Especialistas aconselham empresas de SC sobre como enfrentar o tarifaço dos Estados Unidos  

Para indústrias exportadoras de SC, o novo cenário do tarifaço de Trump exige esforços para vender aos EUA e, também, evitar invasão de produtos chineses no país

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O professor da FGV-SP, Oliver Stuenkel (E) e o economista e diplomata Marcos Troyjo com a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamente, no intervalo da imersão (Foto: Estela Benetti)ista em risco geopolítico Oliver Stuenkel.  

Empresários catarinenses que atuam com comércio internacional participantes da imersão “Fator Tarifaço” promovida pela Academia Fiesc de Negócios receberam conselhos de especialistas sobre como enfrentar essa nova fase de incertezas nos negócios em função das tarifas de importação dos Estados Unidos. Quem fala são o economista, sociólogo e diplomata Marcos Troyjo e o professor da FGV-SP e especialista em risco geopolítico Oliver Stuenkel.  

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Diante do limitado relacionamento do atual governo brasileiro com o americano, Troyjo sugere que os exportadores catarinenses se aproximem mais dos seus clientes americanos para que eles encaminhem pautas ao governo do seu país.

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– É muito mais estratégico, me parece, para os exportadores catarinenses se aproximarem dos seus compradores americanos. Porque a voz dos compradores americanos, das empresas americanas, dos atores americanos que se valem do fornecimento de bens brasileiros é muito mais influente nos círculos decisórios em Washington do que, na minha opinião, hoje, o governo do Brasil. Então, a dificuldade que os próprios compradores americanos têm de diversificar suas fontes de suprimento ou de criar alternativas próprias, acaba sendo um aliado das exportações do Brasil – afirma Troyjo.

Para ele, a decisão do governo americano de determinar uma tarifa de 10% para a maioria dos bens importados do Brasil não é, necessariamente, um mérito do governo brasileiro. Mas tem a ver com a realidade de o Brasil, comparativamente com outros países, exporta pouco para os Estados Unidos.

– Os Estados Unidos são uma economia de US$ 30 trilhões e importam 12% do seu PIB, o equivalente a US$ 3,6 trilhões. As exportações brasileiras para o mercado americano são de US$ 40 bilhões ao ano. Ou seja, o Brasil tem 1,1% do mercado americano. É muito pequeno. Além disso, o Brasil tem uma peculiaridade interessante, porque dos 193 países do mundo, o Brasil é apenas um dos 8 ou 9 que conseguem ter superávit comercial com a China. Mas também é um dos pouquíssimos, dos 10 ou 12 que conseguem ter déficit comercial com os EUA. Então, não está muito na tela de radar do governo americano – diz o economista e diplomata.  

Mas ele alerta que para setores industriais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e mesmo em São Paulo, o principal destino das exportações de maior valor agregado é a economia americana. Por isso é preciso buscar estratégias para manter essa participação e ampliar mais.

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Para o professor da FGV Oliver Stuenkel, o risco geopolítico é o novo normal no comércio internacional após décadas de estabilidade inédita.  Por isso, todo mundo precisa se adaptar a um cenário multipolar e mais instável. Reconhece que é difícil fazer negócios sem saber quais serão as tarifas entre a China e os Estados Unidos daqui a três meses.

– Isso dificulta enormemente a capacidade dos empresários ao redor do mundo de se articular em estratégias de médio e longo prazo. Agora, o Brasil tem uma vantagem enorme nisso tudo porque é um país localizado em uma região segura do ponto de vista geopolítico. A  América do Sul é o continente de menor risco geopolítico do mundo e isso faz com que investidores possam enxergar no Brasil uma forma de aumentar em sua resiliência geopolítica, de diversificar seus portfólios. O Brasil, independentemente de quem estará no poder ao longo da próxima década, buscará manter sua postura de equidistância mais ou menos entre os Estados Unidos e a China para manter laços comerciais – observa Oliver.

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Para ele, o maior risco para o Brasil é a chegada de produtos industrializados a baixo custo da China. Isso porque esses produtos não conseguem mais entrar no mercado americano. Então, a reação imediata das tarifas de Donald Trump não é um problema do Brasil com Trump, mas muito mais com Xi Jinping, da China, porque o país asiático precisa achar mercados para esses que vendia aos EUA e, agora, estão sendo barrados.

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