Uso de antigas ações do Besc para fraude pelo Banco Master é explicado pelo BC

Detalhes sobre esse esquema foram apresentados pelo Banco Central ao Ministério Público Federal em 17 de novembro, um dia antes da liquidação do Banco Master, e revelados pelo Valor neste sábado

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Banco Master e a distribuidora Reag envolveram 36 empresas no esquema. Acima, imagem da sede do Banco Master, em São Paulo (Foto: Roveda Rosa, Agência Brasil)

O complexo esquema adotado pelo Banco Master para desviar R$ 11,5 bilhões usando com base antigas ações (cártulas) do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) foi explicado pelo Banco Central ao Ministério Público Federal (MPF). A fraude envolveu 36 empresas por meio de fundos de investimentos geridos pela distribuidora Reag Trust, parceira do Master, revelou o jornal Valor com exclusividade neste sábado (10).

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A operação consistiu no uso de antigos títulos podres (ações) do Besc que tinham sido comprados por R$ 850 milhões pelo fundo FIDC High Tower da gestora de títulos Reag. Esse valor de R$ 850 milhões foi inflado sem base e no fim do esquema somou em R$ 11,5 bilhões para o Banco Master, numa valorização incomum no mercado.

O Besc encerrou atividades em 2008, quando foi 100% incorporado pelo Banco do Brasil. Essa venda de títulos podres é normal nos mercados, ajuda a fazer empréstimos, mas não chegam a ter valorização assim.  

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O esquema para fazer o dinheiro parecer normal envolveu 36 empresas, a maioria sem atividade, consideradas empresas laranjas. Outra informação é que a transferência de recursos nesse esquema envolveu fundos da Reag, com uma sequência, ou seja, o dinheiro havia entrado no Master, ia para um fundo e mais outros fundos até chegar, no final, ao Banco Master de novo, na soma de R$ 11,5 bilhões, por meio de empresas laranjas.   

O Valor citou na reportagem um exemplo da rota desse dinheiro, o da empresa Brain Realty, que fez uma operação de R$ 450 milhões. O passo a passo de um fundo para outro, em poucos minutos ou horas, envolveu 21 operações.

No meio disso, uma transferência de R$ 450 milhões do Fundo D Mais, da Reag, foi para o fundo High Tower da mesma empresa, para liquidar a compra dos títulos podres (cártulas) do Besc. O fundo Hight Tower reavaliou as cártulas do Besc de R$ 850 milhões para R$ 10,8 bilhões. Esses papéis sobrevalorizados foram vendidos para outros fundos e, chegaram a empresas laranjas e, assim, garantiriam o lucro do esquema.

Uma operação fraudulenta com características semelhantes foi apurada pelo Banco Central, em meados do ano passado, na tentativa de venda do Banco Master para o Banco BRB, de Brasília.

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