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Data histórica

O que aconteceu em 8 de março de 1857? Saiba a origem do Dia da Mulher

Entenda a origem do Dia da Mulher e ainda confira uma linha do tempo sobre as conquistas femininas além dos desafios ainda a serem superados

08/03/2021 - 04h00 - Atualizada em: 08/03/2021 - 10h05

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Redação
Por Redação Hora
Mesmo com avanços, mulheres seguem com protestos por direitos
Mesmo com avanços, mulheres seguem com protestos por direitos
(Foto: )

O 8 de março de 1857 entrou pra história. Tanto é que passados 164 anos, as mulheres são homenageadas nesta data em muitas partes do mundo. Mas, afinal, o que realmente ocorreu? Acompanhe aqui o que dizem os relatos da época e em que contexto tudo aconteceu.

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As raízes que marcam esta data vão muito além de mais uma data comercial no calendário e que serve pra homenagear e presentear alguém, neste caso as mulheres. Há todo um conteúdo histórico envolvido e que, quanto mais conhecido e compreendido, pode facilitar causas bastante discutidas atualmente.

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Incêndio em fábrica é apenas uma das origens do Dia 8 de março

A origem da data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher não está relacionada apenas a um evento. Mas a um conjunto deles. Um incêndio, em Nova York, nos Estados Unidos é um deles. Mais precisamente, em março de 1857, o fogo atingiu uma empresa chamada Triangle Shirtwaist Company.

Nesta ocasião, morreram 146 trabalhadores queimados. E deste total, 125 eram mulheres. As instalações elétricas precárias aliadas ao tipo de solo onde ficava a fábrica e à grande quantidade de tecido funcionaram como combustível causando o incêndio.

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Há também registros de que naquela época, os proprietários de fábricas costumavam trancafiar seus funcionários durante o expediente pra conter greves e motins. Isso teria acontecido na Triangle. Ou seja, as mortes ocorreram devido às portas trancadas. Um verdadeiro pesadelo.

Estes fatos acabaram sendo levados às discussões políticas da época. Sendo que as condições difíceis enfrentadas pelas mulheres no local que sofreu o incêndio e no mercado de trabalho em geral, em plena Revolução Industrial, ganharam notoriedade.

Como já dissemos, não foi somente este fato do passado que originou o debate sobre a questão feminina naqueles tempos e que perdura até hoje. Outros registros na história do Brasil e do mundo também são referências importantes quando o assunto é o Dia Internacional da Mulher.

Suas reivindicações atravessam décadas. E seguem como tema sensível porque engloba direitos ainda não totalmente respeitados.

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Linha do tempo diz muito sobre os movimentos de mulheres

Já no final de fevereiro de 1909, também em Nova York, teve lugar uma grande passeata que reuniu aproximadamente 15 mil mulheres. Elas marcharam pelas principais ruas da cidade reivindicando melhores condições de trabalho.

Tinham suas razões. Naquele período, era comum as empresas manterem jornadas que poderiam chegar a 16 horas diárias, por 6 dias na semana ou até sem folga nem aos domingos.

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Em agosto de 1910, movimentos similares ganharam espaço. Na cidade de Copenhague, um exemplo da organização em torno do tema foi quando a alemã Clara Zetkin propôs a criação de uma jornada de manifestações durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas.

Ela que era membro do Partido Comunista Alemão se posicionou, ainda, por meio de declarações na Internacional Socialista.

Sempre levantando a proposta pra que o movimento sindical e socialista também acolhesse os problemas vivenciados pelas mulheres e seus direitos. Já que estes eram mais severos do que os vividos pelos homens no que se refere às questões trabalhistas.

Deste ano em diante, passou-se a celebrar oficialmente o Dia da Mulher em 19 de março. Sendo que em 1913, novamente, as mulheres americanas voltaram a protestar, desta vez exigindo direito ao voto nos Estados Unidos, Sem esquecerem, no entanto, os protestos por melhores condições de trabalho.

Alguns anos mais tarde, em 1917 na Rússia, um grupo de milhares de mulheres operárias do setor de tecelagem também se manifestaram contra a fome e contra a Primeira Guerra Mundial.

Unidas e clamando ajuda dos operários do setor de metalurgia, elas resolveram fazer uma greve que muitos historiadores consideram até hoje como ponto de partida, tanto pra Revolução Russa que se iniciou no mesmo ano, quanto pra difundir o Dia da Mulher pelo mundo todo.

Foi nesse panorama de agitação revolucionária que a monarquia czarista foi derrubada. E a data entrou pra a história como um grande feito de mulheres operárias.

Quando o 8 de março entrou em cena?

Para responder a esta pergunta, precisamos lembrar que os protestos que desencadearam a Revolução Russa começaram em 23 de fevereiro. Mas esta data correspondia ao antigo calendário russo.

Porém, quando consideramos o calendário gregoriano, seria em 8 de março. Os soviéticos adotaram esta contagem de tempo em 1918, o qual é seguido pela maioria dos países do mundo atualmente.

