Com dois ataques em quase 2 anos, promessa de vigilantes em escolas de SC ainda não saiu do papel

Promessa foi feita pelo governo estadual após a tragédia que matou cinco pessoas em Saudades, no Oeste, em 2021

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Cinco crianças morreram no ataque (Foto: Felipe Salles/NSC TV)

Cinco crianças morreram no ataque (Foto: Felipe Salles/NSC TV)

Dois anos após o ataque na creche de Saudades, no Oeste de Santa Catarina, que deixou cinco pessoas mortas, as escolas da rede estadual aguardam o reforço na segurança que foi prometido pelo governo em 2021. O executivo tinha anunciado que colocaria vigilantes em mais de mil unidades e chegou a abrir licitação. Porém, a iniciativa nunca foi discutida com a categoria, que defende o retorno da figura do zelador, e não saiu do papel. As informações são do g1 SC.

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Quase dois anos da tragédia em Saudades, um novo ataque a creche ocorreu em Blumenau, no Vale do Itajaí, onde quatro crianças morreram. Com isso, a discussão sobre a contratação de guardas para as escolas volta à tona.

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Como evitar novas tragédias como o ataque a creche de Blumenau

O processo de contratação chegou a ser aberto em 2021, porém, como não houve audiência pública, ele foi suspenso. Segundo a legislação federal, a reunião é necessária para tratar licitações acima de R$ 150 milhões. De acordo com o Portal de Compras do Estado, o serviço seria de R$ 18 milhões por mês durante dois anos.

Em 30 de março, uma semana antes da tragédia em Blumenau, o governo estadual foi questionado sobre a contratação, que informou que “a licitação de vigilância humana está em andamento”. A pasta disse, ainda, que realiza estudos para novos processos e a necessidade de união de esforços entre as secretarias para o reforço da segurança.

O g1 voltou a questionar o governo na quarta-feira (5), no dia do ataque, mas não teve retorno até a publicação.

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Na mesma nota, a Secretaria de Estado da Educação (SED) informou que escolas da rede estadual possuem cerca de 4 mil câmeras de vigilância no pátio e entrada que armazenam imagens por, no mínimo, 60 dias, além de sensores.

“Para reforçar ainda mais a segurança, a secretaria analisa um estudo técnico para ampliar esse monitoramento”, diz a nota.

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A pasta alegou, ainda, que o currículo escolar trabalha com competências e habilidades para ampliar o respeito e a empatia na sociedade. As coordenadorias regionais também recebem o apoio com psicólogos e assistentes sociais, que compõem o Núcleo de Prevenção às Violências Escolares (Nepre).

Sindicato cobra por melhorias

De acordo com o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte-SC), Evandro Accadrolli, é preciso fazer um debate sobre a violência feita por radicalizados contra escolas para “transformar o discurso de ódio em discurso de paz”.

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Ele defende também que a segurança deve ser feita pela comunidade escolar e defendeu a volta da figura do zelador.

— Não acreditamos em portas giratórias que ficam impedindo a entrada de metal. Nesse caso, por exemplo, a pessoa pulou o muro. [Defendemos] um acompanhamento da polícia, da inteligência, para encontrar movimento nas redes sociais de grupos extremistas — afirma.

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Já para a fundadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Violências (NUVIC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Ana Maria Borges de Sousa, a presença de vigilantes ou policiais nas escolas na lógica de “criar personagens que fazem a repressão” pode auxiliar no combate à violências, mas não é o suficiente. De acordo com ela, é necessário políticas públicas para incentivar uma cultura de direitos humanos e direito à vida.

— A gente precisa incentivar nas escolas, nas famílias nas instituições uma cultura de direitos humanos e de direito à vida. É preciso implementar uma gestão de cuidado com a vida — explica.

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Dois ataques em dois anos

O ataque a creche em Blumenau é o segundo em quase dois anos em Santa Catarina. Em maio de 2021, um homem, que aguarda julgamento, matou duas professoras e três bebês em Saudades, no Oeste. As vítimas são:

  • Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, era professora e dava aulas na unidade havia cerca de 10 anos
  • Mirla Renner, de 20 anos, era agente educacional na escola
  • Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses
  • Murilo Massing, de 1 ano e 9 meses
  • Anna Bela Fernandes de Barros, de 1 ano e 8 meses.

Já em Blumenau, o crime ocorreu no início da manhã de quarta-feira (5) na creche Cantinho Bom Pastor. A unidade é particular e as vítimas têm entre 4 e 7 anos. Outras cinco crianças se feriram. As vítimas são:

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  • Bernardo Cunha Machado – 5 anos
  • Bernardo Pabst da Cunha – 4 anos
  • Larissa Maia Toldo – 7 anos
  • Enzo Marchesin Barbosa – 4 anos

Por conta do ataque, a prefeitura de Blumenau anunciou que instalará 125 câmeras de segurança em todas as escolas e Centros de Educação Infantil (CEI) do município. O equipamento será conectado à Central de Controle Operacional (CCO). O executivo disse, ainda, que avalia o reforço de policiais militares nas escolas.

Já em Florianópolis, capital do Estado, a prefeitura anunciou que faz uma varreduras nas escolas municipais para melhorias de segurança nos ambientes. Além disso, uma linha direta entre comunidade escolar e forças de segurança está sendo criada.

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