligenciando a saúde mental. Afinal, é comum ouvir por aí que somos “guerreiras”, que “conseguimos dar conta de tudo” ou que “só uma mulher faz tão bem-feito assim”.

— A gente vê as mulheres sobrecarregadas e naturaliza. As próprias mulheres naturalizam o sofrimento psíquico como se fosse “do feminino” e não é. E construído. Não está dado na nossa condição biológica ou genética de que a gente sofre — , revela.

Ir contra esses estereótipos de gênero é um passo importante para Magda, neste Dia da Mulher e nas outras, é claro. Conforme a psicóloga, as pessoas que estão em volta das mulheres precisam ter a capacidade de presenteá-las com a não naturalização do sofrimento em que elas se encontram. Divida o trabalho doméstico, cuide mais dos filhos, busque uma atividade que possa fazer por ela, enfim, ofereça o seu tempo como presente para caminhar mais um passo nessa jornada por igualdade entre homens e mulheres.

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O que aconteceu em 8 de março de 1857? Saiba a origem do Dia da Mulher

Mas, afinal, quando começou o Dia da Mulher?

A data foi reconhecida internacionalmente pela Organização dos Direitos Humanos (ONU) em 1975. Porém, a sua história é bem mais antiga. Em 1908, milhares de mulheres marcharam por Nova Yorque, nos Estados Unidos, para exigir redução da jornada de trabalho, melhor remuneração e direito de votar. Esse ato, após um ano, foi reconhecimento pelo Partido Socialista como o Dia Nacional das Mulheres.

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Depois disso, algumas ativistas feministas afirmam que a ideia de celebração internacional começou na Conferência Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhague, em 1910. A proposta foi votada e aprovada, fazendo com que em 1911 o primeiro Dia da Mulher fosse celebrado na

A data foi celebrada pela primeira vez em 1911 na Suíça, Áustria, Dinamarca e Alemanha. Mais de 60 anos depois, a ONU então reconheceu a data oficialmente por todo o mundo. Março foi escolhido, conforme registros históricos, por conta de uma greve na Rússia de 1917 que terminou na concessão de direito ao voto para as mulheres russas.

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Os atos começaram em 23 de fevereiro, pelo calendário juliano, usado na época pela sociedade russa. Hoje, utilizamos o calendário gregoriano, que muda as datas para as épocas do ano. E adivinhem qual é a data correspondente ao dia 23 de fevereiro? De acordo com o atual jeito de registrarmos os dias, é o dia 8 de março.

Por que roxo é uma cor presente nesse dia?

Nos atos do Dia da Mulher e no movimento feminista, o roxo é uma cor muito presente. Na verdade, é a cor que representa a causa. Tudo começou na Inglaterra, em 1870, pelas mulheres que pediam o sufrágio universal, ou seja, o direito ao voto. O movimento sufragista foi liderado por Emmeline Pankhurst (1858-1929), através da organização de sufragistas União Social e Política das Mulheres (Women’s Social and Political Union, em inglês). Para que as mulheres do movimento se reconhecessem, símbolos foram necessários.

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Além disso, os cartazes pelas ruas precisam ser únicos e com destaque. Por isso, a cor roxa, junto do verde e do branco foram escolhidas, para dar essa singularidade necessária ao movimento. A sufragista e integrante da União, Emmeline Pethick-Lawrance foi a responsável pela escolha. Em uma publicação, ela explicou que “o roxo significa o sangue real que corre nas veias de cada sufragista … branco significa pureza na vida privada e pública … verde é a cor da esperança e o emblema da Primavera”.

Por que devemos incentivar meninas e mulheres na tecnologia?

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Livros e filmes – que podem ser presentes – e que ajudam a entender a causa feminista

Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie

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O feminismo é para todo mundo, Bell Hooks

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As sufragistas (2015), de Sarah Gavron

Filme mostra o início da luta do movimento feminista e os métodos incomuns de batalha, com a história das mulheres que enfrentaram seus limites na luta por igualdade e pelo direito de voto.

Frida (2002), de Julie Taymor

Filme narra a história das dores e da arte de um dos nomes de mais impacto no século 20, a mexicana Frida Kahlo. Importante para conhecer mais referências de artistas femininas e para mostrar os desafios que ela enfrentou.