A Casan ampliou a prestação de serviços de água e esgoto sanitário, obteve receita líquida 11% maior e encerrou 2017 com o melhor desempenho financeiro da sua história. Considerando o resultado ajustado, antes de descontar o valor do Programa de Demissão Voluntária Incentivada (PDVI) iniciado em outubro, a empresa obteve lucro líquido de R$ 99,7 milhões. Mas incluindo o custo do PDVI do ano passado, de 183,9 milhões, o resultado fiscal foi um prejuízo de R$ 28,5 milhões contra lucro líquido de R$ 28,47 milhões em 2016, mostra o balanço da companhia. O recorde anterior da Casan foi em 2014, quando o lucro líquido alcançou R$ 75 milhões.
Conforme o diretor de Finanças e Relações com Investidores, Laudelino de Bastos e Silva, o impacto do PDVI é grande porque as normas contábeis exigem que o custo do programa seja todo incluído quando os empregados saem. Por isso, este ano o custo também será grande, terão que ser contabilizados cerca de R$ 400 milhões, embora o pagamento aos empregados seja feito em até oito anos.
Mas o resultado negativo no balanço de 2017 evitou pagamento de Imposto de Renda e distribuição de dividendos, o que assegurou para o caixa da companhia R$ 81 milhões. Esses recursos já estão sendo usados para dar a contrapartida nos investimentos em andamento – mais de R$ 2 bilhões em quatro anos, sendo 80% para esgoto sanitário. Uma parte, perto de R$ 20 milhões, vai para as obras de despoluição da orla da Baía Norte, em Florianópolis, que serão concluídas ainda este ano.
O programa de demissões ganhou adesão de 27% dos 2.654 empregados e começou em outubro do ano passado. A economia de custos na folha será de 47% e apenas uma parte do quadro será reposta. Os valores economizados mensalmente com a folha em função do PDVI, cerca de R$ 13 milhões, também irão para as contrapartidas de investimentos que precisam ser de recursos próprios porque o governo do Estado não tem.
A Casan, que trocou de presidente sexta-feira – saiu o engenheiro Valter Gallina em função da lei eleitoral para candidaturas e entrou o advogado Adriano Zanotto – fechou 2017 com receita líquida de R$ 1,021 bilhão, 11% mais do que a do ano anterior. Esse resultado melhor foi em função do reajuste da tarifa em 6,08%, mais os crescimentos de 2,4% no total de economias atendidas com água (residências ou empresas) que fecharam o ano em 1.134.265 unidades e de 8,2% no serviço de esgoto tratado, que chegou a 248.442 economias em função dos investimentos já feitos.
A Casan presta serviços para 195 municípios de SC e um do Paraná. Em 2010, o serviço de esgoto tratado atendia 13% do total de unidades, vai fechar este ano com 29% e avançará mais nos próximos anos. Os altos investimentos estão sendo argumento usado para evitar que mais municípios optem por gestão própria de água e esgoto.
Leia mais publicações de Estela Benetti
Veja também:
Venda de imóveis e o ritmo da economia
Nosso público a pé está na faixa de 80%”, diz diretor do Beiramar