A partir dos anos 60, a comemoração do dia 8 de março já tinha se tornado tradicional. Embora o Dia Internacional da Mulher tenha sido oficializado apenas em 1975, pela ONU (Organização das Nações Unidas). O objetivo foi que as conquistas políticas e sociais sempre fossem lembradas e que esta chama se mantivesse viva, pautando reflexão e luta.

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Não é por acaso que em 2021, ainda vemos problemas como a desigualdade salarial entre homens e mulheres e outras sendo debatidas por diversas organizações, instituições e grupos ativos de mulheres na passagem do 8 de março.

Em diversas cidades brasileiras, anualmente é realizada uma série de protestos contra a criminalização do aborto, o machismo, o feminicídio e a violência contra a mulher. E isso não se restringe ao Brasil. Ao redor do mundo, o 8 de março é lembrado e celebrado das mais diversas formas.

Na Rússia, por exemplo, é feriado nacional, bem como em outros países. Em algumas localidades, ainda é hábito homenagear as mulheres com a entrega de flores, mimos ou presentes. Se não feriado, a China reserva meio dia de descanso às mulheres nesta data.

Respeito, reconhecimento e valorização

Diante de tudo isso podemos dizer que os acontecimentos realizados no século 20 nos Estados Unidos e na Europa foram significativos e contribuíram muito pra que até hoje o 8 de março seja comemorado como o Dia Internacional da Mulher. A evidência da precariedade do trabalho no cenário da época tem um valor inestimável.

Houve profunda influência da luta operária feminina e dos movimentos políticos organizados pelas mulheres. O Dia Internacional da Mulher, portanto, tem origens em algumas tragédias, mas se deve também a uma certa evolução que vem atravessando décadas marcadas pelo engajamento de mulheres poderosas que buscam cada vez mais respeito, reconhecimento e valorização.

A reflexão e as ações em torno da data 8 de março se justificam. Seja no campo do convívio afetivo, familiar e social ou relativas a questões relacionadas ao mercado de trabalho.

Tradição que vem se mantendo

Todos os anos, o 8 de março é celebrado. Geralmente, são organizados eventos que resgatam a importância de continuar lutando pela defesa dos direitos das mulheres. Mais recentemente, em 2017 e 2018, por exemplo, foi promovida uma greve internacional. Cerca de 40 países aceitaram participar.

Sob o lema “Se nossas vidas não importam, que produzam sem nós”, a movimentação demonstrou que a classe operária ainda precisa de muito fôlego pra enfrentar os patrões do capitalismo. Ficou comprovado que ainda há revolta entre as mulheres que se negam a parar de lutar pelo que consideram justo.

Vale destacar que as mulheres ainda representam 50% da classe operária. As negras estão na linha de frente em muitas organizações que ainda respeitam as origens do Dia da Mulher. Certas de que ainda são necessárias muitas medidas concretas que ataquem os aspectos que sustentam a opressão feminina.

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Veja alguns dados da atualidade relacionados às mulheres:

Salários inferiores aos dos homens

Atualmente, as mulheres enfrentam desigualdade no mercado de trabalho em relação aos salários recebidos que são inferiores aos dos homens nas mesmas funções. As mulheres recebem, em média, 20% menos que os homens. E entre as mulheres brancas e negras, a diferença salarial pode chegar a até 71%.

Presença menor no mercado

A presença das mulheres no mercado de trabalho ainda é menor que a dos homens. Uma pesquisa de 2018 apontou que apenas 48% das mulheres maiores de 15 anos do mundo estão empregadas. Enquanto que 75% dos homens estavam trabalhando naquele ano.

Preconceito entre os homens

Pelo menos 70% dos homens ainda afirmam que as mulheres preferem ficar em casa cuidando de serviços domésticos do que trabalhar fora.

Feminicídio atinge mais as negras

As mulheres negras ainda são as maiores vítimas de feminicídio no Brasil.

Gravidez prejudica

As mulheres ainda sofrem prejuízos no mercado de trabalho porque engravidam. Tanto é que 30% das mulheres que tem emprego o abandonam pra cuidar dos filhos. Somente 7% dos homens pedem demissão por causa disso.

Demitidas

50% das mulheres que engravidam são mandadas embora quando retornam da licença-maternidade.

Mais mulheres brancas nas faculdades

Na educação, apenas 5,2% das mulheres negras alcançam o ensino superior no Brasil, contra 18,2% das mulheres brancas.

Vítimas de abusos

E elas ainda são as maiores vítimas de violência, abandono, assédio moral e assédio sexual.

Transporte perigoso

O transporte público é o local onde as mulheres sentem maior risco de assédio na opinião de 46% das mulheres. Numa pesquisa realizada na cidade de São Paulo (SP), 63% das mulheres entrevistadas declaram já ter sofrido algum caso de assédio no transporte público.

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