Vida normal

Compartilhe:

Piangers: "Quando vi, a vida tinha voltado mais ou menos ao normal" (Foto: Patrick Rodrigues, BD)

Não sei se foi o fato de não me incomodar a ideia de almoçar em um restaurante no domingo ou se a vontade de assistir um filme no cinema, mas aconteceu que, quando vi, a vida tinha voltado mais ou menos ao normal. Mais ou menos, digo, porque ainda estou sempre com três máscara no carro, uma fuleira para o ar livre, uma reforçada para lugares ventilados e uma daquelas top para locais fechados. De resto, a vida está quase normal.

Continua após a publicidade

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

Peguei alguns aviões nos últimos dias, dei palestras presenciais, tirei fotos com todas as pessoas que pediram. Quero dizer: ainda evito tirar foto sem máscara, apesar de um ou outro sempre pedir, sob o argumento de que ninguém vai reconhecer quem é na foto. Oras, minha barba ainda escapa por baixo da máscara, meus olhos azuis são inconfundíveis (dizia minha mãe) e a máscara é um marco temporal, uma prova de que estamos circa 2020 D.C., um artefato para mostrar para os netos, “veja minha foto com este escritor que era mais ou menos famoso e não aceitou tirar foto sem máscara na grande pandemia de 2020, ou era 2021?, tanto faz”. Acho que tem mais charme ali do que numa foto sem máscara.

Continua após a publicidade

No mais, quase tudo normal. Já não lavamos as compras do supermercado, nem andamos com garrafas de álcool gel pra lá e pra cá. Não tomo banho assim que chego da rua, não imagino o vírus em maçanetas, não tenho mais medo de buffet a quilo. Porém, tenho ainda paranoias naturais de um pós-pandemia. Ainda não entro em locais fechados sem imaginar gotículas de coronavirus flutuando no ar; ainda olho apavorado se alguma pessoa começa a tossir no avião; ainda não faço viagens de carro com desconhecidos sem todas as janelas abertas; ainda não aceito convites para almoço ou café se não sei que a pessoa está vacinada, mascarada, bem cuidada. Mas quase tudo igual.

> Leia outras colunas de Marcos Piangers

Esses dias até alugamos uma casa na praia com um casal de amigos e ninguém usou máscara. Brindamos e rimos e uma pessoa até espirrou (“É rinite! É rinite!”, ele avisou), e conversamos sobre nossas neuroses bobas e sobre como nos alivia ver o pesadelo passando. Semana que vem, uma grande ousadia: vamos nos hospedar em um hotel na montanha. Malas prontas, vacinas em dia, minhas três máscaras preparadas para todo tipo de situação. A vida, aos poucos, vai voltando ao normal.

Leia também:

> Máscaras não serão mais obrigatórias em ambientes abertos em SC

Continua após a publicidade

> Capturada a maior espécie de cobra venenosa do Norte de SC

> Italiano passa 15 anos acreditando que namorava a modelo Alessandra Ambrósio