Maioria dos países da União Europeia aprovou nesta sexta-feira (09) o acordo comercial com o Mercosul, que vai abrir portas para ampliar negócios entre os dois blocos econômicos. Embora sem a aprovação de todos os países e com uma série de restrições a produtos do agro, o acordo, que estava sendo negociado há quase 26 anos deverá se tornar realidade, ampliando negócios com redução de tarifas. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) vê com positivo esse acordo para o estado.

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A aprovação não teve unanimidade entre os integrantes da União Europeia, composta por 27 países. Votam contra o acordo a França, Polônia, Hungria, Irlanda e Áustria. A Itália mudou de posição recentemente e isso permitiu alcançar a maioria da população. O número dos que concordaram vai permitir à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinar o acordo com o Mercosul o que poderá acontecer na próxima semana, em Assunção, no Paraguai.

Para entrar em vigor, o acordo ainda necessita de aprovação do parlamento da União Europeia. Também existem várias pressões contra, mas a expectativa é de que a maioria será favorável. E se houver alguns aspectos discordantes, parlamentos de países terão que aprovar o acordo também. E essa aprovação também terá que acontecer nos parlamentos dos países do Mercosul, porém as restrições sinalizam ser menores.  

Juntos, os dois blocos vão somar cerca de 720 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 bilhões. Na mesma votação desta sexta-feira, foram aprovadas salvaguardas firmadas em dezembro para proteger ainda mais o agronegócio europeu, em especial a produção de carne bovina, ovos, frutas cítricas e açúcar.

Pelo acordo, a União Europeia vai eliminar, gradativamente, tarifas sobre 92% do que compra do Mercosul. Em contrapartida, o Mercosul vai eliminar tarifas sobre 91% do que compra da Europa.

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Para a economia catarinense, essa parceria vai abrir oportunidades de mais negócios. A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Maria Teresa Bustamante, informou no final do ano passado que a entidade está otimista com o potencial de mais exportações e importações em função desse acordo.

Bustamante também informou que a federação conta com equipe técnica preparada para assessorar indústrias que necessitarão de apoio para fazer negócios dentro das novas condições aprovadas pelo acordo.

No ano de 2025, a União Europeia comprou mais produtos de Santa Catarina, totalizando US$ 1,35 bilhão, o que representou um crescimento de 10,66% no ano, segundo dados do Boletim de Comércio Exterior da Fiesc. Assim, a região alcançou o segundo lugar como destino mais importante das exportações do estado, superando a China. O primeiro lugar ficou com os Estados Unidos.

Os produtos que registraram maior crescimento de exportações de SC ao antigo continente foram motores e geradores elétricos. Também se destacam carnes e miudezas, carnes em conserva, parte de motores, madeiras e compensados. Entre os produtos mais importados da Europa por SC estão azeite de oliva, automóveis, sangue (para uso medicinal), medicamentos e autopeças.

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Parte das importações da Europa é feita diretamente por empresas de comércio de SC, principalmente as grandes redes supermercadistas, que compram alimentos. Lideranças da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado (Fecomércio) também já destacaran que consideram positivo o acordo.

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