Evento da Amcham em SC destaca desafios e alternativas para negócios com os EUA

Lideranças destacam que o caminho adotado para a nova realidade das tarifas de importação dos EUA é negociar, tanto com o governo, quanto com o setor privado americano

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Cônsul dos Estados Unidos para SC e RS, Jason Green, fala a empresários sobre investimentos do país no Brasil em evento da Amcham no Estaleiro Schaefer Yachts, em Florianópolis (Foto: Estela Benetti)

Decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar produtos florestais e outros em 25% a partir de abril, em plano de tarifas recíprocas, preocupa e mobiliza a indústria de Santa Catarina, que tem o maior mercado internacional nos Estados Unidos (EUA). Em evento realizado pela Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil) em Florianópolis, nesta quarta-feira, o ex-embaixador do Brasil nos EUA, Rubens Barbosa, disse que o governo brasileiro está certo em buscar negociação com autoridades do governo americano e o setor privado deve negociar com seus parceiros de lá.  

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Com o objetivo de fortalecer relações entre Santa Catarina e os Estados Unidos, o evento teve as participações presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, do cônsul dos EUA para SC e Rio Grande do Sul Jason Green, do diretor de Relações Governamentais da Amcham Fabrizio Panzini, da diretora de Relações Internacionais da Amcham Camila Moura e do secretário-adjunto de Articulação Internacional do governo de SC, Emerson Pereira. O embaixador Rubens Barbosa participou on-line no evento que reuniu empresários no Estaleiro Schaefer Yachts, um dos exportadores aos EUA.  

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O presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, falou sobre o dinamismo e a qualidade da indústria catarinense, que é exportadora para os EUA. Destacou o  Estaleiro Schaefer, fundado há 32 anos pelo empresário Márcio Schaefer, que tem nos EUA seu maior mercado de exportação.

– Mas eu queria, aproveitando a presença do cônsul, trazer aqui uma preocupação. Não estamos entrando no mérito, mas uma preocupação que a indústria catarinense e a indústria brasileira têm com as sobretaxas que estão sendo impostas às exportações brasileiras e, principalmente, catarinense. Acho que precisamos conversar. Entendemos que há uma certa dificuldade do nosso governo federal em conversar com o governo americano, mas essa é uma relação comercial, de longa data e que tem que ser incrementada – destacou Mario Cezar de Aguiar.

De acordo com o empresário, uma grande preocupação envolve o setor madeireiro que poderá ser taxado em 25% nas vendas aos EUA. Aguiar destacou que o setor de madeira e móveis de SC exportou US$ 1,55 bilhão em 2024. Desse montante, US$ 765,76 milhões foram para os EUA. Ele esteve terça-feira com a Secretária de Comércio Exterior do país, Tatiana Prazeres, solicitando apoio para negociações em favor do setor madeireiro.

Para o embaixador Rubens Barbosa, a realidade é que o governo dos Estados Unidos deixou para trás aquelas tarifas e regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). E como o governo brasileiro não é alinhado ao atual titular da Casa Branca, os empresários do país podem atuar em duas frentes.

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– Primeiro, os empresários brasileiros deveriam atuar junto ao governo para moderação na resposta, para defesa dos interesses nossos. Em segundo lugar, estreitar os contatos com o setor privado dos Estados Unidos. Nós temos que estreitar os contatos com o setor privado americano porque eles é que vão comprar os produtos brasileiros e eles é que podem fazer pressão sobre o governo americano para facilitar essas medidas em relação ao Brasil – recomendou Rubens Barbosa.

Ele disse que podem avançar negociações de um acordo comercial direto entre os EUA e a China. Nesse caso, o agro brasileiro e catarinense pecisa se preocupar porque poderá perder mercado no país asiático, frente ao momento atual, que está favorável.

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O cônsul Jason Green destacou as boas relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos, que completaram 200 anos em 2024. Enfatizou os elevados investimentos de empresas americanas do Brasil e também o constante intercâmbio entre os dois países em todas as áreas.

– Os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro no Brasil. Nossos investimentos estão crescendo. Chegaram a R$ 1 trilhão em 2023, quatro vezes mais do que o segundo país com mais investimentos estrangeiros no Brasil. Foram US$ 257 bilhões, um aumento de 56% comparado a 2022 – ressaltou Jason Green.

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O diretor da Amcham Fabrizio Panzini destacou o crescente comércio do Brasil com os EUA e a diversificação de produtos. Segundo ele, 90% da pauta do país para o mercado americano é composta por 244 produtos. Para a Europa são 129 produtos e para a China são apenas 7 produtos. Além disso, os EUA são o maior parceiro de comércio de serviços do Brasil.

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