Uma década após o assassinato cruel de uma adolescente em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, os acusados finalmente têm data para sentar no banco dos réus. O trio será julgado por estupro de vulnerável, feminicídio e fraude processual nos meses de maio e junho.
Continua depois da publicidade
O primeiro a ser julgado será Mário Fleguer. O júri popular dele está marcado para terça-feira (12), em Florianópolis. Ele está preso desde fevereiro de 2020 e responde pelos três crimes.
João Vivaldino Córdova Lottin, por sua vez, será julgado por feminicídio e estupro em 25 de junho. Com ele também sentará no banco dos réus Marcel Aparecido Albuquerque, acusado apenas de fraude processual. João chegou a ser preso, também em 2020, mas atualmente está em liberdade como Marcel.
Os julgamentos vão ocorrer em Florianópolis após pedido dos advogados de defesa dos acusados. Eles alegam que a repercussão do caso em Rio do Sul, uma cidade com cerca de 75 mil habitantes, pode influenciar a decisão dos jurados.
Continua depois da publicidade
Estuprada e morta a caminho da escola
Ana Beatriz Schelter tinha apenas 12 anos quando saiu de sua casa, no bairro Canta Galo, no início da tarde do dia 2 de março de 2016, para ir à escola caminhando, mas nunca chegou ao destino. O corpo da adolescente foi encontrado na manhã do dia seguinte, dentro de um contêiner de uma empresa localizada às margens da BR-470, no bairro Barra da Itoupava.
De acordo com as investigações, havia indícios de violência sexual e uma corda ao redor do pescoço da menina, simulando um suicídio, que foi descartado mais tarde. O caso se arrastou por anos, até que, em novembro de 2019, o Gaeco assumiu o caso e, no começo de 2020, prendeu Mário e João.
As investigações concluíram que Ana Beatriz pegou carona com Mário Fleger, conhecido da vítima e da família dela, e João Vivaldino Córdova Lottin, amigo de Mario. Isso teria ocorrido por volta das 13h do dia 2 de março de 2016, quando caminhava em direção à escola numa via marginal da BR-470, nas imediações da Concessionária Unidas e da Mecânica Presidente, em Rio do Sul.
De lá, eles teriam ido para um local que não se conseguiu apurar, onde teriam violentado sexualmente a adolescente, causando em Ana graves lesões corporais. Em seguida, por volta das 14h30min, também para assegurarem a sua impunidade e ocultarem o estupro supostamente por eles praticado, Mario e João teriam matado Ana Beatriz mediante asfixia por esganadura.
Continua depois da publicidade
As apurações concluíram que Mário, desta vez com ajuda de Marcel Aparecido Albuquerque, colocou Ana dentro do contêiner de uma empresa de banheiros químicos situada às margens da BR-470, no bairro Barra da Itoupava, onde Marcel trabalhava. Eles a suspenderam incompletamente por uma corda para simular enforcamento suicida.
Mais tarde, Marcel ligou para a Polícia Militar, mostrando surpresa ao ter encontrado o corpo.
Mario era conhecido de Ana e de sua família, e com eles tinha certa proximidade, pois trabalhava em uma empresa que ficava ao lado da casa da vítima e ainda frequentava a mesma igreja que Ana costumava frequentar com os pais. Já João era amigo de Mário e, a princípio, assim como Marcel, não tinha nenhuma relação com a vítima ou com sua família.





