Duplicação da BR-470 deixa a vida dos pedestres para depois

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Três pessoas morreram atropeladas no dia 8 de novembro, em Gaspar (Foto: PRF, Divulgação)

A duplicação da BR-470, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), deixou a vida dos pedestres para depois. À medida em que a obra avança, o alívio para motoristas e motociclistas é proporcional ao medo gerado nas comunidades às margens da rodovia federal. Tudo porque as passarelas de pedestres ficaram de fora do projeto contratado há oito anos.

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É a repetição de uma história bem conhecida no Litoral Norte. Moradores de cidades cortadas pela BR-101 conviveram por anos com uma autoestrada de pistas duplicadas, sem acessos para conectar bairros populosos separados por asfalto.

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Quem não se lembra das passagens improvisadas no concreto da mureta central e das mortes frequentes ocasionadas por atropelamentos? O problema só foi amenizado quando finalmente instalaram as passarelas e as grades que desestimulam pedestres imprudentes.

A tragédia de Gaspar, em que três pessoas morreram tentando atravessar a BR-470 em obras para ir ao mercado, há 10 dias, é prenúncio de uma série. Até agora, os quilômetros duplicados estão localizados, na maioria, em trechos pouco urbanizados, em que a faixa de domínio da rodovia federal está livre de casas, comércios e escolas. Mas imagine quando a duplicação chegar ao Badenfurt, onde estudantes e professores do Instituto Federal Catarinense (IFC) arriscam-se diariamente para cruzar a BR-470 até a parada de ônibus.

O “estudo” anunciado pelo DNIT para uma passarela na Margem Esquerda, em Gaspar, é insuficiente porque circunscreve o risco àquela vizinhança. Já se vão seis anos desde que os moradores da localidade começaram a reivindicar uma travessia segura. Quantas vidas os atropelamentos levarão se cada comunidade tiver de enfrentar essa via crúcis?

Milhões de reais foram gastos em estudos de impacto ambiental e social antes do início da duplicação da BR-470. Eles preveem locais para a instalação de passarelas — não só para pedestres, mas também para a fauna existente. Túneis, galerias e passa-faunas estão contemplados no projeto em execução. Passarelas, não. 

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A vida humana, neste caso, ficou em segundo plano.

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