Apartamento de R$ 2,5 milhões foi estopim para investigação contra aliado de Lula em caso Master

Jaques Wagner, líder do governo Lula, teria atuado para aprovar decisões no Congresso que favoreceriam o Banco Master

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Líder do governo Lula entra na mira de nova fase de operação sobre caso do Banco Master

Senador é investigado por fazer lobby em favor do Banco Master no Senado (Foto: Jefferson Rudy, Agência Senado)

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões do Banco Master e viajado em jatinhos do empresário Daniel Vorcaro. De acordo com a investigação da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira (18), o parlamentar é suspeito de receber vantagens indevidas durante anos por meio de uma empresa ligada à esposa de seu enteado, em troca de apoio a medidas no Congresso que beneficiariam a instituição financeira.

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Dentre as medidas que o petista teria recebido propina estava a aprovação da chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) em agosto de 2024, que propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações como os CDBs. A medida beneficiaria diretamente Daniel Vorcaro, pois o modelo de negócios do Banco Master dependia da captação de recursos por meio desses títulos.

Além disso, há indícios de que Wagner já mantinha relações com o Vorcaro enquanto ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo da Bahia, em 2018. Segundo o jornal O Globo, na época, o petista atuou para privatizar um supermercado estatal chamado Cesta do Povo, que depois deu origem ao Credcesta, cartão de crédito consignado que se tornou um dos principais negócios do Master.

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A PF também apurou a ligação de Wagner com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro que, segundo a investigação, era quem negociava com os políticos, em especial no Congresso Nacional. Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação desta quinta-feira ” a autoridade policial aponta que a relação entre JAQUES WAGNER e AUGUSTO FERREIRA LIMA seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”, diz o documento obtido pelo NSC Total.

“A representação descreve mensagens, áudios, chamadas de voz, encontros presenciais, deslocamentos em aeronaves e interações familiares que demonstrariam proximidade entre os núcleos envolvidos”, complementa o ministro.

Nesta fase da operação, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro do STF, relator do caso, no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia. São investigados os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Também são cumpridas medidas cautelares, como proibição de contato entre os investigados, suspensão de passaportes e monitoramento eletrônico.

Daniel Vorcaro está preso

Daniel Vorcaro está preso em Brasília desde março de 2026. Depois da prisão, a defesa do banqueiro se organizou para propor uma delação premiada, que foi negada.

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Na semana passada, a Polícia Federal negou uma segunda tentativa de acordo apresentada pelo ex-banqueiro. Após essa nova rejeição, a corporação solicitou que Vorcaro seja retirado da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e transferido novamente para o Complexo da Papuda.

O caso do Banco Master