O que está em jogo na proposta para eliminar função de cobrador nos ônibus em Blumenau

Projeto de lei que pode eliminar presença dos profissionais nos coletivos deve ser votado nesta terça (16)

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Sindicato diz que medida terá impacto em cerca de 430 trabalhadores (Foto: Arquivo NSC Total)

Promete ser barulhenta a sessão da Câmara de Vereadores de Blumenau desta terça-feira (16). A prefeitura enviou nesta segunda (15) à Casa uma proposta para revogar uma lei de 22 anos que obriga os veículos do transporte coletivo da cidade a terem pelo menos dois profissionais a bordo: motorista e cobrador, função que, agora, pode cair.

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O Sindetranscol, sindicato que representa a categoria, convocou os trabalhadores a ocuparem o plenário, como forma de pressionar os vereadores para que o projeto não passe. A entidade alega que a medida pode custar o emprego de cerca de 430 pessoas e precarizar as condições de trabalho, além de comprometer a segurança e o atendimento dos usuários. A avaliação é que os cobradores também atuam como fiscais a bordo.

Do outro lado, a prefeitura diz, na mensagem enviada aos vereadores, que a função ficou defasada com o avanço da bilhetagem eletrônica. Sustenta ainda que, atualmente, menos de 7% dos pagamentos nos ônibus são feitos em dinheiro vivo e que a extinção dos cobradores resultaria em uma diminuição imediata de até 50 centavos no preço da tarifa de ônibus, hoje em R$ 5,50 na compra antecipada de créditos.

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Ninguém pode dizer que a discussão é nova. Ela já foi ventilada outras vezes, mas nunca se concretizou dada a resistência sindical. A lei que se pretende revogar, sancionada em 2003, foi um afago à categoria na época da implantação da bilhetagem eletrônica, quando surgiu o receio de que a modernização pudesse resultar em cortes de empregos. Curiosamente, o autor da proposta foi Humberto Sackl, um dos sócios da Glória, empresa líder do antigo Consórcio Siga.

O expediente utilizado pela prefeitura, agora, também não é inédito. A proposta foi apresentada às vésperas da votação para uma sessão extraordinária em que dezenas de outros projetos também serão analisados em uma única tarde. É uma estratégia antiga para evitar que o assunto tome grandes proporções.

Há coisas importantes em jogo. A medida impacta diretamente mais de 400 funcionários, que precisarão de amparo caso a legislação vigente seja revogada. Na justificativa do projeto de lei, a prefeitura sugere que a extinção da função seria escalonada, iniciando por linhas e trajetos com baixos índices de pagamento em espécie. Parte dos trabalhadores também seria realocada para outras funções dentro da Blumob, a empresa concessionária, e entidades e empresas da cidade devem absorver outra fatia da mão de obra.

Por outro lado, o sistema está em evolução. O pagamento digital já é uma realidade na vida da maioria das pessoas e o transporte coletivo precisa encontrar meios de racionalizar custos, com tarifas mais atrativas para convencer o morador a trocar o carro ou aplicativo de transporte pelo ônibus.

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O debate desta terça deveria ser pautado na qualidade do serviço e nos benefícios aos usuários. Mas, a toque de caixa, talvez se limite somente a questões políticas.

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