BC quer tecnologia que transforma esgoto em combustível

Técnicos da prefeitura farão a validação do modelo apresentado por empresa privada

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Prefeita Juliana Pavan conhecendo a tecnologia apresentada pela empresa do Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação)

O que fazer com as quase 20 toneladas diárias de lodo que saem do tratamento de esgoto em Balneário Camboriú? Hoje, a resposta tem custado caro aos cofres públicos: cerca de R$ 5 milhões por ano para levar esse material até aterros sanitários licenciados. Além do peso no orçamento, há também o passivo ambiental de décadas, herança das antigas lagoas de tratamento da época em que a cidade ainda não tinha gestão própria de saneamento.

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Mas, se antes o lodo era tratado apenas como resíduo, agora começa a ser visto como matéria-prima. Uma tecnologia apresentada pela empresa gaúcha BEINTEC mostrou que é possível transformar esse material em óleo, gás, adubo e até combustíveis como diesel e gasolina. Durante uma demonstração na própria Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da cidade, uma pequena amostra de lodo virou óleo combustível — testado ali mesmo, comprovando seu poder energético. Uma equipe da prefeitura de BC irá analisar a viabilidade de implementação do sistema no município para, depois, buscar a contratação desta tecnologia

A própria máquina se mantém funcionando ao utilizar como energia parte do que ela mesma produz. Um ciclo inteligente, autossustentável e que, se implantado, pode representar uma virada de chave na gestão de resíduos da cidade.

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Além da transformação em combustível, Balneário Camboriú está prestes a ser pioneira em outra tecnologia. Um termo de cooperação foi assinado com a Wastech Brasil para viabilizar um projeto que transforma lodo em pedra inerte. A tecnologia, acompanhada por uma universidade paulista, usa arco de plasma que pode chegar a impressionantes 30 mil graus Celsius, suficiente para eliminar qualquer tipo de contaminante.

O processo reduz cada tonelada de lodo a 300 quilos de pó contaminado, que, após um segundo tratamento, se transforma em 30 quilos de pedra limpa, estável e reutilizável. Uma solução que não só elimina um problema ambiental, mas ainda pode gerar um novo produto.

Do passivo ao ativo

O lodo, que até então era custo e dor de cabeça, passa a ser visto como ativo. Combustível para frota pública, matéria-prima para indústrias ou material para construção civil, dependendo da regulamentação futura. Balneário Camboriú poderá inverter a lógica: transformar gasto em renda.

A expectativa é que, se o modelo for validado, a cidade ainda receba royalties pela patente e pelo uso da marca BC.

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