A partir de quinta-feira, 01 de maio, a multinacional Tupy, que tem matriz em Joinville, Santa Catarina, terá novo presidente. O economista Rafael Lucchesi, ex-diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), vai suceder o atual CEO Fernando de Rizzo. No dia 01 deste mês, logo que saiu o balanço de 2024 da companhia e um dia antes do anúncio do tarifaço de Donald Trump, o analista Felipe Cima, da Wiser Research, braço de análise da Machester Investimentos, falou para a coluna sobre o desempenho da empresa e algumas expectativas que valem ser conhecidas, apesar da mudança de cenário.
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Segundo ele, o mercado tem projetado para a Tupy crescimento de receita, de lucro e principalmente de margem Ebitda que está meio que demorando para aparecer. A receita da companhia caiu no último trimestre, mas já vinha apresentando tendência de queda no LTM (últimos 12 meses) o ano inteiro. A companhia fechou 2024 com receita líquida de vendas de R$ 10,7 bilhões, queda de 6% frente a 2023.
A Tupy encerrou o ano com lucro líquido de R$ 82 milhões enquanto em 2023 obteve R$ 517 milhões, o maior lucro da sua história. Felipe Cima comentou razões da queda desse resultado.
– Quanto ao lucro, teve uma recorrente de R$ 250 milhões de um “impairment” (atualização) de ativos intangíveis, enfim, que talvez tenha maquiado um pouco o lucro. Mas o problema é que a empresa vendeu mais no mercado interno e menos no mercado externo. Então, diz que teve um certo represamento no mercado dos Estados Unidos que vai ser resolvido este ano de 2025. Isso porque lá vai ter a mudança do sistema de caminhões como teve no Brasil. Também tem o preço das commodities. Como a empresa tem muito fornecimento para veículos off-road, o preço das commodities agrícolas impacta a venda desses veículos nos mercados externos. Mas o fato é que a empresa tem vendido menos em termos de volume – disse o analista.
Por isso, segundo ele, o uso da capacidade instalada da empresa está bastante ocioso em relação à média do setor. Observou que o mercado tem projetado uma margem ebitda ótima para a Tupy, acima de 12,5% ou 13%, mas a empresa tem sofrido para entregar 12%. Conseguiu entregar 12% agora, tendo uma média grande nos negócios tradicionais e no caso da MWM, que está respondendo por boa parte da receita, teve uma margem bem abaixo de 10% em 2024.
Ainda de acordo com Felipe Cima, a Tupy tem algumas avenidas de crescimento que ainda não estão impactando nos resultados. Uma delas é para o uso de biometano (solução para grandes motores), o que é esperada para 2025. Antes, o projeto era um motor especial para uso de hidrogênio verde, na tese da descarbonização.
– É uma empresa bastante descontada (no preço de ações). Teve esse problema de governança agora com a troca do CEO que não foi bem-vista, gerou uma rusga grande com os minoritários. Então, deve ter vários fundos vindo a público dizer que estão encerrando a posição, algumas casas de análise encerrando a recomendação de compra. Acho que ainda pode ter uma pressão vendedora na empresa no curto prazo – avaliou Filipe Cima.
O problema de governança que ele ser refere é a mudança de presidente, que o mercado considerou uma interferência política do governo federal na empresa, porque 53% do capital da companhia está com o BNDESPar e com a Previ, que têm influência direta do executivo federal.
Ainda conforme o analista, a empresa anunciou dois ou três novos contratos que poderão acrescentar receita. Mas o mercado segue esperando para ver que resultados ela vai apresentar.
Como os EUA são o principal mercado externo da companhia e as autopeças foram mais taxadas, por enquanto, o cenário ficou mais difícil para ela alcançar desempenho melhor.
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