Setor têxtil: debate em Santa Catarina

Florianópolis sedia a 8ª edição do Congresso Internacional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit) nos dias 8 e 9 de novembro, na sede da Fiesc

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Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVtex) (Foto: ABVTex, Divulgação)

Teremos em Florianópolis nos próximos dias 8 e 9 de novembro, na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), a 8ª edição de evento de grande relevância, discutindo o momento e o futuro de um dos grandes motores da economia brasileira: trata-se do Congresso Internacional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit). Apenas como breves exemplos para ilustrar a importância das discussões relacionadas a este segmento: o setor têxtil e de vestuário congrega cerca de 2 milhões de empregos, é o segundo maior empregador industrial do país e reúne empreendimentos que pagam a cada ano R$ 49,5 bilhões em salários.

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Um setor que tem 200 anos de tradição e muita contribuição com o país. Indústria e varejo têxteis têm também muita história em Santa Catarina. Outro breve exemplo é que a indústria de confecção e artigos de vestuário reúne mais de 100 mil postos de trabalho no Estado, conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego) do Ministério do Trabalho, consolidados para setembro.

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Tenho certeza de que o Congresso da Abit, esta grande entidade e que muito contribui com o desenvolvimento setorial e do país, permitirá muita troca de experiências com foco em inovação e no avanço de uma indústria tão relevante para o Brasil. Também observo que muitas lideranças e profissionais atuantes no varejo têxtil, segmento em que atuo, estão ansiosos para acompanhar debates para além das fronteiras entre setores, territórios e países, como descreve o resumo do evento deste ano. E no programa estão previstos assuntos muito diversos e interessantes, como tecnologia e organização em redes, política industrial, comportamento do consumidor e a busca pela descarbonização na moda – este, em que buscarei dar minha contribuição.

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Mas há uma questão que vem sendo grande foco das discussões quando se trata da indústria e o varejo brasileiros e certamente não deixará de estar presente em discussões no Congresso. O governo federal deu andamento a uma iniciativa neste ano que, em si, é positiva. O Programa “Remessa Conforme”, criado no início deste ano pelo Ministério da Fazenda e Receita Federal, enfrenta a sonegação fiscal e traz aspectos de compliance para sites internacionais de e-commerce, além de apoiar o esforço na busca por equilíbrio fiscal, algo que é fundamental para que se busque um país mais justo e desenvolvido.

Mas o programa sofreu alteração muito significativa, com a Portaria MF 612/23, que trouxe surpresa a todo o setor produtivo nacional. A portaria estabeleceu isenção total de imposto de importação, um tributo federal, para produtos com valor de até 50 dólares, ou cerca de R$ 250. E prevê que apenas seja recolhido nas compras feitas em e-commerces estrangeiros o ICMS, de 17%.

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Benefício fiscal é uma iniciativa governamental que tem aderência à ideia de Justiça, capacidade contributiva e desenvolvimento econômico, como cita Ricardo Lobo Torres, em seu “Tratado de Direito Constitucional Financeiro e Tributário”. Mas não é possível se observar esses aspectos em uma iniciativa que coloca em risco cadeias de produção e empregos por todo o país, como é o caso da indústria catarinense da indústria têxtil e da moda, com seus 100 mil de postos de trabalho, como já mencionei anteriormente.

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Trata-se de um segmento de atividade econômica, que cumpre também seu papel por meio do programa ABVTex, que promove o monitoramento e desenvolvimento de unidades de produção da cadeia do varejo têxtil. Com isso, busca as melhores práticas produtivas, respeito a condições de trabalho, ao meio ambiente e outras ações de responsabilidade social, ambiental e de governança.

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Este setor não teme a competição, e as indústrias e o varejo que o compõem já lidam com grandes desafios: enfrentando outros competidores, uma carga tributária expressiva e outras dificuldades que se impõem para se produzir no Brasil. O varejo têxtil defende amplamente a livre iniciativa e a competição, que são próprias do capitalismo, mas é preciso garantir igualdade de condições para a indústria nacional frente às empresas internacionais. É preciso rever com urgência a Portaria 612, que modificou, repito, um programa muito acertado.

Não queremos observar no futuro próximo demissões em massa, decorrentes do fechamento de negócios e desarranjo em uma cadeia de produção muito significativa para o Brasil.

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*Por Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVtex)

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