Passe livre de idosos em risco: entidades pedem veto de Lula a lei que limita benefício

Trecho do Marco dos Transportes, aprovado no Congresso, restringe concessão de gratuidades à existência fundo para custeio; entidades alertam para risco de retrocesso.

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Imagem mostra a mão de uma pessoa idosa acionando o passe livre no equipamento da catraca de ônibus de transporte coletivo para ilustrar reportagem sobre marco do transporte

Passe livre para idosos permite que pessoas acima de 60 anos viagem de graça pelo Brasil (Foto: Imagem gerada por IA, NSC Total)

Uma coalizão de organizações da sociedade civil e movimentos sociais formalizou um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que vete um artigo controverso inserido no recém-aprovado Marco Legal do Transporte Público Coletivo. O ponto central da contestação das 26 entidades é o parágrafo único do artigo 14 do projeto de lei, que condiciona a manutenção e a criação de gratuidades na tarifa de ônibus à existência de fundos específicos para cobrir esses custos.

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Segundo as entidades, a nova exigência legal abre brecha para o congelamento ou até mesmo para a extinção de benefícios consolidados, afetando diretamente passageiros idosos, estudantes e pessoas com deficiência que dependem do transporte para acessar serviços básicos.

O inciso também coloca em risco a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Tarifa Zero que está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

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Entenda artigo do Marco dos Transportes que coloca em risco a passagem gratuita

Sob o novo regramento, se um município ou estado não possuir uma dotação orçamentária carimbada ou um fundo público exclusivo para compensar as empresas concessionárias pelas passagens livres, os benefícios existentes correm o risco de ser judicializados ou suspensos sob a alegação de desequilíbrio fiscal.

A mobilização argumenta que o texto aprovado pelo Poder Legislativo inverte a lógica do transporte como um direito social, algo defendido pelas entidades

Em nota, as organizações destacaram que “ao condicionar a concessão de gratuidades à disponibilidade de recursos, o artigo estabelece, de maneira estruturante, a demanda como base de cálculo para remuneração de empresas operadoras, e não a oferta”.

Cidades menores podem ser forçadas a cortar benefícios

As lideranças sindicais e comunitárias apontam que a medida penaliza as cidades menores, cujo orçamento interno carece de margem de manobra para estruturar fundos contábeis específicos de subvenção.

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O documento enviado ao Palácio do Planalto, destaca que a proposta protege o lucro das empresas privadas de transporte em detrimento da mobilidade da população em situação de vulnerabilidade.

Entidades exigem que Lula vete trava orçamentária

A pressão sobre o Executivo visa garantir que a sanção do Marco Legal ocorra sem as travas financeiras que engessam a gestão do transporte local.

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Especialistas do setor reforçam que, caso o trecho seja mantido, o país poderá enfrentar uma onda de reajustes tarifários ou o corte de benefícios locais para compensar a falta de fontes de receitas carimbadas pelas prefeituras.

— A ideia da forma como está estruturado esse artigo é justamente de fazer com que os subsídios federais atuem no sentido de aumentar a receita das empresas e não aumentar a qualidade — alerta o doutor em arquitetura e urbanismo Paíque Santarém, membro do Observatório das Metrópoles do Distrito Federal.

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*Com edição de Nicoly Souza