A polícia que asfixia no Brasil tem respaldo superior

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PRF avaliou que agentes adotaram “técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo” (Foto: Reprodução)

Genivaldo de Jesus dos Santos morreu por asfixia dentro de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Sergipe. Saía fumaça de dentro do carro. Policiais fecharam o porta-malas, deixando as pernas dele para fora, e só abriram quando Genivaldo parou de gritar. Para a PRF, os agentes adotaram “técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo”.

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Divone Ferreira da Cunha enterrou a filha Gabrielle, de 41 anos, na mesma quarta-feira (25), mas no Rio de Janeiro. A cabeleireira tomou um tiro em casa durante ação policial na Penha. “A gente lamenta aí. O objetivo nunca é esse”, disse o secretário-geral da PM no Rio.

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Outras 24 pessoas morreram na incursão da polícia carioca. Entre os que já foram identificados estão traficantes, mas também Douglas Donato, 23 anos, funcionário de uma loja de sapatos e pai de um bebê de dois meses. A PRF, que fazia não se sabe o quê numa operação policial urbana, avaliou que “houve confronto e alguns criminosos foram atingidos”.

O governador do Rio, Cláudio Castro, afirmou que “nossas responsabilidades impõem que estejamos preparados para o confronto”. O presidente Jair Bolsonaro comemorou o resultado da intervenção policial numa área densamente povoada dando parabéns ao Bope por “neutralizar” marginais.

Na manhã desta quinta (26), uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro saiu à caça de 11 policiais militares acusados de atuarem como mercenários. Segundo a investigação, vendiam armas, alertavam bandidos sobre movimentações da polícia e sequestravam traficantes exigindo resgate. O comandante de um batalhão, homem que chegou ao posto de tenente-coronel, é um dos investigados. Ele foi “afastado preventivamente”.

O comandante que age como criminoso dá exemplo à tropa. A corporação que, com palavras brandas, protege assassinos capazes de asfixiar um homem no porta-malas da viatura sob as câmeras de telefones celulares, estimula a sucessão de barbáries. O chefe de Estado que comemora chacinas quer a população civil atemorizada.

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O Brasil de 2022 asfixia.

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