Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão por matar os pais, falou pela primeira vez sobre o crime que chocou o Brasil em 2002. Em entrevista a um documentário exclusivo da Netflix, ela contou sobre a infância e disse que a relação com os responsáveis era de “zero afeto”. Com informações do O Globo.
— Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão […] Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando — declarou Suzane em um dos trechos da entrevista.
Segundo ela, o relacionamento dos pais era ruim. Ela chegou a presenciar momento de violência dentro de casa:
— Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível. […] Eu e meu irmão fomos ficando invisíveis dentro de casa.
Suzane também falou que não tinha uma família perfeita e que os pais construíram “um abismo entre nós”. Ela destaca que “esse espaço vazio” foi ocupado por Daniel Cravinhos, também condenado por matar Manfred e Marísia von Richthofen no dia 31 de outubro de 2002.
Compare os atores de Tremembé com os criminosos da vida real
Suzane von Richthofen revela o ponto de virada para crime
Segundo a criminosa, a mãe desaprovava o relacionamento entre ela e Cravinhos e afirmava que ele iria levá-la para o fundo do poço.
— Eu saía de casa dizendo que ia pro karatê, mas ia pra casa do Daniel. Escondida dos meus pais, conheci todo o litoral de São Paulo. A gente alugava carro e seguia viagem. O Daniel me mostrou o mundo que eu queria viver.
O momento de virada, segundo ela, ocorreu quando os pais viajaram para a Europa por 30 dias.
— Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse. Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock ’n’ roll. Aquele mês mudou tudo na nossa vida. […] Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem.
Em certo momento da entrevista, ela destaca que tem culpa no crime, mas sustenta que não participou diretamente da execução.
— Eu fiquei no sofá, com a mão no ouvido para não escutar nada […] Se eu parasse pra pensar, aquilo não aconteceria. (…) Quando tudo terminou, o impacto veio de forma imediata. Não tinha mais como voltar atrás. O que eu fiz não tem mais volta.
“Suzane vai falar”
O documentário, chamado de “Suzane vai falar”, conta com mais de 2 horas de entrevista e ainda não tem data de estreia. Trechos da entrevista com a criminosa foram divulgados pelo Netflix em uma pré-estreia restrita durante o último final de semana.








