Assassino e estuprador de adolescente em SC é condenado 10 anos após crime bárbaro

Primeiro dos três réus recebeu pena de quase 60 anos de prisão após longo julgamento na capital

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Familiares acompanharam o júri (Foto: MP, Divulgação)

O primeiro dos três acusados de estuprar e assassinar Ana Beatriz Schelter, de 12 anos, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, foi condenado dez anos após o crime bárbaro. Apontado como principal autor, o homem terá de cumprir 58 anos de prisão por estupro de vulnerável, homicídio qualificado e fraude processual. Ele não pode recorrer em liberdade.

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Mário Fleguer foi o primeiro a ser julgado no processo em que outros dois homens também foram denunciados. Ele está preso no Presídio Regional de Rio do Sul desde 2020. O júri popular ocorreu em Florianópolis a pedido da defesa, para não comprometer o processo, diante da forte comoção gerada pelo caso.

Foram 16 horas de sessão, que terminou na madrugada desta quarta-feira (13).

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— É um dos casos mais chocantes e desumanos que eu já vi. Esse processo pede justiça. São dez anos de espera e hoje aqui vai ser feita justiça com provas técnicas. A família quer justiça não por vingança, mas por responsabilidade — comentou a promotora Lanna Simoni durante o julgamento, ao relembrar que Ana Beatriz era cheia de sonhos, interrompidos por tamanha brutalidade.

João Vivaldino Córdova Lottin será julgado por feminicídio e estupro em 25 de junho. Com ele também sentará no banco dos réus Marcel Aparecido Albuquerque, acusado apenas de fraude processual. João chegou a ser preso, também em 2020, mas atualmente está em liberdade como Marcel.

Estuprada e morta a caminho da escola

Ana Beatriz Schelter tinha apenas 12 anos quando saiu de sua casa, no bairro Canta Galo, no início da tarde do dia 2 de março de 2016, para ir à escola caminhando, mas nunca chegou ao destino. O corpo da adolescente foi encontrado na manhã do dia seguinte, dentro de um contêiner de uma empresa localizada às margens da BR-470, no bairro Barra da Itoupava.

De acordo com as investigações, havia indícios de violência sexual e uma corda ao redor do pescoço da menina, simulando um suicídio, que foi descartado mais tarde. O caso se arrastou por anos, até que, em novembro de 2019, o Gaeco assumiu o caso e, no começo de 2020, prendeu Mário e João.

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As investigações concluíram que Ana Beatriz pegou carona com Mário Fleger, conhecido da vítima e da família dela, e João Vivaldino Córdova Lottin, amigo de Mario. Isso teria ocorrido por volta das 13h do dia 2 de março de 2016, quando caminhava em direção à escola numa via marginal da BR-470, nas imediações da Concessionária Unidas e da Mecânica Presidente, em Rio do Sul.

De lá, eles teriam ido para um local que não se conseguiu apurar, onde teriam violentado sexualmente a adolescente, causando em Ana graves lesões corporais. Em seguida, por volta das 14h30min, também para assegurarem a sua impunidade e ocultarem o estupro supostamente por eles praticado, Mario e João teriam matado Ana Beatriz mediante asfixia por esganadura.

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As apurações concluíram que Mário, desta vez com ajuda de Marcel Aparecido Albuquerque, colocou Ana dentro do contêiner de uma empresa de banheiros químicos situada às margens da BR-470, no bairro Barra da Itoupava, onde Marcel trabalhava. Eles a suspenderam incompletamente por uma corda para simular enforcamento suicida.

Mais tarde, Marcel ligou para a Polícia Militar, mostrando surpresa ao ter encontrado o corpo.

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Mario era conhecido de Ana e de sua família, e com eles tinha certa proximidade, pois trabalhava em uma empresa que ficava ao lado da casa da vítima e ainda frequentava a mesma igreja que Ana costumava frequentar com os pais. Já João era amigo de Mário e, a princípio, assim como Marcel, não tinha nenhuma relação com a vítima ou com sua família.