Bancos, analistas e investidores já projetam uma possível fusão do Grupo Soma, dono da Hering e outras grandes marcas de moda, com a Arezzo. As primeiras notícias de que as duas gigantes do setor estariam considerando uma combinação de negócios surgiram na última quarta-feira (31). Horas depois de a história vazar, ambas as companhias ajudaram a alimentar as especulações ao oficialmente admitirem que estão em tratativas.
Explorada pela imprensa especializada nos últimos dois dias, a riqueza de detalhes sobre a possível fusão, incluindo ganhos financeiros com sinergias dos negócios e futura composição acionária, sugere que as conversas estão de fato avançadas. Nesta sexta-feira (2), o Valor Econômico informou em reportagem que fontes a par do assunto avaliam que o acordo caminha para ser assinado já neste fim de semana.
Enquanto o martelo não é batido, analistas estão se propondo um exercício de futurologia. Racionalmente falando, a fusão tende a ser benéfica pela natural redução de custos em atividades comuns desenvolvidas pelas empresas. Uma base de produção mais ampla também faria a nova companhia aumentar o poder de barganha junto a fornecedores.
Relembre outras empresas de Blumenau que já foram vendidas
A Artex foi incorporada nos anos 2000 pela Coteminas (Foto: Reprodução)A Mega Transformadores foi comprada em 2000 pela multinacional sueco-suíça ABB (Foto: Reprodução)A Eisenbahn foi comprada em 2008 pelo Grupo Schincariol. Depois, foi negociada com a japonesa Kirin até ser adquirida pela Heineken (Foto: Divulgação)Em 2008 a francesa Areva, fornecedora de equipamentos de energia, comprou a Waltec, que mais tarde passaria a integrar a Schneider Electric (Foto: Patrick Rodrigues, BD)Em 2010 a Wheb Sistemas, fabricante de softwares de gestão de saúde, foi comprada pela multinacional Philips (Foto: Patrick Rodrigues, BD)A Dudalina foi vendida em 2013 para fundos americanos e um ano depois acabou comprada pela Restoque, hoje Veste S.A (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total, BD)Desde setembro de 2016 a Bermo, fabricante de válvulas e equipamentos industriais, faz parte do Grupo ARI Armaturen, da Alemanha (Foto: Divulgação)A Baumgarten não foi vendida, mas em 2016 anunciou uma fusão com duas empresas alemãs que deu origem à All4Labels (Foto: Divulgação)Em 2017, a CM Hospitalar, dona do Grupo Mafra (atual Viveo), anunciou a compra da Cremer (Foto: Luís Carlos Kriewall Filho, Especial, BD)Desenvolvedora de softwares de gestão logística, a HBSIS foi comprada em 2019 pela cervejaria Ambev (Foto: Divulgação)Em março de 2021, a Viveo comprou o Grupo FW, fabricante de lenços umedecidos e dona da marca Feel Clean (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total, BD)Em 2021 a Cia. Hering aceitou uma proposta de compra do Grupo Soma (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total, BD)Em 2021 a Hemmer foi comprada pela multinacional Kraft Heinz (Foto: Artur Moser, NSC Total, BD)A Unimestre, que desenvolvia sistemas de gestão educacional, foi comprada em outubro de 2021 pela Plataforma A+ (Foto: Divulgação)Em 2021 a fintech PagueVeloz aceitou uma proposta de compra feita pela Serasa (Foto: Pedro Machado, NSC Total, BD)A agência de marketing digital A7B foi comprada em 2021 pela Adtail, empresa gaúcha do mesmo ramo (Foto: Divulgação)Em 2021, o Laboratório Hemos foi comprado pelo Grupo Sabin, uma das principais empresas de medicina diagnóstica do Brasil (Foto: Divulgação)Em 2021, a startup Velo foi comprada pela QuintoAndar, plataforma de moradia (Foto: Reprodução)Em dezembro de 2021, a marca Sulfabril foi arrematada em leilão pela companhia têxtil catarinense Lunelli (Foto: Lucas Amorelli, BD)A Movidesk, que oferece soluções tecnológicas de atendimento e suporte a clientes, foi comprada em dezembro de 2021 pela companhia gaúcha Zenvia (Foto: Divulgação)Em 2021, a fabricante de etiquetas, tags e acessórios de moda Tecnoblu foi comprada pela canadense CCL Industries (Foto: Divulgação)
Por outro lado, o gigantismo de Arezzo e Soma – e as mais de 30 marcas dos grupos – pode se tornar um problema. Nestes casos, um dos principais desafios costuma ser a integração efetiva de negócios, equipes e tecnologias – quanto maiores as operações envolvidas, mais longos esses processos são – e o alinhamento de culturas. Não é raro haver choques entre modelos distintos de gestão que no fim só podem ser dimensionados no dia a dia.
Para a Hering, a incorporação por outro grupo parece ter sido um bom negócio. Em 2022, primeiro ano cheio sob a gestão do Soma, a receita bruta da empresa atingiu R$ 2,33 bilhões, alta de 26% na comparação com 2021.
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“A cada dia que passa conhecemos melhor a Hering e temos mais confiança para atuar nas alavancas de eficiência operacional e fortalecimento da marca, as quais contribuíram para atingirmos receita recorde de R$ 2,33 bilhões em 2022”, destacou o Soma na demonstração de resultados de 2022 – os dados consolidados de 2023 ainda não foram divulgados.
Mal começou a se habituar na nova casa e a centenária companhia blumenauense pode ter de enfrentar mais uma vez os estresses de uma mudança.