A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que tem como último capítulo tarifa de importação de 125% nos EUA e retaliação chinesa com tarifa de 84%, pode sobrar inflação para o consumidor brasileiro. Na opinião do presidente do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), José Antônio Ribas Júnior, com taxação maior, a carne americana vai ficar cara aos chineses e, então, isso deve pressionar exportações do Brasil para a China. Como não tem carne bovina sobrando, os preços devem subir no mercado interno, não só para carne bovina, mas também de frango e suína.
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– O comércio bilateral entre os dois países – EUA e China – vai sofrer impacto. E aí não vai ter jeito, o Brasil poderá entrar com força, vai ter um espaço que não tinha e, no mínimo, se a gente não tiver volume, pelo menos poderemos subir preços. A lei da oferta da procura é relevante. Tem que ser entendido que para exportar, poderemos subir preços nesse momento – avalia Ribas Junior.
O empresário falou com a coluna ao participar do 25º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) e 16ª Poultry Fair, que acontecem nestes dias no Centro de Eventos de Chapecó. Os temas predominantes são mercados e nutrição animal. A organização do evento é do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet).
Alta do preço da carne bovina, normalmente, puxa o preço das outras carnes. Veja fotos:
O mercado brasileiro está acostumado com mudanças simultâneas nos custos de carnes. Quando sobe o preço da carne bovina, o consumidor adquire mais carnes suína e de frango e essas também acabam ficando mais caras.
Os importadores chineses já estão sentindo o impacto das tarifas porque o país está retaliando produtos americanos. Em 10 de março, na primeira retaliação, a China definiu tarifa de 10% para carnes de bovino e suíno e 15% para carnes de aves vindas dos EUA. Agora, são tarifas mais altas, o que causa mais desestabilização.
Mas outras notícias recentes chamam a atenção nesse tabuleiro das tarifas americanas. O presidente Dondad Trump anunciou redução de tarifas recíprocas para 10% à maioria dos mercados mundiais. Só elevou a da China para 125%. Ao mesmo tempo, afirmou que fará um grande acordo com a China. Isso significa que as vantagens comparativas de um mercado para outro podem mudar ainda antes de se acomodar.
Segundo Ribas Junior, do Sindicarne/SC, o mercado mundial de carne bovina enfrenta menor oferta do produto nos últimos anos. Somente o segmento de proteína de frango tem oferta maior e pode produzir mais com rapidez.
O mercado mundial está comprando mais carnes do Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações de carne de frango cresceram 13,8% em volume no mês de março frente ao mesmo período de 2024. As de carne suína avançaram 26,6% na mesma comparação e as vendas de ovos cresceram 342,2% também em março ante ao mesmo mês do ano passado.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), informou que as vendas de carne bovina ao exterior cresceram 30,2% em março, em volume, na comparação com o mesmo período de 2024. A alta do faturamento em dólar tem ficado acima dos percentuais de expansão das exportações, o que indica que os produtores brasileiros já estão cobrando mais nas vendas lá fora.
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